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segunda-feira, 21 de maio de 2012

O BALANÇO DO FLAMENGO PARA LEIGOS (Aula 2)

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!
 
   
O Professor Pacioli* começa sua segunda aula sobre análise das demonstrações contábeis do Flamengo no Curso de Contabilidade para Leigos, dizendo:
- Olá, pessoal!  Em nossa primeira aula, nós vimos os principais pontos das demonstrações contábeis do Flamengo. Confesso que eu mesmo fiquei favoravelmente surpreendido. Claro que se fosse de uma S/A, eu não recomendaria a compra de ações, mas os números indicam que a situação melhorou. Não diria que ela é boa, mas já foi bem pior.
   
Ressalvas dos Auditores
O professor deu um tempo para que todos se acomodassem nos respectivos assentos e refletissem um pouco sobre o que acabara de dizer. Após a pequena pausa, continuou:
- Hoje iremos ver alguns pontos obscuros e alguns problemas que aparecem nas demonstrações do Clube. É obrigatório que sejam divulgadas junto com um parecer feito por uma empresa de auditoria independente. Como não temos acesso aos documentos que deram origem aos números apresentados, em qualquer análise temos sempre que ler o que disseram os auditores.
    
   
Pacioli, então, mostra um slide, no qual aparece a parte final das demonstrações contábeis e lá está o "Relatório dos Auditores Independentes Sobre as Demonstrações Financeiras". Ele diz:
- Vamos entender o que os auditores disseram. Logo no início, no item 3.1, lemos que "a circularização dos fornecedores, dos bancos, dos empréstimos bancários e dos principais credores não foi respondida a tempo". O mesmo ele fala sobre os advogados do clube em relação aos processos judiciais. Mas, o que será essa tal de "circularização" e qual o problema disso?
 
Enquanto os alunos refletem e tentam imaginar o significado dessa ressalva, o professor continua sua explanação:
- Circularização é uma das principais técnicas de auditoria utilizada para investigação e confirmação dos dados apresentados. Consiste em revalidar junto a terceiros envolvidos a veracidade dos documentos, os valores apresentados e as estimativas feitas. Assim, o auditor determina que a auditada (o Flamengo, no caso) envie uma carta (ou email) para terceiros solicitando informações para efeitos de auditoria. Esta carta deve ser respondida diretamente à empresa de auditoria, para diminuir o risco de fraudes.
 
Um aluno levanta a mão e pergunta:
- Professor, então podemos dizer que há uma falha da empresa de auditoria por não ter solicitado as cartas em tempo hábil? 
 
- Não - responde o professor - O tempo provavelmente foi suficiente para que houvesse alguma resposta. O problema é que, por algum motivo, os terceiros não responderam. Em outras palavras, não é possível confirmar se alguns dos principais números do Balanço são reais. Assim, os bancos, por exemplo, não confirmaram os saldos devedores dos empréstimos ou se haveria alguma outra conta não analisada, os fornecedores não ratificaram os saldos existentes no contas a pagar, bem como os advogados do clube não corroboraram os passivos judiciais, que sabemos serem críticos no Flamengo. Isto é inaceitável. Há quem defenda que a falta de confirmação de saldos nas circularizações deveria ser objeto de um parecer com "abstenção de opinião" (quando o trabalho de auditoria não pode ser realizado) e não com "aprovação com ressalvas" (impropriedades que não comprometem as demonstrações). O pior é que no balanço de 2010 ocorreu a mesma coisa.
   
     
Após ver a cara de espanto em alguns alunos e de estranha naturalidade em outros, o professor falou à plateia:
- Também vale o destaque das quartas e quintas ressalvas. No primeiro caso, é informado que o clube ignorou nos números apresentados uma multa de aproximadamente R$ 33 MM aplicada pelo Banco Central, decorrente de infrações cambiais, por ter recorrido da decisão. Como não há garantia da vitória no recurso administrativo feito pelo Flamengo, o valor deveria sim ter sido contabilizado pois é recomendado que as demonstrações sejam conservadoras, nunca antecipando lucros e sempre prevendo possíveis prejuízos. No outro caso, os auditores informaram que não têm como confirmar a provisão R$ 8 MM feitas para as perdas. Ou seja, o clube previu uma inadimplência no valor acima e a auditoria não conseguiu confirmar se a mesma poderia ser maior.
    
Receita da TV e antecipações
- Outra coisa interessante a observar é o crescimento da receita de TV já no Balanço de 2011. Como vimos, o novo contrato de transmissão foi o principal responsável pela melhora dos indicadores. Mas, o contrato não seria válido somente a partir de 2012? Como a receita em 2011 pode ter aumentado?
    
Alguns alunos responderam que a mesma só poderia ter sido adiantada. Então, o mestre pega um slide e diz:
   
   
- Vocês se lembram na aula anterior quando expliquei o regime de competência? Assim, uma receita só poderá ser lançada como resultado no exercício a que se referir. Ou seja, mesmo que haja antecipação, o valor aumenta o caixa, mas não é considerado receita ainda. Logo mais veremos como se faz tal lançamento. O que importa aqui é que não foi apenas o Flamengo que já aumentou a receita no ano da assinatura do contrato (e não a partir de sua vigência). Por isto, minha suposição é de que tenha ocorrido alguma luva para que alguns clubes (não todos) assinassem. A do Flamengo deve ter sido próxima a R$ 50MM, como podem observar no quadro (figura acima).
    
 
- O problema é  que algo relevante assim deveria ter sido melhor explicado. Do contrário, cada um supõe alguma coisa. O lugar correto é nas notas explicativas. Como o próprio nome revela, servem para explicar alguns números. Elas ficam logo abaixo dos demonstrativos e acima do parecer de auditoria, já visto.
   
- Mas, já que alguns aqui presentes tocaram no assunto da antecipação, ela realmente existiu. Como só será receita no futuro e, antecipadamente, entrou no caixa, os manuais de contabilidade recomendam que a contra-partida seja uma conta do passivo. No Balanço do Flamengo, podemos ver as contas Receitas a Realizar no circulante (ou seja, o que foi antecipado de 2012) e Receitas Diferidas (que só irá se tornar receita nos anos subsequentes, pois estão no Exigível a Longo Prazo).

