quarta-feira, 17 de abril de 2013

100 DIAS QUE ABALARAM A NAÇÃO



Franklin D. Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos quando o PIB do país havia caído pela metade, 15 milhões de pessoas estavam desempregadas e a Bolsa de Valores havia encerrado suas atividades por tempo indeterminado, tudo por conta dos efeitos deletérios do crash de 1929, conhecido como a Grande Depressão. Hoje pode parecer ridículo, mas em 1933, data de sua posse, não havia certeza se o sistema econômico sobreviveria.

A história, a partir daí, é razoavelmente conhecida: Roosevelt implantou o regime do New Deal, a economia aprumou novamente e aqueles tempos sombrios serviram apenas de inspiração para uma penca de filmes hollywoodianos.

O que pouca gente sabe é que Roosevelt inaugurou um conceito que hoje é um lugar comum: a avaliação dos primeiros cem dias de governo. Tudo porque nesse exíguo tempo, FDR conseguiu com que o Congresso aprovasse 15 leis essenciais às reformas e injetou otimismo e confiança na população e nos agentes econômicos.

Em nossa visão, o Flamengo não estava, por óbvio, sob os efeitos de uma Grande Depressão, não era uma terra arrasada e de sobrevivência ameaçada. Contudo, lentamente caminhava para uma decadência que poderia roubar-lhe o protagonismo absoluto de maior clube do país. Já não era mais o clube de maior receita, sua maior conquista recente (o título de 2009) foi em grande medida obra do acaso, não tinha força esportiva consistente, não sabia agregar valor ao seu gigantesco potencial de marketing vindo da imensa torcida, perdia-se em questões menores da política interna.

O processo eleitoral de 2012 - do qual os autores se orgulham de terem contribuído ao incentivarem o debate em torno da inadiável necessidade de gerir o clube sob parâmetros de boa governança - resultou em ampla mobilização de rubro-negros, unindo sócios e torcedores em um apoio quase uníssono a um grupo que defendia a modernização do comando do clube.

Passados os primeiros 100 dias da presidência de Eduardo Bandeira de Mello, a Nação foi brindada com relatórios específicos das intervenções realizadas por cada uma das VPs do clube. Uma prática saudável e inédita, que merece demorados aplausos.

Ao longo desses 100 dias, nós publicamos vários textos com abordagens pontuais de atos da nova gestão, alguns com elogios entusiasmados, outros com críticas ácidas. Julgamos que é com independência que se deve analisar cada passo dado rumo à reconstrução do Mais Querido e que o confronto de ideias é absolutamente indispensável.

Em muitos pontos, concordamos profundamente com as escolhas feitas pelos atuais gestores. Em alguns outros, nem tanto. Esse é o debate que gostaríamos de propor. Vamos a ele:



Há, decerto, muitas coisas boas no Novo Flamengo, mas nenhuma delas supera a ótima surpresa que o acaso nos reservou: a liderança do Presidente Eduardo Bandeira de Mello.

Ser presidente de um clube de futebol potencializa a exposição de seu ocupante de forma inigualável., mas ser presidente do Flamengo é estar permanentemente na mira da curiosidade pública. Querem ver? Um bom indicador é o número de páginas indexadas pelo Google:
  • Graça Foster, presidente da maior empresa brasileira e que está no cargo há mais de 1 ano (e antes já havia sido presidente da BR Distribuidora e diretora da empresa), retorna 1.030.000 resultados;
  • Aldemir Bendine comanda, desde 2009, uma empresa com um patrimônio de mais de R$ 60 bilhões e lucros também na casa dos bilhões. A empresa dele é a 4a marca mais valiosa do país. Conhece o sujeito? Talvez não, afinal ele só é citado em 50 mil páginas na Internet, mas ele é o presidente do Banco do Brasil;
  • Fernando Haddad, prefeito de SP e ex-ministro da Educação , é citado em 963.000 páginas;
  • Mario Gobbi, que volta e meia vai aos jornais dizer que seu clube é o mais valioso do Brasil, com mais curtidores no Facebook, mais visualizações no You Tube e mais influência nas agências de publicidade, preside o Corinthians desde fevereiro de 2012, retornando 1.450.000 resultados, incluindo os dos tempos em que era diretor de futebol.

Pois Bandeira de Mello, com apenas 100 dias de gestão e um ilustre desconhecido até novembro passado, já retorna 1.620.000 resultados. Em se tratando de gente no exercício de suas funções, o Google registra poucas pessoas à frente de EBM, como a Presidenta Dilma Roussef e o presidente do Congresso, Renan Calheiros (sim, Joaquim Barbosa, mesmo com toda a fama do Mensalão, está atrás). EBM é um dos brasileiros mais vigiados do país e o que tem a maior relação entre menção em artigos x tempo no cargo.

Tudo isso deveria mexer com a cabeça do sujeito. É natural que a pessoa perca o eixo, fale mais que devia, se deslumbre com os holofotes, goste de aparecer. Outros colegas seus no conselho de gestão rubro-negro volta e meia se excedem nas entrevistas, prometem o que não devem, dão declarações polêmicas.

Já Bandeira de Mello não. Sempre sereno, sempre equilibrado, se comporta diante da imprensa esportiva com a mesma fleuma de Alan Greenspan à frente do Federal Reserve. Não fez uma promessa. Não disse uma bravata. Não foi arrogante, prepotente, belicoso. Realmente, parece viver em um mundo totalmente estranho ao que se vê com habitualidade no futebol.

O melhor é que dentro de um clube 100% profissionalizado (o que o Flamengo ainda não é), o perfil ideal do presidente eleito (portanto, "amador"), é exatamente este: discreto, sóbrio e deixando os executivos trabalharem sem interferir no cotidiano. Curiosamente, de todos os que chegaram ao Conselho Gestor, EBM - que se não fosse o episódio da impugnação da candidatura Wallim Vasconcellos talvez sequer estivesse na diretoria - é, de longe, o que melhor se encaixa na função.

Principalmente por ter uma aura de homem comum, de gente que não se envolve em politicagem, de quem só quer fazer seu trabalho. E também por não ostentar um ranço elitista que volta e meia escapa em declarações impensadas de seus colegas de sangue azul, o que faz do presidente a encarnação da alma rubro-negra na diretoria.

Que siga assim por todos os seus 3 anos. Ou quiçá 6!




A melhor demonstração pública da mudança de atitude no Departamento de Futebol vem do relatório de 100 dias apresentado por sua vice-presidência: sem rodeios, Wallim Vasconcellos admite que o desempenho recente do time foi "pífio e inaceitável", prometendo que tomará medidas para que isso não volte a acontecer".

O comportamento padrão do dirigente em tempos de insucesso é procurar bodes expiatórios que possam ser acusados pelo fracasso - como antecessores no cargo, arbitragem, gramado e afins. A sinceridade de Wallim sinaliza que os tempos realmente são outros. Aprender com os erros é a melhor forma de evoluir em busca de um êxito perene.

Apesar dessa esperança renovada, acreditamos que a condução do futebol nesse início ficou aquém do que se esperava.

O conceito de profissionalismo que defendemos pressupõe a delegação integral do poder decisório ao executivo contratado, mas não parece ser isso o que está acontecendo no Flamengo.

O VP nomeado, representando o Conselho Gestor, dá seguidas entrevistas sobre montagem do elenco e chegou a comparecer ao CT para cobrar o elenco. Isso deixa dúvidas sobre quem realmente comanda o departamento: o diretor contratado não parece ter a mesma autonomia que, por exemplo, José Carlos Brunoro tem no Palmeiras.

É compreensível que a diretoria possa hesitar se deve realmente implantar um profissionalismo radical e definitivo no departamento mais sensível logo de início. Ocorre que é justamente ali que se deve evitar que a diretoria eleita interfira, para que as emoções naturais do coração torcedor não contaminem a tomada de decisão.

Em nossa visão, o profissional contratado, estava longe de ser a melhor opção disponível para ocupar o cargo. Em seu relatório, Wallim Vasconcellos fez questão de destacar que Pelaipe seria um profissional com 35 anos de experiência em vários clubes, sendo os últimos Corinthians e Grêmio. Infelizmente, não é bem assim.