- Agora, algo estranho é a comparação das receitas antecipadas com o contas a receber. E aí eu não consigo nem fazer suposições, exceto a de que o próximo presidente poderá ter problemas de fluxo de caixa.
Conclusão
Um aluno, então, pergunta:
- E qual foi afinal sua conclusão, professor?
 
- Só a de que os demonstrativos do Flamengo são complexos demais para qualquer um fazer um diagnóstico preciso, qualquer que seja este diagnóstico. Mas, foi um bom exercício. Se algum de vocês quiser volto ao tema desenvolvendo mais algum conceito. Comentem aí!.
 FLAmém!


* Pacioli - escolhido para ser o nome do professor é uma homenagem a Luca Pacioli, um frei franciscano que é considerado o pai da contabilidade moderna. Ele, em um livro escrito em 1494 (ou seja, quando o Brasil ainda era dos índios), descreveu pela primeira vez o "método das partidas dobradas", que é a base dos lançamentos contábeis até hoje, segundo o qual todo débito corresponde a um crédito de mesmo valor. A consequência disto é que o total de débitos será sempre igual ao total de créditos e o ativo será igual ao passivo, mas aí já é um post para um blog contábil, certo?


domingo, 6 de maio de 2012

O BALANÇO DO FLAMENGO PARA LEIGOS (Aula 1)

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


O curso era de contabilidade para leigos. Ao final, o Prof. Pacioli* informou que na próxima aula ele falaria sobre demonstrações contábeis e perguntou à turma qual empresa gostaria de analisar. A resposta da maioria foi que gostariam que ele utilizasse como exemplo o recém divulgado Balanço do Flamengo. Após breve hesitação, o professor topou dizendo:
- Não é uma boa escolha. As demonstrações de clubes não são, digamos, as mais acadêmicas. São difíceis de serem analisadas. O ideal seria utilizarmos alguma grande empresa, uma sociedade anônima, de preferência multinacional. Mas, tudo bem! Vou mostrar as particularidades e excentricidades de um balanço como o do Flamengo. É um baita desafio, mas eu topo! Numa outra aula qualquer mostro um balanço mais convencional, digamos assim, e vocês poderão notar as diferenças. Vamos começar por onde vocês têm mais curiosidade.

Receita

Dito e feito! A aula seguinte, sobre as demonstrações contábeis teve o Flamengo como objeto do estudo de caso. O professor começou perguntando aos alunos qual seria o item mais importante no orçamento doméstico, ou seja, na contabilidade da família de cada um qual seria aquele ponto que todos se interessariam em saber primeiro:
- Salário...Quanto ele ganha...Rendimento... Remuneração... e outras variações foram as respostas e tiveram um consentimento do professor.

- Perfeito, mas antes de falarmos do Flamengo, é importante que vocês aprendam uma regrinha contábil. Na contabilidade não se adota o regime de caixa, mas o de competência. Ou seja, consideramos as receitas no momento que são geradas, independente de terem sido recebidas. Para exemplificar, vamos imaginar a contabilidade de um assalariado, cujo salário seja pago no dia 5 do mês seguinte. Assim iremos considerar como receita o seu salário de dezembro, mesmo que ele só venha a receber em janeiro. Se o patrão dele ficou devendo uma parte de um salário, a contabilização da receita será pelo valor integral, mesmo que nosso pobre empregado não tenha visto a cor dessa grana. Por outro lado, se o empregador lhe antecipou um dinheiro das férias que só teria direito no próximo ano, esse valor não será computado na receita  Isto é importante para entender que nem tudo que aparece lançado como receita efetivamente entrou no cofre de uma empresa e que as antecipações, mesmo já tendo sido até gastas, não são consideradas receitas daquele exercício. O mesmo vale para as despesas e demais lançamentos.


Professor Pacioli continua a aula demonstrando a grande variação positiva da receita no DRE (Demonstração do Resultado do Exercício):
- Como vocês mesmo disseram, tudo fica mais fácil tendo mais dinheiro. No caso específico do futebol, com um faturamento maior pode-se ter um time mais competitivo. Então, por este item analisado isoladamente, o Flamengo foi muito bem. Observem o crescimento da receita de um ano para outro. Aliás, comparar os dois últimos anos é a primeira análise que é feita nos demonstrativos. O segredo para este sucesso foi o novo contrato de Direitos de Transmissão com a Tv. No entanto, de nada adianta olharmos números isolados. Precisamos entender sobre o setor e como todos sabem, no ano passado, o clube dos 13 foi implodido e o Flamengo negociou sozinho e em bases muito melhores. Nesta negociação, podemos confirmar com os números que a diretoria do clube foi bem sucedida.


- Ao analisamos algum tópico, o ideal é sempre fazermos comparações. Números precisam ser relativizados. Já falei na tradicional comparação entre os dois anos que obrigatoriamente são apresentados em qualquer demonstrativo contábil - o ano analisado com o imediatamente anterior. Mas, várias outras podem ser feitas, algumas são padrões, outras de acordo com a conveniência e objeto de estudo. Por exemplo, podemos comparar duas gestões. Como a atual diretoria está no poder há dois anos, vamos comparar o período com os dois primeiros anos da antiga administração. No slide, temos uma noção ainda maior de como os contratos de TV ganharam importância. Agora, observem a venda de jogadores e vejam que o que era um importante fator de renda para o Flamengo tornou-se praticamente irrelevante. O clube não depende mais da venda de jogadores. O próprio marketing que 10 entre 10 torcedores criticam e, em minha opinião, com toda razão hoje gera muito mais receita. Nos dois anos da gestão atual a receita foi superior a R$ 88milhões, contra R$ 53milhões em toda gestão anterior (3 anos). Se observarmos os balanços dos demais clubes veremos que o negócio futebol cresceu muito, daí a explicação! O grande mérito da atual administração do Flamengo foi ter se livrado da negociação conjunta dos direitos de tv e negociado o contrato individualmente. Do resto, foi beneficiada pelo mercado favorável.