Paulo Pelaipe foi, a vida inteira, ligado ao Grêmio, como torcedor e associado. Chegou à direção de futebol apenas em meados da década passada e de lá saiu em abril/2008. Logo depois foi contratado pelo Fortaleza, onde teve uma curta passagem, entrando em janeiro e saindo em março de 2009. Voltou ao Grêmio em agosto de 2011 e de lá saiu no fim do ano passado, com a mudança da diretoria. Ele esteve no Corinthians? Bom, não há registros conhecidos de sua presença por lá, nem ele nunca comentou o fato em suas muitas entrevistas. Se esteve, não ocupou nenhum cargo de destaque

Portanto, tirando a experiência do Fortaleza (cuja breve passagem ficou marcada por contratações questionáveis, dentre as quais Rodrigo Mendes, aquele mesmo), a carreira de Pelaipe como executivo profissional começou para valer no Flamengo. Daí a nossa reserva inicial quando de seu anúncio, uma vez que a torcida era por alguém com uma bagagem mais robusta.

Apesar disso, é necessário reconhecer que Pelaipe tem sido um dirigente com atitudes bem mais adequadas do que em seus tempos de Grêmio, quando era conhecido pela impetuosidade e excessos verbais (tanto que chegou a ser preso no Engenhão acusado de ofender um segurança do Flamengo com expressões racistas). O Pelaipe atual é discreto, solícito nas entrevistas, sereno nas declarações.

Dentre outros feitos, Pelaipe foi responsável, a nosso ver, por uma medida decisiva para o futuro do Flamengo: a montagem de uma área de acompanhamento de atletas e desempenho de adversários, a cargo de Rafael Vieira, que veio da CBF (e antes tinha passado por Corinthians e Grêmio, sempre acompanhando Mano Menezes).

A partir de uma extensa base de dados digital, com informações sobre atletas do mundo inteiro, a decisão de contratar um jogador tende a ser mais "científica". Em paralelo, o setor ainda municia a comissão técnica com informações sobre padrões de comportamento dos times adversários, para auxiliar no desenho tático de cada partida.

É intrigante que uma intervenção tão notável não tenha sido mencionada pela VP de Futebol no relatório de suas realizações. Provavelmente porque é um trabalho silencioso, que só rende resultados em médio prazo, mas sobre o qual vale o registro, dado que acreditamos muito nas suas contribuições ao clube.

A parte mais crítica desses 100 dias tem a ver com a montagem do elenco. De um modo geral, a análise padrão tende a creditar o mau desempenho do time na 2a metade do campeonato carioca a um esforço de contenção de despesas, que impediria a contratação de estrelas.

Discordamos dessa análise.

O Flamengo projetou um orçamento para o seu departamento de futebol de R$ 97 milhões - grosso modo, pouco mais de R$ 8 milhões por mês. Esse orçamento posiciona o time entre as 10 maiores folhas de pagamento do país.

Em que pese a herança de contratos de atletas com alta remuneração vindos da antiga gestão (casos, por exemplo, de Ibson e Alex Silva), a nova direção, segundo informações publicadas pela imprensa, estaria gastando R$ 1,25 milhão com apenas 5 atletas, contratados ou com contrato renovado nesse primeiro trimestre: Carlos Eduardo, Elias, Gabriel, Renato Abreu e Hernane.

Portanto, nesses primeiros 100 dias a opção não foi por apostar em jovens promessas ou atletas desconhecidos. Ao contrário, a diretoria escolheu investir em jogadores que pudessem assumir a titularidade e dar uma resposta imediata. O drama é que esses atletas estão rendendo abaixo da expectativa e consumindo uma fatia significativa do orçamento.

Isso torna ainda mais crítica a decisão de novas contratações. Por um lado, o clube precisa se reforçar em muitas posições, para algumas sequer há reservas. Por outro, boa parte do orçamento para atrair jogadores de qualidade já foi comprometida com esses jogadores cujo rendimento não vem correspondendo. Logo, o clube precisará ser bem mais efetivo na contratação de novos jogadores e ser mais cauteloso na definição, fugindo de apostas altas em atletas de bom potencial e alta remuneração, para não repetir os erros de Carlos Eduardo e Elias, que ganham muito sem conseguir apresentar, ao menos até agora, uma performance consistente.

A substituição do treinador, muito criticada no que se refere ao timing de execução, nos pareceu uma decisão acertada da diretoria. Se o contrato previa uma redução substancial da multa rescisória a partir de março, esperar 2 meses era o que de melhor se podia fazer.

A contratação de Jorginho também tinha tudo para ser uma boa escolha. O início confuso e atabalhoado de Jorginho foi algo imprevisível e até inexplicável, mas, paciência, nada há para ser feito por agora. Desde que reconheça seus erros e corrija os rumos de seu trabalho, Jorginho tem tudo para melhorar e repetir, no Flamengo, seus acertos na Seleção e no Figueirense.

Noves fora os dissabores recentes, o que realmente anima a torcida é a disposição dos novos comandantes em acertar e de não colocar suas vaidades e interesses pessoais acima das demandas do clube. A confiança da torcida de que tudo vai dar certo é quase irrestrita e isso ajuda bastante.

Nossos votos são para que os desastres recentes não alterem absolutamente nada no propósito inicial. Passado o susto inicial pela contratação de Paulo Pelaipe, nosso desejo é para que ele permaneça e conquiste ainda mais autonomia, assumindo de vez o comando do departamento de forma plena. E que o clube siga firme em seu propósito de montar uma equipe de acordo com nossas possibilidades financeiras (que ainda são relativamente extensas), tendo mais precisão na hora de atrair novos talentos.



A área financeira talvez seja hoje a mais popular do clube. O descaso acumulado por sucessivas más-administrações (não apenas a tenebrosa gestão anterior) se reflete essencialmente nessa área e muitos dos executivos que formam a nova diretoria são oriundos, não por acaso, de atividades ligadas ao mundo das finanças.

Trata-se de uma atividade meio, mas de vital importância no sucesso de qualquer Organização. Sem a boa gestão dos recursos financeiros, todos os demais ficam comprometidos. No caso do Flamengo, finalmente torcedores e sócios parecem ter compreendido que devem ir além do imediatismo, pois são os principais responsáveis pelo clube que amam e nessa condição precisam olhar para o futuro da instituição.

A função básica de um administrador financeiro é a de analisar e garantir a solvência da instituição. Não foi à toa, que Rodrigo Tostes e sua equipe começaram o relato dos seus 100 dias à frente do Flamengo abordando a gestão do fluxo de caixa, que necessita de um controle eficaz. Não é algo simples. É preciso criar uma metodologia que reúna informações de diversas áreas, consolidando-as na forma de números e as analisando sob uma linha temporal, integrando-as com o orçamento e a contabilidade.

Este passo é um ponto de partida para qualquer outra ação. Não sabemos como era a gestão do fluxo de caixa no Flamengo antes deste ano e isto deveria estar detalhado no quadro encontrado, mas, pela descrição das realizações da VP de finanças, é possível identificar que, no mínimo, não atendia aos objetivos propostos.

A situação descrita também explica a austeridade inicial. Apenas 15% do orçamento estariam livres, ou seja, 1,25% para cada mês para cumprir todos os compromissos do clube. Em uma situação assim ou se fecha as portas ou se arregaça as mangas e parte para negociar com credores privados e verificar o que precisa ser feito em relação às dívidas vencidas com o governo. É preciso priorizar pagamentos, mas as penhoras que estavam acontecendo faziam com que essa importante decisão fosse tomada pelo Poder Judiciário.

Além disto, o noticiário nos informa que as estatais são prospectivos parceiros de marketing. Então, não havia alternativas. Era preciso tirar a CND e para isto quitar dívidas vencidas que não podem ser parceladas, como a de tributos passíveis de retenção na fonte ou referentes a descontos de terceiros, como são os incidentes sobre a folha de pagamento.

Decisão difícil, com conseqüências para a produção dentro de campo no curto prazo. No entanto, abriram mão dos resultados imediatos em busca de uma maior solidez, sendo firmes na execução pelo que temos tido notícias até o momento.

Além do governo, seria preciso equacionar prazos das demais dívidas, enquadrando-os conforme o fluxo de caixa do clube. Também não é fácil, mas com credores privados é possível negociar. Conforme relatório, R$ 45milhões foram renegociados com bancos.

Segundo auditoria da Ernst & Young, a dívida está em R$ 750 milhões ou mais de quatro vezes o faturamento do clube no último balanço publicado (2011). Além disto, uma notícia no blog Primeira Mão informava que grande parte do valor da alta soma que receberíamos da Rede Globo já havia sido adiantada ou dada como garantia de empréstimo:

"Nas reuniões de transição, a diretoria que toma posse dia 2 de janeiro foi informada de que só haverá R$ 8 milhões a receber. Inicialmente, o clube teria direito a R$ 78 milhões - excluindo as luvas que já foram antecipadas - mas a gestão de Patrícia Amorim comprometeu mais de 90% do valor."

Diante de um quadro como esse, não há mágica que não seja a de cortar despesas e procurar novas receitas. É preciso buscar o superávit primário para que haja dinheiro que possibilite o pagamento da dívida. Pelo relatório da área financeira, soubemos que houve cortes na própria carne. Ou seja, foram reduzidas despesas (45%) e o montante da folha de pagamento (26%) do próprio órgão. No entanto, não há qualquer informação sobre os valores anteriores, a base sobre a qual foram feitos os cortes.

Em relação ao aumento das receitas entendemos que ao invés de procurar a majoração de preços de ingressos afastando a torcida dos estádios e desvalorizando o espetáculo e a própria mística rubro-negra, o clube tem potencial para buscar novas fontes de receitas. Assim, discordamos da decisão tomada de aumentar o valor do ingresso naquele jogo da semifinal contra o Botafogo, que se mostrou ineficaz (uma vez que arrecadamos menos do que no jogo da fase de grupos) e perdemos uma ótima oportunidade de reaproximar o clube da sua torcida.

Também se mostrou sem vantagens do ponto de vista meramente financeiro, o aumento do valor dos títulos patrimoniais e proprietários. O Flamengo abriu mão de uma importante fonte de receita em um momento delicado.

Para o futuro, esperamos que sejam criadas regras rígidas (de preferência por meio de modificação estatutária) que possam garantir o equilíbrio financeiro-orçamentário e frear impulsividade de dirigentes sem compromissos com a solvência financeira da instituição:

  •  Fixação de uma meta de superávit primário e de um limite percentual da receita para gastos com folha de pagamento, incluindo a remuneração dos atletas e seus direitos de imagem;
  • Implantação de mecanismos de controle e de alertas para desequilíbrios orçamentário e financeiro;
  • Prestação de contas regular, periódica, transparente e amplamente divulgada no site do clube, com o devido destaque;
  • Proibição de obter empréstimos de longo prazo, incluindo antecipações de receita de forma direta ou indireta, para pagamento de despesas correntes;

Portanto, os 100 dias da nova equipe de finanças foram bastante promissores, com decisões difíceis sendo tomadas, cujos resultados poderão servir de alicerce para um clube financeiramente reestruturado, que poderá maximizar a satisfação de sócios e torcedores, fazendo do Flamengo uma instituição séria, sanada e com foco nos seus objetivos.



Consideramos que o maior salto dado pelo Flamengo nesses 100 dias vem da área de marketing, embora essa percepção não seja compartilhada por parte expressiva dos analistas, principalmente entre aqueles que olham a VP de Marketing como um vendedor de espaços publicitários, cuja medida do sucesso ou fracasso estaria na atração de patrocinadores.

O Flamengo andou mal em variados setores na última gestão, mas nenhum deles tinha um grau de precariedade semelhante ao marketing, que falhou em todas as suas responsabilidades. Era natural, portanto, esperar uma mudança brusca em pouco tempo, como de fato ocorreu.

Há que se reconhecer que os ventos andam soprando a favor. O Flamengo poderia ter assinado o contrato com a Adidas no ano passado, mas em sábia decisão os conselheiros do clube evitaram que o polpudo sinal pago pela fornecedora fosse usado da forma então corriqueira, como contratar estrelas cadentes.

Em paralelo, a Caixa Econômica Federal tomou a decisão estratégica de ser o maior patrocinador do futebol brasileiro e é provável que em pouco tempo firme uma parceria com o clube, algo que se tornou possível depois da regularização fiscal.

Independente desses agentes externos, o marketing do clube foi decisivo na elaboração de um plano de relacionamento - Nação Rubro-Negra - que pode representar uma geração de receitas constantes.

Como dissemos em artigos publicados na época do lançamento, o projeto implantado pelo Flamengo é genial e muito superior ao ofertado pelos demais clubes (quando analisado sob a ótica do clube, não pela do usuário).

A maioria dos programas de sócio-torcedor busca fisgar membros em troca de benefícios quase sempre relacionados à presença em estádio. Isso traz dois inconvenientes: a) a imensa maioria da torcida não frequenta estádios, logo os benefícios, que custam caro, não representam um pólo de atração; b) a lotação dos estádios representa um limite teórico dos participantes, fator de insatisfação dos que ficam preteridos em jogos mais disputados.

O Flamengo aposta em um público de renda mais alta, não necessariamente frequentador dos estádios e com vínculos sólidos inspirados apenas pela paixão. Como a margem de contribuição apropriada pelo clube será muito maior do que os dos concorrentes (porque a receita de bilheteria não foi comprometida), o Flamengo pode se dar ao luxo de ter uma quantidade menor de contribuintes e ainda assim lucrar mais.

A resposta dada pela torcida foi magnífica e em menos de 1 mês o clube já tinha associado ao Nação Rubro-Negra mais do que em todo o resto de sua história no seu quadro social convencional.

A partir da base de dados do Nação Rubro-Negra, aliada a outra (que se espera maior), do Cadastro Rubro-Negro, iniciativa lançada pouco antes, a VP de Marketing tem a possibilidade de realizar intervenções específicas para nichos muito particulares de torcedores. As primeiras iniciativas do Nação Rubro-Negra, envolvendo doação de ingressos e encontros com ídolos, sinalizam que esse caminho tende a ser explorado com mais frequência.





A área de Esportes Olímpicos chamou atenção da torcida e da mídia logo no início da gestão. Não por conquistas, mas por dispensas de atletas renomados (natação, ginástica artística e judô). Diante da grave crise financeira pela qual passa o clube, a decisão foi tomada sob a alegação de não mais desviar dinheiro do futebol. O caminho escolhido foi o de dar um passo atrás, para buscar o impulso e poder dar um salto adiante com sustentabilidade. Ainda é cedo para marcar uma posição aqui se a atitude foi correta ou não.

O quadro que encontraram conforme relatado foi de: modalidades deficitárias, atraso nas remunerações (contratos de imagem e ajuda de custo) e falta de patrocínios. Já no Remo, além dos mesmos problemas, também se relatou necessidade de reformulação profunda da Academia de Remo, gastos supérfluos e problemas organizacionais.

Nos 100 dias, o problema de atrasos remuneratório ainda não foi resolvido, tendo sido minimizado na VP de Olímpicos segundo a carta do Póvoa. Por outro lado, se anunciou melhorias nas instalações. Já nos demais esportes olímpicos, trouxeram um executivo com um histórico de sucesso (o Marcelo Vido) e ainda criaram uma estrutura de marketing para planejar ações somente para os olímpicos, o que é essencial se formos analisar cada modalidade como um centro de custo autônomo, que precisará ser auto sustentável.

Pelas metas estipuladas fica claro o direcionamento para o governo. Acreditamos que, pelo histórico e pela proximidade dos Jogos Olímpicos, o Flamengo terá sucesso na empreitada de fazer parcerias com estatais e/ou receber verbas públicas. Porém, entendemos que é uma dependência perigosa, que ao menos nas diretrizes deveriam anunciar a busca de parcerias privadas.

A promessa é de dias melhores a partir da reestruturação que deverá perdurar ao longo deste ano. Assim, nestes primeiros 100 dias nossa única certeza é a de que um novo modelo de gestão de Esportes Olímpicos está nascendo. Estamos na torcida para que dê certo.




O Flamengo parece ter andado mais em 100 dias do que em 100 meses. A exemplo de Franklin Delano Roosevelt, o que se nota de modo mais acentuado é uma injeção de ânimo e esperança em dias muito melhores.

A direção, claro, precisa evoluir, sobretudo aprendendo a lidar com a característica multifacetada da Nação, compreendendo que somos, antes de mais nada, um clube com sólida identificação popular, onde medidas com um tom elitizante precisam ser pensadas de forma a avaliar o impacto com os torcedores - não é razoável aumentar os ingressos para R$ 80,00 e logo em seguida declarar que eles ficarão ainda mais caros.

Um clube cidadão, financeiramente sustentável, resgatando sua imagem, atraindo novos contribuintes. Só falta ser vencedor. Esse dia chegará.


Walter Monteiro / JEFF (Jorge E F Farah)






sábado, 2 de março de 2013

O Desejo, a Viagem e a Magia Rubro-Negra

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Irmãos, estamos aqui reunidos em nome do nosso ídolo maior. Para comemorar os 60 anos do Zico, o Magia Rubro-Negra, presentou-o com um livro com texto de todos os colunistas. Abaixo segue um que fiz como introdução.