Após uma pausa continuou: 
- Um outro item que chama a atenção é a arrecadação nas bilheterias. 2011 o Flamengo teve a menor receita com venda de ingressos dos últimos 5 anos. O clube arrecadou R$ 3milhões a menos do que o trágico ano de 2010. Ou seja, as campanhas feitas no final do ano passado para  levar a torcida ao estádio parecem que tinham todo sentido.

Despesa
- As receitas precisam ser analisadas em conjunto com as despesas. No caso de um clube endividado, este ponto é ainda mais crítico. O clube precisa gerar bom superavit primário, ou seja, tem que obter uma receita bem superior às despesas para poder quitar os juros. No caso do Flamengo, o crescimento das despesas de 2010 para 2011 (26%) ocorreu em um ritmo menor do que as receitas (43%). No entanto...


- Enquanto a receita bruta com o futebol cresceu praticamente 50%, as despesas subiram 57%. Ou seja, mesmo com um contrato bastante vantajoso na TV, o Flamengo não aproveitou para gerar dinheiro, conseguiu aumentar ainda mais os gastos e a rubrica de despesas gerais foi a que mais cresceu. Sabe-se que  houve investimentos no centro de treinamento. Espero que o grande aumento seja originado de investimentos. ** Espero que o grande aumento tenha sido gerado pelas instalações provisórias no CT (ex: aluguel de equipamentos) e outras derivadas e de caráter temporário.

O professor deu um tempo para os alunos assimilarem o que havia dito e apontou para os gastos com o social e com os esportes amadores.
- Olhem que a parte social e os esportes amadores dão prejuízo. Portanto, o futebol continua bancando o restante do clube, porém muito menos do que em 2010. Se compararmos com o ano anterior, quando o presidente era outro, podemos imaginar o que ocorreu em 2010 foi pontual pela falta de investimento na sede e nos esportes olímpicos durante bastante tempo, uma vez que os valores de 2011 voltaram aos níveis anteriores e em um patamar mais alto, o que é um indicativo de investimento, principalmente pelo recuo das despesas gerais. Para termos uma maior certeza, só aguardando o balanço de 2012.

Patrimônio Líquido


- No Balanço patrimonial de um lado temos os direitos e os bens da empresa, que chamamos de ativos. No outro, as obrigações, que são os recursos de terceiros e que, em contabilidade, chamam-se Passivos, além do Capital Próprio ou Patrimônio Líquido. Até 2010, o Flamengo tinha o que se chama de passivo a descoberto. Ou seja, nem se desfazendo de todo patrimônio e de tudo que o clube teria a receber tornava-se possível pagar todos os compromissos assumidos. Em 2011 isto se reverteu. O Flamengo finalmente voltou a ter um patrimônio líquido positivo.



- O segredo para que isto tenha ocorrido está aqui, na reavaliação imobiliária. Não se costuma fazer uso de expedientes deste tipo, mas no caso do Flamengo os investimentos feitos no CT e na sede social podem justificá-los. No entanto, houve um benefício com uma situação de crescimento exponencial nos valores dos imóveis na cidade. Haverá problema se este fato for uma bolha e estourar. Caso contrário, não vejo maiores problemas, exceto pela dúvida se a avaliação levou em conta características legais, como o de que a sede do clube está em um terreno federal e a venda não seria tão simples assim. Vale a ressalva de que o Flamengo precisará, desde então, fazer a reavaliação de forma periódica.

Endividamento
- Em um clube como o Flamengo, que sabidamente é endividado, quando se divulga o balanço, as primeiras manchetes são sempre sobre o valor da dívida. Isto sempre causa um temor na maioria das pessoas, porque em nossa vida pessoal só costumamos recorrer a empréstimos quando estamos no sufoco e aí pegamos aqueles juros absurdos dos cheques especiais e do cartão de crédito. No entanto, o endividamento é comum no dia a dia das empresas. Quanto maior a empresa, mais acesso a condições especiais de financiamento ela terá. Assim, é possível ter juros inferiores a rentabilidade do próprio negócio. Ou seja, muitas vezes é preferível pegar um financiamento (aqueles de longo prazo, para investir em projetos e ativos permanentes) do que colocar dinheiro próprio no negócio. Assim, o valor do endividamento sozinho, como as manchetes adoram explorar, não diz muita coisa.



- Observem que embora o endividamento do Flamengo tenha crescido, ele é proporcionalmente menor em relação ao faturamento, o que é uma boa notícia. A situação já esteve bem pior do que hoje.


- Outra comparação bastante válida quando falamos em dívida é observar o crescimento relativo a algum indicador. No exemplo, uso a comparação com a taxa de juros básica da economia. Se considerarmos que o Flamengo é um clube altamente endividado, é bastante provável que os juros dos empréstimos do clube sejam obtidos a uma taxa bem superior à Selic. O quadro demonstra que embora a dívida seja crescente, ela tem tido uma aceleração menor do que a Selic, o que representa outro dado positivo.


- No entanto, nem tudo são flores. Ops! Flores? Desculpem-me, mas aí já seria sobre o balanço de outro clube (risos escutados na sala). Vamos voltar o Flamengo... A receita no ano passado cresceu muito acima da taxa Selic, algo bastante incomum para o Flamengo e que não deverá voltar a ocorrer tão cedo. Isto significa que o clube perdeu uma excelente oportunidade de reduzir o endividamento.

Próxima Aula
Ao escutar o sinal, indicando o final da aula, o professor disse:
- Bem, pessoal. Devido ao limite de tempo, continuarei o assunto na próxima aula, quando falarei especificamente sobre os pontos obscuros, as anormalidades e os problemas que aparecem nas demonstrações contábeis do Flamengo. Analisem o que conversamos até aqui e enviem seus comentários. Ficarei no aguardo!

 FLAmém!