Se havia algo que Arthur não se conformava era não ter visto Zico jogar. Foi nisto que ele pensou naquela tarde do dia 02 de março de 2013, quando comemorava 19 anos, pouco antes de soprar as velinhas de seu bolo de aniversário. Aos escutar sua avó dizendo para ele fazer o tradicional pedido, pensou: "gostaria de voltar no tempo e acompanhar toda carreira do Zico".

Obviamente, tinha sido batizado em homenagem ao ídolo. Nascera na véspera do aniversário do Zico ou do Natal Rubro-Negro, como gostava de dizer, justamente no ano em que o Galinho de Quintino, lá no outro lado do mundo, pendurou definitivamente as chuteiras.

Naquela noite, o jovem rubro-negro foi repousar pensando na carreira do Zico e no pedido que fizera. Justo ele tão cético com essas coisas. "Crendices bestas da vovó" pensava. Mas, não entendia porque, dessa vez, deitado na cama, pronto para dormir, ele não deixava de pensar que perdeu um pedido para brincar com seus próprios desejos. Devia ser reflexo da emoção que sentiu na inauguração da estátua do ídolo pela manhã.

Enquanto pensava, sentiu uma mão lhe tocar. Olhou e assustado viu um menino louro de asas fazendo-lhe sinais. De supetão, sentou-se na cama, esfregou os olhos e se beliscou para acordar. Nada aconteceu e o anjinho continuava ali.

"Não é possível!" exclamou enquanto imaginava que estava ficando maluco. Sem ver o anjo mexendo as bocas, escutou uma voz lhe dizer: "Vamos logo, Arthur! Não tenho o dia inteiro. Temos que viajar no tempo".

Nem teve tempo de discutir com o que julgava ser uma alucinação sua. Uma espiral vermelha e preta apareceu em sua frente, no meio do ar, na altura de seus olhos e começou a girar, a girar, a girar... cada vez mais rápido. Nem teve tempo de refletir sobre o que estava acontecendo. Foi sugado pela imagem e começou a gritar.

Caiu sentado numa calçada de um subúrbio. "Onde poderia estar?", questionava a si mesmo. Estranhou o jeito de vestir das pessoas. Parecia estar assistindo um filme antigo. Enquanto tentava entender o que tinha acontecido, ouviu uma voz suave que lhe soou familiar.

- Arthur, sabe que dia é hoje?

Era o anjo. Mas, antes que ele pudesse responder que era dia de seu aniversário, a criatura alada lhe avisou que estavam no dia 03 de março de 1953 e completou perguntando se ele sabia que dia era esse.

"Como assim?", pensou Arthur. Não podia ser verdade. O jovem não estava acreditando em sua sorte. Olhou para o relógio e viu que marcava 7h da manhã. Era a hora e o dia em que Zico nasceu. Agora, entendia tudo. Estavam em Quintino. Mais precisamente em frente à casa 7 da rua Lucinda Barbosa.

Afobado e nervoso, correu para a casa. Lá viu 5 crianças e um senhor. Só poderia ser o Seu Antunes, pai do Zico. Quase sem voz pela emoção, tentou chamá-lo, mas ninguém o escutava. O anjo, então, lhe comunica que estavam em uma dimensão diferente. Não seria possível interagir.

Escutaram um choro de criança e os gritos de "nasceu". A alegria tomou conta da casa e ele não se continha em si mesmo. Estava ali com Seu Antunes, Dona Matilde, Zezé, Zeca, Nando, Edu, Tunico, o bebê Zico e a parteira, Dona Marta. Estava presenciando o Natal Rubro-Negro. Ao vivo! Incrível! Extraordinário! Emocionante!

Ao escutar o anjo estalar os dedos, o jovem Arthur viu o tempo passar rapidamente como se estivesse adiantando um filme que estava assistindo. Pode acompanhar o bebê virar menino, ser chamado de Arthurzico e, logo depois, apenas Zico. As quatro letras, que por si só, trazem emoção a qualquer torcedor do Flamengo.

Apesar de franzino, Zico era forte e saudável. Não teve nenhuma das doenças comuns às crianças da época. A família atribuía isto ao fato de ter sido amamentado até quase os 6 anos de idade.

Assim, Arthur viu seu xará famoso crescer. Teve a oportunidade de acompanhá-lo em peladas nas ruas e na quadra de futebol de salão que seria construída nos fundos do terreno da casa onde a família Coimbra morava. A habilidade do garoto já impressionava a todos ali. Escutou o padrinho dele, Augusto Leite, falando que o menino seria um craque, um dos melhores do mundo, se virasse jogador de futebol.

O filme da vida de Zico continuava passando para o Arthur como se ele estivesse dentro de cada cena. Era incrível! Assim, viu Antunes (Zeca) e Edu virarem jogadores. Ótimos jogadores, aliás.

Praticamente de camarote assistiu o futebol de Zico chamar tanta atenção quanto o corpo franzino causava desconfianças. Levado para o Flamengo pelo radialista Celso Garcia, o jovem e o anjo puderam acompanhar as dificuldades daquele menino em atravessar a cidade indo de Quintino à Gávea para treinar e ainda ter que estudar como exigia a família.

Também, viu algo que seu pai não tinha lhe contado na história de Zico. Por causas das dificuldades em ir para a Gávea, sem o Flamengo bancar a alimentação, quase que o futuro craque foi parar no Vasco. A salvação aconteceu graças a George Helal que resolveu custear sua alimentação e exames médicos necessários para fazê-lo ganhar corpo.

A viagem pela linha de tempo mais importante da história rubro-negra continuava acontecendo. Estavam em 1970, no Maracanã. Tratava-se do primeiro jogo do Zico no estádio. No jogo principal, aconteceria a despedida de Carlinhos dos gramados, de quem recebeu um par de chuteiras, num gesto simbolizando a passagem de bastão.

O Arthur viu de perto o trabalho de uma equipe médica, sob comando do Dr. José Roberto Francalacci, na implantação de um inovador programa de desenvolvimento físico, com o qual, nos anos seguintes, Zico ganharia 6 centímetros e nove quilos.

O anjo continuou estalando os dedos, o tempo passando e Arthur podendo viajar pelo tempo realizando o sonho de acompanhar a carreira de Zico. Foi desta maneira que viu o Galinho de Quintino, apelido que seria dado por Waldyr Amaral, subir e voltar para a base, não ser convocado para as Olimpíadas de Munique, ir finalmente conseguindo se firmar no time principal e se tornar o principal jogador de um esquadrão que tudo conquistou. Em histórias que serão narradas com mais detalhes nas demais páginas desse especial do Magia Rubro-Negra, que também contará a emoção de colunistas-torcedores com o que Zico representou para cada um.

Assim, o nosso Arthur estava emocionado, podendo acompanhar tudo com que sempre sonhou. Chorou com a saída de Zico para a Itália, com o pênalti perdido na Copa e se derreteu em lágrimas na despedida no dia 06 de fevereiro de 1990 no Maracanã. Sentiu a emoção de cada um dos 90 mil presentes. Pode ainda ser testemunha do seu recomeço no Japão e do novo sucesso ao conseguir desenvolver o futebol em terras orientais.

Até que foi chegando o ano de seu próprio nascimento, 1994, quando viu Zico se despedir de vez dos gramados e, para brindar a emoção que via o jovem sentir, o anjo permitiu que ele conseguisse pegar um chaveiro do Kashima Antlers como recordação, que colocou no bolso.

O anjo avisou que estariam voltando e novamente viu a espiral vermelha e preta. Foi se sentindo com sono enquanto era transportado por um túnel no espaço. Até que sentiu uma mão lhe balançando.
- Acordaaaaa, Preguiçoso! Venha almoçar para irmos ao jogo. Acoooooorda, Arthur! Já está tarde. Dormiu demais, rapaz!

Era um vizinho e amigo com quem iria ao Engenhão neste dia em que Zico faz 60 anos para juntos assistirem a semifinal da Taça Guanabara. "Teria sido tudo um sonho, então? Mas, parecia tão real!".

Quando já se preparava para contar seu sonho ao amigo e à família, ele coloca a mão no bolso e encontra o chaveiro do Kashima. Sorri! Olha para os céus e agradece em silêncio. Agora, era um rubro-negro realizado. Finalmente, se sentia completo. Tinha assistido Zico jogar.