* Pacioli - escolhido para ser o nome do professor é uma homenagem a Luca Pacioli, um frei franciscano que é considerado o pai da contabilidade moderna, que, em um livro escrito em 1494 (ou seja, quando o Brasil ainda era dos índios), descreveu pela primeira vez o "método das partidas dobradas", que é a base dos lançamentos contábeis até hoje, segundo o qual todo débito corresponde a um crédito de mesmo valor. A consequência disto é que o total de débitos será sempre igual ao total de créditos e o ativo será igual ao passivo, mas aí já é um post para um blog contábil, certo?

** Não costumo alterar um texto depois de publicá-lo. no entanto, desta vez, fui obrigado porque o trecho anterior (que mantive riscado) levava a uma confusão conceitual. Aproveito para explicá-la. Investimentos não são contabilizados como despesas (não transitam pelo resultado - DRE), mas lançados diretamente em uma conta no ativo permanente (aumenta-se o valor do bem). No entanto, o CT foi utilizado provisoriamente e alguns gastos temporários são contabilizados como despesas. É a estes que pretendia me referir. Agradeço a preciosa colaboração do leitor Diego Milward (@dmilward).

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

RESOLUÇÕES DE ANO NOVO NAQUELE GIGANTE EMPRESARIAL

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!




Patrícia foi conduzia ao comando da Mengo Participações. Alguns clientes não entenderam, pois ela assumidamente nada entendia do carro-chefe dos negócios. Já os analistas criticavam suas habilidades em gestão.  Embora fosse um grupo empresarial de grande porte, algumas famílias relutavam em oxigená-lo com a entrada de novos sócios. A briga pelo poder era contínua e mudanças normalmente não eram bem-vindas por ali. Assim, enquanto brigavam pelo controle, os herdeiros optaram por deixar a presidência nas mãos dela, por sua aparente neutralidade e habilidade política.

Já no final do segundo ano de sua administração, a presidente se mostrava desesperada em como conseguiria se manter no cargo. Até que os resultados deste ano mostravam nítida evolução em relação ao anterior, mas estava abaixo da expectativa tanto dos clientes quanto dos conselheiros.

Realmente, ela já não sabia o que fazer. O departamento de marketing era uma piada. Ela realmente não entendia daquilo, mas tinha a impressão de que eles ficavam sentados esperando que algum intermediário de boa vontade e de olho no tamanho do grupo e de seus clientes e fornecedores e, portanto, da gorda comissão trouxesse algum negócio novo. Devia haver uma forma diferente de fazer isto, ela pensava sem ter qualquer solução.

O diretor de produção se escondia atrás de uma tela de computador e procurava gerir a fábrica de dentro do gabinete, por email. Enquanto isto, o gerente, subordinado a ele, batia boca publicamente com o diretor financeiro. O motivo? O processo de seleção de novos recursos humanos. Inacreditável! Era preciso dar um basta! Era preciso ter comando. Mas, sempre que a presidente chegava a tão óbvia conclusão,  ela se lembrava que quem teria que ser firme era ela e deixava para lá. Quem sabe as coisas não se resolvessem sozinhas, não é mesmo?

Mas, embora normalmente omisso, o Diretor de Produção parecia ter boas intenções e cansado de intervenções de outros setores na produção, queria separar o parque fabril numa empresa à parte, com jurídico, marketing e financeiro próprios. Assim teria agilidade suficiente para tocar o negócio e atingir as metas estipuladas. No entanto, esta medida esvaziava o poder de muita gente e era duramente combatida. "Fogo amigo" era disparado por todo lado. Assim, a empresa iria naufragar.

O principal articulador da escolha dela para presidência fora nomeado seu vice. Tudo indicava se tratar de uma manobra política dele tentar o poder, de forma indireta, aproveitando-se da inexperiência da escolhida. Mas, até então, surpreendentemente, ela não tinha cedido aos seus encantos. Não era tão ingênua assim. Porém, o vasco-presidente, que era muito mal visto pelo mercado, mas se auto-intitulava como um super-herói, não desistia e aproveitando-se da eterna disputa de poder lá dentro parecia que finalmente iria ganhar espaço emplacando alguns indicados, todos ligados a desastrosas gestões passadas.

Sem saber o que fazer e diante da proximidade do final do ano, ela resolveu tomar uma atitude drástica e consultou seu marido, que trabalhava para um concorrente local. Ele lhe indicou um livro de auto-ajuda. Contando, ninguém acreditaria como as coisas por ali eram decididas. Patrícia folheou a obra e encontrou algumas preciosas pérolas de sabedoria: 

"Nenhum ano será realmente novo se continuarmos a cometer os mesmos erros dos anos velhos." 
"Nós abriremos o livro. Suas páginas estão em branco. Nós vamos pôr palavras nele. O livro chama-se Oportunidade e seu primeiro capítulo é o Dia de ano novo."
"Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."
Pronto! Ali estava a oportunidade naquele novo ano que iria começar. Era preciso  corrigir os rumos, evitar os excessos de vaidade, pensar mais na instituição do que nos objetivo individuais e ter, acima de tudo, bom-senso para não repetir velhos erros a fim de escrever uma nova história para, assim, acordar o gigante adormecido e reconduzi-lo ao topo.




Feliz 2012 a todos os amigos e leitores!

Que seja um ano repleto de FLAlegrias!

FLAmém!

PS: Trata-se de uma obra de ficção, baseada na caricatura de personagens conhecidos, na forma como são apresentados pela mídia. Não tendo, portanto, qualquer compromisso com a realidade.

PS2: Escrito para o Magia rubro-negra

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

OS TENTÁCULOS DO BMG E A MULHER DE CÉSAR

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


Com a tabela do Brasileirão agendando para a última rodada os clássicos regionais, parecia que, neste ano,  não teríamos as suspeitas de "entrega" de jogos decisivos, até que....o Cruzeiro meteu 6 no Atlético e escapou do rebaixamento. O inesperado resultado logo levantou desconfianças de um suposto favorecimento, ao qual confesso que não prestei muita atenção inicialmente. Influências de políticos ou do patrocinador comum não me pareciam mais do que tradicionais teorias da conspiração. O assunto chegou a ser levantado até mesmo antes do jogo, como pode ser lido nesta postagem de 2/dezembro no blog De Salto Alto.