 FLAmém!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

RAFINHA - O HERÓI DA VEZ

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Voltei de férias, após ter ficado bom tempo offline, sem poder desfrutar dos jogos do Flamengo. Retornei a tempo de ver minha vitória predileta: aquela já tradicional pancadinha nos vices. Flamengo e Vasco é o jogo onde a maior vítima é sempre a imprevisibilidade do resultado. Todos sabemos que no final os viceínos voltam chorando e os rubro-negros sorrindo.


É um jogo que já revelou inúmeros heróis. Alguns ficaram, outros vivem até hoje de terem destruído os rivais. O da vez é o Rafinha! O fato é que o arisco atacante merece as honras. Participou dos quatro gols da equipe e levou Dedé, o mito com nome de trapalhão, à loucura!

Então, vamos ficar com as merecidas homenagens ao moleque que infernizou a defesa adversária e mostrou que Zico tinha razão ao apontar sua mão messiânica para o garoto. Todas as imagens abaixo foram retiradas de sites na internet.

Kibe Loco
Brahma FLA

Magia Rubro-Negra

Magia Rubro-Negra


 FLAmém!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A Reeleitura em vermelho e preto de 2012

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


O ano de 2011 até que não acabara mal. É verdade que tínhamos adiado o sonho do hepta, mas havíamos conquistado uma vaga na Libertadores, tendo ficado todo brasileiro no pelotão da frente. Começamos o ano falando em priorizar a libertadores, mas infelizmente o retorno das férias não foi exatamente cercado de esperanças. Vamos relembrar as palavras do Arthur Muhlemberg no Urublog no artigo As Melhores Coisas do Mundo São Grátis:
“O ano de 2012 começou com tudo no Flamengo. Com a fofoca, a especulação e a inconclusão crônica que já vão se tornando tradicionais na Gávea. Só faltaram mesmo a pompa e a circunstância que o ano do centenário do nosso futebol mereciam. A barca levou o ídolo Angelim e alguns desafetos da torcida, mas de reforço, até agora, só veio o ignoto lateral Magal. A grande incógnita é a permanência de Thiago Neves. (...)

Não é que eu não tenha uma opinião. Mas prefiro pedir a ajuda de vocês e continuar me concentrando na única coisa que importa no mês de janeiro: a partida contra o Potosí pela Pré Liberta. Como já ficou provado que o Carioca não vale porra nenhuma, e como não temos rivais dentro dos limites municipais, essa é a única coisa que importa. O resto, inclusive a minha cornetada básica, pode esperar.”


Mas, o tempo passou, o elenco continuou indefinido, Thiago Neves não ficou e a esperança foi sendo trocada pelo nervosismo, como nos mostra André Carrera, o “China”, companheiro de Magia Rubro-Negra, na crônica Libertadores: qualquer dia 'tamu' aí (?):
“Em tempos de saturação da tecla F5 dos computadores da Nação, em busca de alguma novidade sobre o Mais Querido, percebemos que já estamos a míseros 12 dias da estreia na Pré-Libertadores, e sequer sabemos quem será o nosso camisa 10 nesta temporada. Para piorar as coisas, é cada vez mais forte a chance de Welinton, Willians e Renato continuarem como titulares do time, além das figurinhas conhecidas no banco de reserva, como Rodrigo Alvim, Negueba, Jael e Paulo Sérgio, fora os ´reforços´ Itamar e Magal, que chegam para ´compor´ o ´elenco´."
Ainda lá no início da temporada, Nayra Halm, já profetizava no Projeto RubroNegrismo 2012 sobre como seria este nosso ano:
“Muito se especula nessa mais longa e interminável pré-temporada sobre o projeto do Flamengo para esse ano de 2012. Nessas últimas semanas vimos portais de notícias dizendo tudo o que queriam dizer e mais do que deveriam dizer: quem vem, quem vai, quem fica e torcedores com expectativas frustadas, se desesperando com essas novelas e como o povo é noveleiro, e curte uns dramalhões mexicanos, pois vendem enredo de tudo que é tipo, se há foco na libertadores, novo patrocínio, falta de dinheiro e pagamentos, rixas internas, briga de vaidades e a guerra eleitoral já começou, só não ver quem não quer.

O futebol já deixou de ser amor à camisa há muito tempo, e profissionalismo é algo que não existe mais por parte dos jogadores que visam o que há de melhor para o bem estar deles como o melhor salário, privilégios dentro no clube, jogar ao lado de amigos, trabalhar com um técnico que tem afinidade, morar perto da praia, boates, favelas e mil outras razões. E por parte dos clubes também não há tal profissionalismo quando não há contratos rígidos e sendo cumpridos, punições, estrutura adequada, equipe qualificada para gerir e administrar o futebol, bom ambiente de trabalho e salários em dia, por exemplo.”

Em meio a tantas fofocas, disse-me-disse, intrigas, brigas entre técnicos e jogadores, o Flamengo entrava em campo para valer pela Taça Guanabara, enfrentando o Bonsucesso. Mas, ninguém prestava atenção. O “fora de campo” rendia mais. No entanto, a bagunça na pré-temporada já dizia muito do que seria o ano. Enfim, após golearmos, com um time jovem, o fraco Bonsucesso, iríamos ao que realmente interessava, nossa estreia na pré-libertadores, no alto da montanha, contra o Potosi. Vamos relembrar através das palavras do "gringo" Somengon Ivascosevic sem sair das páginas do Magia Rubro-Negra:
"Somengon gostou muito da estréia do jovem e lépido time do Flamengo na Taça Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca. No anoitecer deste último sábado, no Estádio do Engenhão, a Prata da Casa do Flamengo realizou uma ótima apresentação e goleou por quatro tentos a zero o time rubro-anil do Bonsucesso. O avante Jael, o Cruel, foi eficiente e balançou duas vezes a rede na etapa inicial. No segundo tempo, o meia Camacho, a melhor peça do Mengo no embate, e o bom de bola Adryan deixaram suas marcas e deram números finais à peleja. 

Na noite dessa quarta-feira, o Mais Querido do Brasil jogará seu primeiro embate pela fase da Pré-libertadores. Comandados pelo fritado, assado e já omeletado mestre Luxa, o Mengo atuará no Estádio Mario Mercado Vaca Guzmán que fica situado a 3.975 metros acima do nível do mar. Subir a Cordilheira dos Andes e atuar diante da equipe do Real Potosí a quase quatro mil metros de altura não é uma tarefa muito fácil! Somenga e toda Família Sevic desejam toda boa sorte possível para o escrete rubro-negro da Gávea que já jogou por lá e sabe como é difícil atuar num local onde o ar é tão rarefeito. A bola às vezes ganha asas, não pára de quicar e corre sem parar. Somente os antigos Incas, os majestosos condores e criaturas como as lhamas, vicunhas e alpacas se dão bem num clima tão inóspito! "
Passamos pelo Real Potosi, perdendo um jogo e ganhando o outro. Pouco antes do segundo jogo, vazaram  notícias de que o elenco comandado pelo Ronaldinho Gaúcho havia ganho a queda de braço contra o Luxemburgo. O Flamengo entrou em campo para um jogo decisivo dirigido por um ex-técnico. Coisas da administração (sic) Patricia Amorim. Vamos relembrar o acontecido nas palavras sempre sensatas de André Monnerat, no Sobre:Flamengo:
"É incrível como, fora de campo, tudo no Flamengo-2012 tem que acontecer da forma mais bizarra possível. O dia do jogo do ano teve a notícia de que Deivid decidiu entrar na Justiça para cobrar o que o clube lhe deve: inacreditáveis 19 meses de direitos de imagem não pagos. É ridículo discutir se o momento que escolheu para isso foi oportuno ou não; depois de 19 meses, ele tem o direito de escolher o momento que vier à sua cabeça, sem contestação. Mas esta notícia, que fez até aparecerem boatos de que ele poderia não ser escalado à noite, não foi a mais bombástica.
Poucas horas antes da partida, o GloboEsporte.com divulgou que os jogadores já haviam sido informados da queda de Luxemburgo e sua substituição por Joel Santana. Seria, vejam vocês, uma tática motivacional para empurrar atletas que não suportam mais o atual treinador. A presidente apareceu em uma rádio negando. O técnico se recusou a falar do assunto antes do jogo, deixando-o para a coletiva que aconteceria após a decisão.
E foi neste clima que o time entrou em campo para o jogo do ano. Incrível."



Como bons rubro-negros, temos que nos apegar a qualquer coisa para acreditarmos. A fé é parte de nossa essência (junto com a criatividade como mostram as figuras desse post). Joel Santana era o novo técnico do Flamengo. Mas, esta gestão realmente mexeu muito com nosso orgulho de ser rubro-negros e a cornetagem passou a ser mais forte do que nunca como Walter Monteiro nos lembra da Raiva de Ser Rubro-Negro ao assistir nosso jogo de estreia na fase de grupos da Libertadores lá na Argentina contra o Lanus:
"O time do Flamengo entrou em campo para fazer um aquecimento. Vários aplausos vindos da torcida do Lanus nas cadeiras bem ao nosso lado para o Ronaldinho. Que foi até lá perto deles agradecer. Ou melhor, o astro dentuço teve mais aplausos ali do que no nosso setor. Bem atrás de mim, um grupo de jovens senhores cariocas, na faixa dos seus 30 e poucos anos, mas fantasiados de adolescentes exibindo suas cuecas de grife por debaixo das calças de cintura baixa, começaram ali mesmo uma perseguição implacável. O campo é pequeno, o estádio ainda estava silencioso, se a pessoa grita com força, o jogador é capaz de ouvir. E os caras sabiam disso. Cada vez que R10 posicionava a bola, os neo-coroas se esgoelavam: "acerta uma, seu merda, seu FDP, seu sanguessuga do cara...". Bom, isso era só o aquecimento. Do Ronaldinho e deles mesmo.(...)
Eu, que passei 2011 inteirinho ouvindo a Nação falar cobras e lagartos do Luxemburgo, estava certo que a sua saída traria, ao menos, a paz e a união entre todos os torcedores. Errei. Bastou 1 jogo e uma única opção tática (Airton no lugar de Botinelli) para acender a fogueira novamente. Ah, como era bom quando a gente mostrava ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro."


Se  nas arquibancadas, o grito se transformava em vaias, dentro de campo o panorama não era nada animador. Em coisas que só acontecem uma vez a cada geração, perdemos um jogo decisivo para os vices. Fomos por eles derrotados na Taça GB com direito ao gol inacreditavelmente perdido pelo Deivid, que massacrado pela crítica, assumiu toda culpa pela derrota num ato que para alguns o transformou instantaneamente de vilão a herói. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra como demonstrou a Karoll Chaves no Santificado Deivid:
"O ato do nosso nobre camisa 9 de assumir a "culpa" pela derrota de quarta-feira foi digno de pessoas corajosas. Até deu uma pontinha de "orgulho" em ver que nosso "perna de pau" admite seus erros. Só que entrar o domingo sem ver o Mengão decidindo um campeonato faz com que o pequeno "orgulho" acabe. Tenho notado que a imprensa está no processo de "canonização" de nosso camisa 9. É certo que ele aparenta ser uma pessoa de bom coração e que apanhou muito para chegar aonde chegou. Sua atitude foi corajosa e digna, disso ninguém pode falar nada. Porém, é muito pouco para ser santificado pela Nação. Logicamente o mesmo não fez de sacanagem, ele não teria o poder de calar de propósito Luis Roberto, José Carlos Araujo, Luis Penido e mais 40 milhões de torcedores. Só que mesmo não sendo proposital, vai ser duro perdoar. O jogador que já não gozava de grande prestigio, agora vai ter que matar dois leões e um urso por dia!"

O luto do campo se estendeu para fora dele. As redes sociais rubro-negras não seriam mais a mesma. Perdemos a queridíssima @Leninha_Lena, em cujo velório foi lida a carta escrita por Fábio Justino publicada no Magia Divulga:
"Ali eu conheci um anjo carinhosamente apelidado de Leninha, contagiados pela sua facilidade em relembrar fatos inusitados e seu invejável bom humor, perdemos a noção do tempo e da distancia. Encontra-la era sempre uma festa, seus abraços fortes e seus xingamentos carinhosos, soavam como EU TE AMO disfarçado e muito bem compreendido por quem os recebia. Assim como outros grandes e inesquecíveis, ela foi embora, sem acenar com as mãos, sem dizer até mais, porém, é impossível lembrar dela sem estampar na mente os cabelos brancos, o sorriso amparado pelo óculos e o orgulho em ostentar seus diversos MANTOS SAGRADOS. Além da saudade, deixou lições que devem ser aprendidas e praticadas. Humildade, lealdade e o esforço para manter próximo aqueles que ela sempre fez questão de dizer que amava."

Dentro de campo a coisa continuava feia. Em abril, demos adeus ao sonho da Libertadores, sem, ao menos, passarmos da primeira fase. Precisávamos vencer o Lanús e torcer por um empate entre Emelec e Olímpia. Fizemos nossa parte no Engenhão, jogando bem e ganhando por 3 x 0. Mas, no outro jogo, a classificação escapou aos 47 minutos do segundo tempo com um gol do Emelec, virando o jogo, após ter empatado (e nos presenteado com a classificação naquele momento) já nos descontos. Vamos relembrar esses emocionantes instantes finais nas palavras de LeoMagaMon nas páginas do Magia Rubro-Negra:
Com o jogo ganho, passamos a acompanhar mais atentamente o jogo do Olimpia x Emelec. E o Olimpia nos colocou no páreo novamente no meio da etapa final. Mas o jogo de lá foi daqueles de obrigar o @RealMorte a fazer hora extra. No finzinho, aos 42 minutos o Emelec fez o 2º e nos tirava a classificação pela 2ª  vez na noite.

O jogo no Engenhão já tinha acabado quando aos 46 o Olímpia nos devolvia a competição. Olimpia 2 x 2 Emelec.
Festa no gramado e na arquibancada. Mas... O Emelec, merecidamente classificado para próxima fase, nos tirou do páreo pela 3a e última vez. Aos 47 minutos após cobrança de escanteio os equatorianos fizeram o 3o de cabeça e descobri que no Rio a comunidade de Quito é vizinha.
Conclusão, aprendi (de novo) que o impossível no futebol é bem diferente do improvável. E o Flamengo deveria aprender (de novo) que desperdiçar pontos na Libertadores é fatal. Abrir vantagens de até 3 gols e permitir empates, viradas, dentro ou fora de casa, é dar motivos suficientes para que não se possa lamentar nada mais.
Assusto-me ainda ao ouvir que o Flamengo perdeu a classificação naquele famoso jogo dos 3x3 no Engenhão. Não, meus amigos, o Flamego perdeu a classificação nos 4 dos 6 jogos em que a vitória não veio. Em cada um dos pontos jogados no lixo por culpa da falta de organização, de tesão, de disposição. Perdemos a vaga pela total incompetência e falta de comando deste grupo. Dentro e fora de campo.

Com a eliminação da principal competição, restava-nos o Carioca. Ao menos, deveríamos conquistá-lo como prêmio de consolação. Mas, nem isto! O raio voltou a cair no mesmo lugar e uma nova derrota para os vices em nova semi-final, agora na Taça Rio. O sentimento de revolta era generalizado e pode ser muito bem captado pelas sofridas palavras de Renato Croce no FlaManolos ao falar sobre Os 30 dias Sem Flamengo
A torcida sempre fica confiante num clássico decisivo contra eles, mas parece que nos enganamos com este Flamengo. Este Flamengo que foi facilmente dominado pelo Vasco no primeiro tempo, que só não fez mais gols porque tivemos sorte. Sem marcação no meio-campo, tendo uma dupla de volantes meio perdida na defesa, nossa zaga ficou sem proteção contra um time com alto poder ofensivo. Dizer que eles ganharam por causa do juiz e do pênalti inventado é tentar mascarar nossa situação. Ganhou quem mereceu, quem fez por onde. 
Como já disse aqui, temos (ainda) um técnico sem passaporte, que não consegue dar um treino decente, dá nojo em quem vê e não consegue ganhar nada fora do seu estado. Ele foi contratado por uma diretoria de merda, que, agora, terá que pagar uma multa incrível de aproximadamente 4 milhões (mais uma) pra se livrar dele, um ex-técnico em atividade. Puro amadorismo de quem assinou seu contrato. Este Flamengo, que vive de lampejos e da raça de alguns jogadores, tem um técnico regional que sequer teve a competência pra ganhar o Carioquete. Um time que pressiona seu adversário por 20 minutos, mas que não tem culhão pra jogar nos outros 70. Técnico ridículo, diretoria idem. "

No meio disto tudo, o futebol do Flamengo fez cem anos. O mestre Alexandre Fernandes no Magia Rubro-Negra abandona os problemas do presente e se transfere ao passado para nos contar de forma mágica sobre Um Século de Futebol:
"Já se vai um século do jogo contra o Mangueira e aqueles 15 x 2 em 03/05/1912 nos asseguraram o que viria pela frente. Bolas na Lagoa, viradas em São Januário, vitórias retumbantes no Maracanã, superação em Montevidéu, consagração em Tóquio trariam um ar de novo ao que sempre se soube: o Flamengo maior que a soma dos outros, mais forte do que o desejo do arco-íris, mais poderoso que as blasfêmias de adversários inconformados. Somos massacrantes no desespero dos invejosos, torturadores no desvelo dos inconsoláveis, martirizamos a dor dos vencidos. Não nos contentamos com a maioria absoluta, nem em vencer com maior frequência. A perene supremacia perpetua o Manto Sagrado pela imposição da avassaladora grandeza de nossa história. Mais do que uma deserção episódica, na alternância simplista de forças, a expressão do poderio rubro-negro se faz pela inspiração dos deuses do futebol, pela transcendência de valores, por influência inexplicável. Reinamos no Rio, ganhamos a América e o Mundo, dominamos o Brasil várias vezes. Em vitórias retumbantes revestidas de glamour, valentia e garra, em placares alterados por imposição, quando o acaso assume proporções impensáveis."