No entanto, nesta semana, ao ler sobre o suposto interesse do Flamengo pelo Montillo, um fato me chamou a atenção: o BMG estaria participando ativamente da negociação. Pelo que foi publicado, o banco estaria influênciando na escolha do comprador e no preço do jogador. Como assim? Curioso, fui, então, pesquisar no Google.

As notícias que encontrei me deixaram com "a pulga atrás da orelha". O Banco possui um fundo de investimento chamado Soccer BR1 composto pelos direitos econômicos, dependendo da fonte da notícia, de 50 ou 60 jogadores de times brasileiros. O nome dos jogadores que compõem a carteira não é revelada publicamente, mas uma matéria da Época Negócios, intitulada "O Dono do Futebol",  lista alguns: Réver (Atlético-MG), Dedé (Vasco), Danilo (Santos), Paulinho, Ralf, Willian e Leandro Castán (Corinthians), Montillo (Cruzeiro) e Herrera (Botafogo).

Segundo uma matéria do portal iG, republicada na FutWeb, intitulada "BMG se torna investidor mais influente nos clubes brasileiros", "duas características explicam o crescimento rápido da BMG entre os clubes do Brasil. A primeira, e talvez mais importante, é a facilidade que o banco oferece nos empréstimos aos times. Os clubes obtêm dinheiro vivo para conseguir arcar com as suas despesas e dão como garantia a participação nos direitos econômicos de alguns jogadores. Como na maioria das vezes os clubes não conseguem pagar os empréstimos, o banco acaba ficando com a fatia dos atletas e, mais importante, com a possibilidade de lucrar com a venda futura deles."

Basta olhar o balanço patrimonial dos principais clubes brasileiros para verificar que o banco mineiro é um dos principais credores. Como não se sabe ao certo quais jogadores fazem parte do portfólio do fundo, é possível que os "tentáculos" desse "polvo" estejam tão espalhados pelos grandes times brasileiros quanto a sua marca é estampada pelas mais diversas camisas. O que significa que o BMG pode ser sócio em ativos de muitos clubes. Não poderia haver aí um conflito de interesse? A reportagem acima fala da aquisição de direitos sobre jogadores por causa de suposta inadimplência. Assim, não daria para supor que uma ameaça de corte de crédito represente uma forte influência nas decisões administrativas de tantos endividados? Até que ponto este suposto poder está sendo utilizado?

Voltando ao clássico mineiro, poderíamos imaginar que para o Soccer BR1 seria desvantajoso o rebaixamento do Cruzeiro, pois poderia provocar uma liquidação de jogadores, com consequente desvalorização das cotas do fundo. Além disto, o presidente do BMG, Ricardo Guimarães, é ex-presidente atleticano e deve ter alguma influência na política interna do clube. Para misturar ainda mais as coisas, Eduardo Maluf, diretor de futebol do alvi-negro mineiro, é consultor do fundo, conforme notícia do Super Esportes.

Não estou afirmando que tenha ocorrido o favorecimento da vitória da raposa por parte do galo. Não tenho qualquer prova disto. Mas, é a história da mulher de César: não basta ser honesta, é preciso parecer. É a credibilidade do futebol que está em pauta. É a paixão de milhões de brasileiros e um alto volume de dinheiro que estão em jogo.

E o Flamengo com isso? Bem, no balanço de 2009, o BMG aparecia como credor de R$ 740 mil e, em 2010, a dívida saltou para aproximadamente R$ 8,5 milhões! E aí ficam as dúvidas: há algum jogador do Flamengo na carteira do Soccer BR1? Quais seriam? Costumam ser mais escalados do que outros? Estão em listas de possíveis negociações? Para bem da verdade, não encontrei em nenhuma das fontes pesquisadas qualquer indício de que o BMG tenha influência em nosso time. Mas, a tese serve para qualquer um e, se não existe hoje, qual a garantia de que no futuro, com outra diretoria, por exemplo, isto não venha a ocorrer?

Enfim, até para que suspeitas não sejam levantadas é preciso haver mais transparência. Os clubes não deveriam ser obrigados a revelar seus sócios no seu principal ativo, que são os direitos sobre os jogadores? É ético que um patrocinador tenha interesse econômico no clube patrocinado? E em clubes rivais, não é perigoso para a reputação do negócio?

O objetivo deste artigo é levar a reflexão da necessidade de mudanças na legislação e na criação de mecanismos de controles para que o que hoje são meras indagações não possam num futuro próximo manchar a reputação de uma competição.

Reflita e opine! Se concordar, divulgue! Se discordar, comente o porquê. Vamos ao debate.

FLAmém!

PS: Publicado no Saudações rubro-negras.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Almoço de Negócios

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Reunidos para almoço no Clube Americano, grupo de empresários e executivos de vários setores, após conversarem sobre o mundo político e financeiro, resolveram descontrair batendo um papo sobre futebol e, como não poderia ser diferente, um deles logo puxou o assunto do momento:
- E o Ronaldinho Gaúcho no Flamengo? O que acharam?

Um empolgado executivo rubro-negro logo emendou:
- Fantástico! Extraordinário! Início de um novo tempo. Uma mudança de paradigma para o futebol brasileiro!

Um consultor, no entanto, resolveu alertar:
- Agora, tudo é festa, mas se ele não jogar bem, a alegria irá se transformar em decepção e o amor, em ódio. Já pensaram nisto? O que acarretará perda de dinheiro para os investidores. Que, por isto, evitarão novas aventuras como esta. Aí todos verão que se tratava de mais uma bolha especulativa, pois o Brasil não permite retorno sobre cifras tão elevadas e, então, os patamares voltarão ao nível atual.

- Só podia ser um botafoguense para falar deste modo. Já começa pensando no pior. A questão é curtir o momento. É ver o que pode dar certo e não ficar pensando nos erros - voltou a falar o empolgado executivo rubro-negro.

- Pois é, a torcida do arco-íris se guia pela lei de Murphy, "Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará". Porém, "ser flamengo é ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram", como escreveu Arthur da Távola - falou o diretor de RH de uma grande multinacional. 

Foi então a vez de um executivo do mercado financeiro dar sua opinião:
- Risco faz parte do negócio. Se ficar com medo do que poderá dar errado, ninguém fará nada. Aí entra o Flamengo, com toda sua desorganização, e, constantemente, mostra ao mundo que sonhar é possível! Mas, analisem o risco da contratação. Se for verdade o que a imprensa está divulgando, o Flamengo mantém os patamares do ano passado, além de receber um dízimo sobre os novos negócios gerados pela marca Ronaldinho e, para isto, desembolsará apenas R$ 200mil por mês. Ou seja, o benefício tende a superar bastante o risco. Sem contar nos ftores não financeiros, como a alegria que terá o torcedor em ter um ídolo como ele em campo. Ótimo negócio, não tenho dúvida alguma!

O garçom, claro que vascaíno, por já ter certa intimidade com o grupo, ao ouvir esta última frase, resolve meter sua colher...
- "Apenas" duzentas milhas por mês. Será que ninguém tem uma vaguinha na empresa lá para mim não? Cobro bem menos do que estes "baixos" valores...

Após risos, alguém explicou que tudo era questão de referencial. O Flamengo gastou mais do que isto com Dênis Marques, por exemplo. Aí... com esta comparação, não teve um quem achasse alto a parte do clube no investimento com Ronaldinho.

Foi, então, a vez de um especialista em marketing dar sua opinião:
- A marca Flamengo é incrível. Ano passado, quando parecia que finalmente iríamos começar a explorá-la minimamente, a diretoria interrompeu os poucos projetos que estavam em andamento na gestão anterior, não trouxe nada novo, demonstrando total falta de planejamento e, ainda, se deu ao luxo de fazer uma besteira atrás da outra. Verdaeiro e absurdo desperdício. Mesmo assim, já estamos nós de novo aqui falando sobre o potencial da marca. As imagens da festa do Ronaldinho irão rodar o mundo. É hora de gerar dividendos. Por enquanto, só oba-oba. Mas, tenho esperanças! Desta vez, vai.... Não é possível deixarem o bonde passar sozinho novamente.

O consultor botafoguense voltou a falar:
- A sorte nossa é que vocês ficam sempre na festa e, constantemente, perdem o timing. Com o potencial que tem o Flamengo, se a diretoria de vocês não fizesse tantas besteiras, só daria Flamengo. Já vi esta festa antes com o "melhor ataque do mundo".Como dizem, o que vem fácil, sai fácil. O Flamengo parece o Brasil. Um tremendo potencial desperdiçado. É a nossa sorte! Assim, Papai Joel continuará Rei do Rio!

- Acho que vocês deviam se preocupar com o Somália. As coisas estão voltando ao normal. O Flamengo trazendo craques e o Botafogo envolvido com a polícia. Um ano atípico como 2010 só acontece de 20 em 20 anos. - Voltou a falar o empolgado executivo rubro-negro. E continuou....

- Eu sinceramente estou empolgado com esta contratação do Flamengo. Acredito que todo o futebol brasileiro possa ganhar. Já mostramos que, quando há interesse, podemos competir com a Europa. Sei que muitos vão falar, que apenas em relação a jogadores em decadência. Mas, Romário veio no auge. E agora Ronaldinho vem para receber salários em torno de fabulosos R$ 1milhão por mês. É impressionante! Tenho esperanças de que com um pouco mais de organização poderíamos segurar nossos principais craques por aqui.

Foi a vez de um especialista em agrobusiness dar seu pitaco na prosa:
- O problema é que aqui só se pensa em ganhar a curto prazo. Eu prefiro criar gado para dar leite. Mas, o retorno é demorado, embora constante. Em negócios emergentes, como é o nosso futebol, que ainda tem muito potencial de crescimento, normalmente se pensa em retorno imediato. Aí, utilizando minha metáfora, preferem vender logo a carne dos bezerros a ficarem esperando pelo leite. O ganho é rápido, mas muito pouco em relação ao potencial do mercado. Por isto, a tendênci é que este amadureça e o pensamento mude. Mas, leva tempo.

O especialista em mercado financeiro voltou a falar:
- Sonho em ver o Flamengo com ações em bolsa. Aliás, a Bolsa do Rio poderia voltar a ser ativa, concentrando o mercado de clubes de futebol. Uma espécie de NASDAQ (Nota: a bolsa eletrônica norte-americana), só que voltada para o futebol. Aí, sim, nosso futebol mudaria de patamar. Ao invés de levarem nossos craques, os investidores internacionais se mostrariam dispostos a mantê-los por aqui. Já imaginaram?

Muito continuou se falando sobre os potenciais do futebol brasileiro e, em especial, do Flamengo e ficou a certeza de que se a diretoria for um pouco menos míope do que tem sido, o caso Ronaldinho é o berço de uma nova era, para patamares sempre sonhados, mas nunca antes alcançados.

Que FLAssim seja, finalmente! Bem-vindo, Ronaldinho!

FLAmém!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Falando sério sobre o Caso Ronaldinho

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Depois de brincar aqui e no twitter sobre o caso Ronaldinho, resolvi falar a sério. Até pela falta de paciência que a maioria já está demonstrando com a interminável novela. Mas, na pele do fictício Pastor JEFF, o pároco da Palavra Rubro-Negra, tal missão é impossível. Então, peço licença para me despir das vestes do (ou "da", para quem preferir) personagem e assumo minha real personalidade. Falarei, portanto, não como aquele que veio ao mundo para enaltecer o Flamengo, mas na qualidade de administrador de empresas com larga experiência em finanças e consultoria de grandes projetos (se quiserem saber mais um pouco, visitem meu perfil pessoal - @JEFFarah).