Pouco tempo depois, Ronaldinho Gaúcho deixava o clube, escancarando os erros da diretoria. Foi Uma Tragédia Anunciada como Affonso Romero e Walter Monteiro escreveram:

"O divórcio do Flamengo e Ronaldinho Gaúcho foi melancólico e litigioso, mas ninguém deve se surpreender com o desfecho.No verão de 2011, debaixo de um sol escaldante, Ronaldinho subiu a um palco improvisado no campo da Gávea.Com a Nação Rubro-Negra em festa, ninguém se lembrou de colocar no papel aquilo que havia sido combinado na longa negociação. Não demorou muito para surgirem divergências entre os três vértices desse triângulo amoroso - o clube, o atleta, a empresa de marketing. Sem nada escrito, fica mesmo difícil se lembrar de todos os detalhes combinados. O desencontro foi a senha para que a empresa de marketing abandonasse o projeto e deixasse a conta inteira para o Flamengo.Como se sabe, nada é tão ruim que não possa piorar. O Flamengo, mesmo sem refletir sobre o tremendo impacto financeiro que o salário do jogador representaria no seu caixa, assumiu o compromisso de pagar, sozinho, a maior remuneração de todo o seu centenário futebol. Claro que deu errado.Em casa que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. Como previsível, faltou dinheiro para honrar um pagamento tão elevado. O jogador, que tinha um comportamento rebelde, se sentiu ainda mais livre para fazer o que bem entendesse, sem qualquer preocupação com o seu desempenho esportivo. A torcida, que antes o recebera eufórica, canalizou sua ira pelos insucessos no terreno desportivo para o astro insolente, que parece rir de tudo.E assim, na Justiça, o sonho acabou."


Dali em diante, não havia mais tréguas. A torcida cansara definitivamente da Patricia Amorim e sua trupe, que ainda conseguiram manter o Joel e nos fizeram jogar a chance de uma nova pré-temporada fora, como   resumiu logo na partida de estreia, o patrão Eduardo Vichi, ao dar suas tradicionais notas no pós jogo contra o campeão da segunda divisão de 87:
"Depois de 26 dias sem jogar e treinando muitas jogadas ensaiadas, o Mengão apresenta os mesmo problemas de sempre! IMPRESSIONANTE!"
Não era preciso dizer mais nada, correto? O Brasileiro começava e a campanha não empolgava ninguém, fazendo com que os corneteiros do apocalipse aparecessem para pregar o pior. Assim, a cada vergonha nos gamados, mais xingamentos contra a Diretoria e a criatividade da torcida teve seu auge durante os jogos olímpicos, quando Patricia viajou para a Inglaterra e foi lançada a Campanha "Fica, Patrícia..." Só que era para ficar em Londres e não voltar ao Flamengo.



Em julho, a torcida sentiu alívio pela saída de Joel Santana. Dani Souto, no Primeiro Penta, nos dizia o que ela Esperava de Dorival Júnior o novo técnico:

"Quando o Joel Santana chegou ao Flamengo para o lugar do Luxemburgo, muito rubro negro já pensava no próximo técnico. Com a fama de motivador e arrumador de time, Joel Santana deixou o Flamengo como técnico ultrapassado e trapalhão. Embora tenhamos que agradecer aquela linda arrancada em 2007 que ele conseguiu ajeitar o time do Flamengo, as substituições em muitos jogos,  a insistência da escalação com volantes demais e em péssima fase, fizeram a cabeça dele rolar mais tarde do que muita gente queria.
O que eu espero do Dorival é coerência. Nada demais em se tratando de um técnico, mas nunca é demais pedir. Quero coerência para se escalar jogador em sua posição, coerência para botar em campo que está em melhor fase técnica e física e coerência na armação do time com os jogadores que temos, sem desrespeitar a tradição ofensiva do Flamengo: embora seja bom demais ser campeão, a tradição do Flamengo não é ser campeão na retranca. Flamengo é campeão jogando pra frente."
No mês seguinte, a "queimada" Patricia tentava jogar para a galera trazendo Adriano. O Imperador assinava mais uma vez como o Flamengo e André Amaral relatou assim no Ninho da Nação:

"Adriano voltou. Grande parte da torcida está em festa, eu prefiro não criar grandes expectativas. E nem é para não se decepcionar, mas sim porque os fatos indicam que não se devem esperar grandes coisas do Imperador.
Ele está há mais de dois anos sem saber o que é uma rotina de jogador profissional. Poderia ser pior: seu contrato vai até dezembro, seu salário será pago por produtividade, e como deve estrear daqui um mês, terá pela frente uns dois meses para jogar alguma coisa parecida com futebol."


Mas, enquanto o time de Dorival oscilava no campeonato, Adriano não estreava e jamais entraria em campo no Brasileirão, a campanha eleitoral, lançada por meio da primeira pré-candidatura, que foi a de Ronaldo Gomlevsky, já fervia nesta altura. Ali começava um movimento, ainda devagar, de blogs e pessoas influentes nas redes sociais chamando a atenção para que as mudanças começam pela política. Pré-candidatos começavam a aparecer. Um atrás do outro.


Com orgulho participei da cobertura Eleições 2012 pelo Magia Rubro-Negra e, de forma independente e isenta, procuramos mostrar todos os lados da batalha eleitoral, visando incentivar o torcedor comum a se envolver com a política rubro-negra, bem como fornecer informações importantes ao sócio e eleitor. O mesmo trabalho fez o Blog Ser Flamengo na série Eleição para Presidente. Entrevistas políticas também foram foco e diversos livecasts do onipresente André Tozzini, em sua famosíssima TozzaCam, ou da galera do FMAF (sigla cujo significado é impublicável).

Mas, a maioria dos blogueiros assumiu um lado nestas eleições, azulando-se. Comentários políticos cresceram exponencialmente pela blogsfera rubro-negra. Destaca-se as Pedrada Rubro-Negras do Henrin que foi implacável no combate aos males da administração (sic) Patricia Amorim.
"O Flamengo se encontra nesta encruzilhada. Por um lado uma Diretoria muito fraca, com sérios problemas em demonstrações contábeis e fiscais desde o início de sua gestão, em que deixou de pagar inclusive dívidas com ex-jogadores e inexplicavelmente pegou para si dívidas de terceiros como foi no caso da Traffic com Ronaldinho Gaúcho. E nem adianta falar do desastre do futebol. Patricia Amorim recebeu um time hexa-campeão e o transformou na quarta força do Rio de Janeiro à beira do rebaixamento. Em menos de 3 anos. Patricia Amorim é o mundo de ontem. Uma administração calcada no pseudo-amadorismo oportunista. Esta era já passou. Entramos na necessidade de uma nova forma de lidar e enxergar o Flamengo. "

Nos gramados, mesmo com todos os "esforços" da diretoria, o Flamengo escapava do rebaixamento. Vamos acompanhar a letra de Jefferson Freire no Saudações Rubro-Negras em seu antológico texto Patricia e o Rebaixamento Moral:
"Não há como negar o alívio do Rubro-Negro com o resultado.Alívio esse que em momento algum se confunde com orgulho. Sentimos orgulho de muitas coisas: de ser Flamengo, de termos a maior e melhor torcida, de termos uma sala de troféus cheia e de nunca termos visitado divisões inferiores. Mas não temos qualquer orgulho da campanha do Flamengo em 2012.
Diferentemente, a presidente do Flamengo anda falando aos quatro cantos o imenso orgulho que sente de não ter sido rebaixada esse ano. Fala com tanta felicidade e como se fosse um mérito que quase acreditei que ao Flamengo resta tão somente brigar para não cair. Se antes a briga era por títulos e o orgulho era ser campeão, nossa atual presidente tem rebaixado o clube, não de divisão, mas moralmente. O seu discurso de dever cumprido, é o oposto do que nós rubro-negros estamos acostumados a viver. Comemorar com tamanho orgulho a permanência na série A é assinar um atestado de desconhecimento da nossa história e das nossas reais pretensões no futebol."