Bem, o primeiro passo é analisar realmente se vale a pena contratar o Ronaldinho Gaúcho, por meio de uma obvia análise de custo x benefício, ou seja, se o retorno que se projeta com sua contratação, supera as despesas que se terá com ele, incluindo a compra dos seus direitos federativos.
Do ponto de vista financeiro, são várias as modalidade de retorno que um jogador pode dar ao clube: comissão sobre a venda de produtos licenciados, aumento do quadro de associados, verbas de publicidade, aumento da cota em jogos e transmissões esportivas, maior audiência na TV e em estádios, etc.
Além disto, um clube não existe para gerar lucro. Clube não é empresa. Então, o retorno não pode ser medido unicamente pela perspectiva de lucro. Devem-se levar em consideração fatores sociais, que normalmente são difíceis de se medir, pelo grau de subjetividade envolvido. Falo do bem-estar que o clube pode gerar, com atividades de lazer para a comunidade, com títulos para a torcida, com número de garotos que tira das ruas oferecendo oportunidades em esportes e por aí vai. A questão dos títulos em competições, geram, além do grau de satisfação da torcida (razão de ser de clubes de futebol), dividendos financeiros a longo prazo, graças a maior visibilidade e participação em competições mais importantes
Os fatores acima não podem ser deixados de lado. Ninguém aqui torce pelo Flamengo devido ao tamanho do seu faturamento ou do lucro que poderá gerar. Mas, também, não podem ser primordiais e fazer com que as questões financeiras sejam ignoradas. Por não ter um dono, normalmente o dinheiro é tratado como não sendo de ninguém (mesmo problema de órgãos públicos) e dívidas são roladas até que o clube perca o crédito e não consiga mais cumprir com suas funções, não possa mais contratar e outras mazelas que estamos acostumados neste nosso futebol brasileiro..
Mas, vamos nos fixar no personagem-título. Acredito que ninguém discorde de que Ronaldinho tenha sido um jogador não só habilidoso, mas decisivo, muito acima da média, ou seja, um craque de bola. Sem dúvida, ele foi um dos melhores jogadores de futebol do mundo. Entretanto, também é fato que há muito ele deixou de ser este excepcional jogador. O Milan, por exemplo, não deve ter grandes saudades dele.

Assim, poderíamos questionar a contratação dele pelo ponto de vista esportivo, o principal, sem dúvida alguma. Entretanto, ninguém desaprende a jogar e o problema do Ronaldinho é muito mais psicológico do que fisiológico. A questão com ele é muito mais de (falta de) motivação e de vontade de cumprir com as suas obrigações. Portanto, ele pode voltar a jogar bem, a questão é se irá querer.

Olha, em minha opinião, se ele quiser só um pouquinho, está tão acima da média que, no futebol brasileiro, seria novamente endeusado. Portanto, a pergunta passa a ser se há um projeto que possa fazê-lo voltar a se motivar? Para quem acha que basta o salário que receberá, esqueça! Pois, não foi razão suficiente para mantê-lo na Europa.

Já do ponto de vista comercial, seu nome é um indiscutível sucesso. Basta ver a novela de sua contratação. Mesmo ninguém aguentando mais, continuamos acompanhando assiduamente o caso. Quantas camisas seriam vendidas com o nome dele às costas? Quanto o clube que tiver seu passe passaria a cobrar por amistosos? Quanto poderia cobrar para que um jogo oficial fosse realizado em outra praça (lembre-se de que o Maraca está fechado)? Quanto aumentaria a receita com publicidade?

Obviamente, tudo isto tem um preço que tem que servir de contrapeso. A camisa ficaria toda manchada como a do Corinthians ou de um uniforme de fórmula 1? Vale a pena? Queremos isto? É sempre bom lembrar que nem tudo se resume ao dinheiro? 
Além disto, vale lembrar que nenhum clube poderá bancar os salários dele. As primeiras notícias davam conta de que, no caso do Flamengo, estes seriam integralmente pagos pela Traffic. Mas, será mesmo que o clube não colocará nada? Depois de tanto leilão, acho pouco provável. Mesmo, que as empresas patrocinadoras banquem tudo, o clube não pode ignorar. É o nome do clube que está em jogo. Assim, é preciso analisar os riscos envolvidos. Depois de tudo que passamos no primeiro semestre de 2010 nem preciso falar muito sobre este assunto, não é mesmo? Além do risco de imagem, há também riscos financeiros. O contrato será de longa duração. O que acontece se algum patrocinador quebrar até lá? Não vale dizer que são empresas grandes. Nós vimos a ISL, que era a maior do mundo, ir à falência e quase nos levar junto. Por isto, todos os grandes projetos têm garantias bancárias envolvidas, que representam um custo adicional ao clube e devem ser medidos.

Não tenho dados para fazer uma análise decente sem ser leviano. Só quero dizer que o assunto é altamente complexo. Minha intuição diz que vale a pena investir no Ronaldinho. Por isto, estou a favor e, cada vez, mais confiante com tanto desespero que vem sendo demonstrado pelo Grêmio.

Como último adendo, talvez seja hora de demonstrarmos que chegamos ao nosso limite. É hora do Ronaldinho também demonstrar vontade. Não precisamos entrar em desespero. Será muito bom ter o Gaúcho, mas ele não pode ser nossa tábua da salvação. Somos o Flamengo! Não podemos nos esquecer disto. Ainda mais sabendo que o Grêmio parece não ter mais o que oferecer, além de apelar para sentimentalismos, que parecem não comover nem o jogador e muito menos o seu irmão-empresário. Enquanto isto, precisamos dar continuidade e completarmos o elenco.

Palavra da Salvação Rubro-Negra,
FLAmém!

PS: Estou de férias. Ficarei uma semana longe do blog. Agradeço a todos.

PS2: Exatamente, quando estava colocando o texto no ar, o Fábio Azevedo anunciou a contratação do Gaúcho. Dei sorte?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A matemática também está conosco

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

O jovem rubro-negro cansado de utilizar o simulador do GE para fazer suas contas e previsões no campeonato brasileiro resolveu procurar ajuda. Foi até a escola falar com seu professor de matemática.

- Mestre, você sempre me disse que a matemática poderia me ajudar no meu dia-a-dia e seria encontrando uma aplicação prática para ela que acabaria gostando da ciência. Então, aqui estou tentando fazer contas sobre as probabilidades dos times no campeonato brasileiro. Aliás, minto... do campeonato não, eu quero mesmo é saber do Mengão. O resto é o resto e, portanto, não me interessa muito. Poderia me ajudar?

- Mas, todo dia você vê isto no jornal. Tenho dúvidas se você quer realmente aprender como as contas são feitas. - respondeu-lhe o professor, que conhecia muito bem seus alunos.

- Na verdade, não quero mesmo não. Quero é dormir tranquilo. Nunca acreditei nesta história de rebaixamento. Mas, tá tudo tão sinistrão neste ano, que já nem sei o que pensar.

O aluno deu uma pausa, mas como o professor se manteve quieto, ele continuou a explanação:
- Desde o início do campeonato, faço minhas simulações no Globo.com. Mas, até pouco tempo atrás, quando Silas ainda estava no comando, o resultado era sempre o mesmo: Flamengo Hepta! Depois, já com Luxa, o Flamengo terminava sempre na Libertadores. Agora, nos últimos dias, é que a situação complicou, mas a pior posição que simulei para o Flamengo foi o 13º lugar. Aí leio nos jornais que precisamos de 45 pontos e entrei em desespero.

Após rir da situação o professor disse:
- Você já tirou uma lição. Quando se é parte, não se pode ser imparcial. Falar do Flamengo é falar de você, certo? Assim, poderá até tentar ser justo, mas jamais será imparcial.

- Exato, mestre! Daí que estou aqui tentando uma ajuda externa. Minha paixão não me deixa ser racional. É difícil simular uma derrota do Flamengo. E aí como fazer? Poderia me dar uma forcinha?

- Meu rapaz, a matemática é uma ciência exata. Mas, saiba que números são apenas números. É preciso interpretá-los.

- Como assim? Poderia falar mais fácil?

- Por exemplo, o que significa quando falaram que o Fluminense tinha no ano passado 1% de chances de não ser rebaixado? E, neste ano, que já li que Fluminense, Corinthians e Cruzeiro possuem chances iguais de serem campeões. Os matemáticos estão errados?

- Por mim, quebraram a cara!

- Na verdade, eles estão certos! Mas, não faço estas contas porque elas não têm aplicação prática. Futebol não é jogo de dados onde apenas a sorte determina o resultado. Mesmo contando com uma probabilidade tendendo ao zero, às vezes não tem um sortudo que ganha na Mega Sena? Mas, se alguém ganhar mais de uma vez o que você acha que houve?

- Fraude, claro! Alguma mutreta.

- Mas, no futebol, é possível. Veja o seu Flamengo. Quantas vezes, ele sai de trás e atropela. Acontece! Não é apenas sorte, não acha?

O garoto concordou. Estava gostando. O mestre, que não acompanhava muito o futebol, perguntou:
- Mas, vamos ao que interessa. Você tem uma tabela aí?

O estudante abre um site no computador da sala de estudo da escola e mostra a tabela e a classificação para seu professor, que a analisa, pensa, faz algumas continhas, pede as classificações dos anos anteriores, faz algumas comparações numérica e, finalmente fala:
- Vejo que, neste ano, o número de empates foi bem maior do que em anos anteriores. Por isto, que o número mágico de 45 pontos não deve permanecer. Vamos fazer umas continhas rápidas. Soluções simples para problemas complicados, Não é o que sempre digo?

Com a concordância do atento aluno, ele emendou:
- O último colocado, o Grêmio Prudente, só tem 27 pontos. Mesmo que vença todos os jogos não atingirá à pontuação atual do Flamengo. Vamos descartá-lo! Pelo menos, vocês não chegarão e último.

O jovem rubro-negro não gostou nem um pouco da piada sem graça e sorriu amarelo. O matemático continuou:
- O Guarani é o melhor dos que estariam rebaixados neste momento. Se ele vencer todos os jogos que lhe restam, chegaria a 48 pontos. Entretanto, como enfrentará o Vitória, este chegaria, no máximo a 47. E o Atlético de Goiás quer enfrentaria, também, o Vitória atingiria no máximo 46 pontos.

- Então, podemos ter que fazer 46 pontos? Precisamos ainda de duas vitórias?

- Bem, você acha possível, o Guarani vencer o Fluminense e o Flamengo no Rio, além do Grêmio em Campinas, por exemplo.

- Difícil!

- Por isto que a probabilidade dele cair é enorme. Outro fator importante é o aproveitamento dos times até o momento. O Guarani possui 35%. Embora ele sair vencendo todo mundo (100% de aproveitamento na reta final) seja possível, sabemos que é bastante improvável.  Vamos, então supor que os times do Z4 conseguiriam um aproveitamento de 50% até o final. Ou seja, obteriam mais duas vitórias cada um.  Portanto, o último rebaixado teria 42 pontos.

- Isto quer dizer que.....

- Exato. É o que está pensando. Com mais uma vitória, acredito que o Flamengo se livre do pesadelo.

- Obaaaa! A matemática também mostra que os outros irão ajudar o Flamengo. Só falta a gente nos ajudar um pouquinho, não?

Que FLAssim seja,
FLAmém!

PS: Quanto à campanha do tijolinho confesso que continuo bastante na dúvida se participarei ou não. Não é barata e não temos muita garantia do destino do dinheiro. O que vale é realmente a intenção? Na verdade, é só o que temos! Pensarei nisto! Fico grato a quem se dispuser a deixar  sua opinião sobre o tema nos comentários. Valeu!

PS2: Este é o 99º post do blog. Assim, falta apenas um para meu centésimo artigo.