Ainda coube ao Flamengo, o papel de rebaixar o Palmeiras neste campeonato. Está certo que, sem motivação, fizemos tudo para que não acontecesse ou como nos lembra Renata Graciano no Donas da Bola: Foi Sem Querer

"Desculpe Palmeiras, não foi nossa intenção. E digo isso com pureza na alma de quem assistiu ontem a tarde no Raulino, a um jogo de extremos. Sim, por que parecia que o Flamengo tinha ganhado o título! Enquanto o Palmeiras lutava com todas as forças pra tentar se segurar na série A, o Flamengo seguia totalmente desinteressado em campo. Nada me surpreendeu ontem; minto, talvez o empate com gol do Love, que é raro, mas a desmotivação, a falta de qualidade? Sempre estiveram lá e quem não viu isso, sugiro assistir ao campeonato de badminton.
Vimos um dos grandes do Brasil tombar pela segunda vez devido a sua péssima administração. Não tá fácil pra quem veste o Manto, imagina pra quem não veste…"

Todos os olhos rubro-negros, enfim, voltaram-se definitivamente para a política. A esperança saia dos campos para os cartolas e Eduardo Bandeira de Mello, para alegria da Nação, vencia a eleição presidencial e quem nos relembra é o Julio Benck no artigo Smurfs botam Gargamel para correr, escrito para o Tua Glória é Lutar, escrito no dia seguinte à vitória:

"A Cruzada Rubro Negra contra a incompetência teve ontem um capítulo decisivo. A partir de 3 de dezembro de 2012, as coisas na Gávea nunca mais serão as mesmas. Quem esteve na Gávea ontem constatou. Os Azuis eram minoria. Não tinha modelos deslumbrantes pagas para panfletar, nem gente remunerada para balançar bandeirola o dia inteiro. Não que isso seja errado, apenas é um modo cômodo demais e sem substância de se fazer divulgação.
Já a galera de azul teve inteligência, e teve amor ao Flamengo. Uma equipe de aguerridos voluntários, que deram 1000% para vencer. Um time que se multiplicou, e compensou a desvantagem numérica com muita raça. Cada envolvido no processo eleitoral tinha seus motivos para participar. Certamente os mais nobres e louváveis eram os nossos.
De todo modo, foi uma disputa linda, histórica e sem precedentes. Não houve nenhum tipo de agressão. A Chapa azul venceu na categoria, similar à que Zico colocava em campo a serviço do Mengo."

Vitória eleitoral louvada nas redes sociais e nos blogs em vermelho e preto. Eu mesmo destaquei Sete Personagens da Vitória Azul, onde vale relembrar a força da nossa torcida, quebrando mais um paradigma:
“Existia um dogma de que a eleição era decidida pelos sócios, sem qualquer influência da torcida do Flamengo. A vitória da Patrícia na última eleição e o discurso oficial espalhado pelas mídias tradicionais contribuíram para muita gente acreditar que um parquinho seria mais importante eleitoralmente do que o futebol. Só se esqueciam de que a imensa maioria dos sócios é formada por torcedores e quem é Flamengo não se volta jamais contra a força da massa. Pelo contrário, caminha junto! A fé e os gritos vindos da arquibancada já transformaram times aparentemente medianos, vestidos com o Manto Sagrado, em poderosos esquadrões, intimidando e acovardando adversários. A torcida do Flamengo quando se une e "fecha" com uma equipe, transforma homens comuns em verdadeiros heróis. E a torcida pediu "Fora Patrícia!". Esta eleição quebrou definitivamente o mito da separação entre sócios e não sócios! Somos todos Flamengo! Em campo ou no clube, mesmo sem jogar ou votar, a maior torcida do mundo provou mais uma vez que faz a diferença.”

Uma das principais personagens do lado de fora desta eleição, Vivi Mariano, narrou assim a Vitória da Família Rubro-negra, mostrando que A Dama Nunca Erra, onde apresentou a foto acima da família Bandeira de Mello:

"Aprendi uma lição básica, nas minhas aulas de dança, de que no salão a dama NUNCA erra. Ela é mal conduzida. Saindo dos bailes da vida, para os da história da política rubro-negra, concluo o mesmo da gestão - ainda não terminada (acaba logo 2012!) da atual presidenta Patrícia Amorim. Ela "não" errou, foi mal conduzida pelo marido, pelas facções das torcidas-organizadas, pelos dirigentes incompetentes, pelo desejo incontrolável de poder político dentro e fora do Clube de Regatas do Flamengo. Foi mal conduzida por aqueles que quiseram, a todo custo, tirar proveito próprio do Amor, da Raça e da Paixão. Nas aulas de dança sou, por vezes, acusada de ser uma dama rebelde, por querer conduzir o cavalheiro. Patrícia Amorim poderia ter sido uma dama rebelde também. Mas, não foi. Deixou-se (mal) conduzir. Por pura incompetência.
Numa das minhas idas à Gávea durante os dias que antecederam a eleição, conheci parte dos "Bandeiras de Mello". E meu coração rubro-negro disparou: ELES SÃO SANGUE AZUL, ou melhor, esqueçamos o azul agora, eles são puro sangue rubro-negro.
O natal ainda não chegou, porém, um novo tempo se anuncia. Assim como Menino Jesus que REnasce no coração de todos nós, o "outro messias", e vocês sabem bem de quem estou falando, também está renascendo dentro da Gávea. Aleluia! E neste novo tempo, apesar dos castigos, estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos. O parquinho da Gávea está colorido, limpo, pintadinho, imponente. Que fique lá intacto, tombado pelo patrimônio histórico rubro-negro, para que olhando para ele Eduardo Bandeira de Mello e sua equipe, possam almejar sonhos MUITO maiores do que aquilo. E que saibam, que a partir de agora, eu, e tantos outros rubro-negros seremos IMPLACÁVEIS no acompanhamento do projeto apresentado e proposto durante a campanha da chapa vencedora. Pois, neste novo tempo, apesar dos castigos que sofremos nos últimos três anos, agora estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas."

No entanto, toda grande expectativa traz consigo o risco de um excesso de cobrança, como nos lembra o Bruno Cazonatti  no FlamengoNet em seu Expectativa em Demasia é o Atalho para a Frustração

"♫ ♪ Como será amanhã? Responda quem puder… ♫ ♪ Pois é, e se o hoje é o amanhã de ontem, vale ressaltar que uma página em branco é o suficiente para que o Flamengo escreva novas histórias de glórias e deixe pra trás, no capítulo passado, as mazelas de mais um ano medíocre desta “gestão” pífia. No próximo dia 31, acaba o tempo daqueles que achavam que administrar o clube era como brincar de Banco Imobiliário. Agora teremos profissionais de verdade, gente gabaritada e que sabe que terá muito trabalho pela frente.
além de ter que reerguer o clube e consertar as cag#das e rombo$ das administrações passadas, a nova gestão Bandeira de Mello terá que administrar o imediatismo de uma Nação repleta de expectativas. E todos nós sabemos que a maioria da torcida não sabe o significado de “médio/longo prazo”. Se já num Carioquinha o time não tiver contratado jogadores “diferenciados” ou deixar de abocanhar o caneco regional, haverá paciência? Se não, a quem se deve apupar?"
Enfim, neste clima de euforia, de esperança renovada, 2012 vai chegando ao seu final, assim como esta longa retrospectiva, nos traços geniais do André Costa com seu Mulambo & Malandro:


Pois é depois da tempestade, aguardamos ansiosos pelos tempos de bonança, mas é preciso paciência, pois antes de navegar em mares calmos, será preciso trabalhar firme para ajustar as velas rasgadas pelo período revolto, que espero ter ficado para trás.


Feliz 2013 a todos. Que o próximo ano volte a ser escrito em vermelho e preto.

 FLAmém!