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quarta-feira, 23 de maio de 2012

CLUBE AMADOR, GESTÃO PROFISSIONAL por Walter Monteiro

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


No artigo que pode representar o encerramento da série de reflexões sobre o Flamengo, o Walter Monteiro nos fala mais sobre a necessidade da gestão de um clube ser profissional. Aproveito para desejar-lhe boa sorte no projeto de transformar o Flamengo no clube de seus sonhos. Será que o sonho que ele apresenta aqui também não seria seu, caro leitor?


Reflexões sobre o Flamengo 
Parte 5
CLUBE AMADOR
GESTÃO PROFISSIONAL


No artigo anterior eu chamara atenção para as desvantagens de se transformar o Flamengo em uma empresa comercial de capital aberto, mas concordava com o conceito de que o rigor exigido para a abertura do capital deveria servir de modelo para a gestão do CRF.

E, de fato, nada impede de que um clube ou qualquer outra entidade sem fins lucrativos empregue em sua administração as boas práticas de governança corporativa.

Aliás, exemplos não faltam. Vamos pegar o caso do Real Madrid. Pode ser que o leitor já tenha ouvido falar no lendário Florentino Perez, que dá entrevistas como presidente do clube e a quem se atribui a fase áurea do time, com a contratação de estrelas “galáticas”, como ele mesmo gosta de dizer.

Mas o fato é que o presidente manda muito pouco no Real Madrid. Para ser mais exato, ele e seus colegas de diretoria (“junta directiva”) sequer são identificados no organograma oficial do clube (clique na figura para ampliá-la):

Não quero insinuar que Florentino Perez seja uma figura decorativa. Mas, como estamos na Espanha e em um clube que homenageia a monarquia, vamos dizer que ele é uma espécie de Rei Juan Carlos. O rei espanhol é formalmente o chefe de estado e representa institucionalmente o país, inclusive cumprindo funções protocolares, como “editar” decretos e leis, mas todo mundo sabe que quem comanda a Espanha é Mariano Rajoy, que nós brasileiros chamamos de “primeiro-ministro”, mas os espanhóis chamam de Presidente del Gobierno.

O que o Real Madrid nos ensina é que a forma moderna de gerir um clube é transformar o presidente em um representante puramente institucional, mas delegar INTEIRAMENTE as decisões cotidianas a um grupo profissionalizado, qualificado e dignamente remunerado. Se alguém duvida que seja assim, recomendo que volte a ler o organograma, que fala por si só.

A pergunta que venho me fazendo há anos é qual a dificuldade de implantar um modelo assim no Flamengo. Há quem diga que o estatuto social não permitiria. Ledo engano: o estatuto, ao contrário, expressamente autoriza que o presidente possa se fazer representar por procuradores.

E, de mais a mais, não seria uma questão formal que atravancaria o progresso. Bastaria encontrar dirigentes que se conformassem com o seu papel puramente institucional e firmassem um pacto de se afastar de vez da gestão do Flamengo, delegando-a aos executivos contratados. Se há quem advogue que se faça isso através de uma S/A, qual o empecilho para agir do mesmo modo na instituição sem fins lucrativos?

O desafio central para os rubro-negros é convencer o quadro social a concordar que a gestão do clube seja comandada EXCLUSIVAMENTE por diretores executivos.

Há muita gente bem intencionada, preparada e até maravilhosamente qualificada que poderia, sim, assumir a direção do clube e, quem sabe, cumprir um mandato promissor. Mas a tendência, infelizmente, não é essa.

A experiência vem mostrando que mais cedo ou mais tarde, o lado torcedor do dirigente acaba falando mais alto e decisões são tomadas com base na impulsividade, na emoção e sem a devida reflexão. Por isso precisamos separar, definitivamente, a gestão e a paixão. Precisamos aposentar o modelo amador e reinventar o Flamengo, a partir de uma gestão profissional.

Eu tenho esse sonho. E vou persegui-lo.

Walter Monteiro
Embaixador Oficial do Flamengo no Rio Grande do Sul, sócio-proprietário do clube (mesmo morando em Porto Alegre) e escreve a coluna Bissexta no Blog Ouro de Tolo.

PS: Quando eu iniciei essa série de artigos, havia planejado escrever uns 15 artigos, tratando de temas variados sobre o futuro do Flamengo. Eu não estava envolvido com a política interna do clube, por isso me sentia à vontade para escrever livremente.

Mas a ótima repercussão desses textos ajudou a agregar mais gente comprometida em torno do mesmo ideal. Daí nasceu o movimento REVOLUÇÃO RUBRO-NEGRA, que pretende se apresentar às eleições em dezembro propondo exatamente isso que acabo de defender, um choque de gestão profissional, um profissionalismo radical.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O BALANÇO DO FLAMENGO PARA LEIGOS (Aula 2)

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!
 
   
O Professor Pacioli* começa sua segunda aula sobre análise das demonstrações contábeis do Flamengo no Curso de Contabilidade para Leigos, dizendo:
- Olá, pessoal!  Em nossa primeira aula, nós vimos os principais pontos das demonstrações contábeis do Flamengo. Confesso que eu mesmo fiquei favoravelmente surpreendido. Claro que se fosse de uma S/A, eu não recomendaria a compra de ações, mas os números indicam que a situação melhorou. Não diria que ela é boa, mas já foi bem pior.
   
Ressalvas dos Auditores
O professor deu um tempo para que todos se acomodassem nos respectivos assentos e refletissem um pouco sobre o que acabara de dizer. Após a pequena pausa, continuou:
- Hoje iremos ver alguns pontos obscuros e alguns problemas que aparecem nas demonstrações do Clube. É obrigatório que sejam divulgadas junto com um parecer feito por uma empresa de auditoria independente. Como não temos acesso aos documentos que deram origem aos números apresentados, em qualquer análise temos sempre que ler o que disseram os auditores.
    
   
Pacioli, então, mostra um slide, no qual aparece a parte final das demonstrações contábeis e lá está o "Relatório dos Auditores Independentes Sobre as Demonstrações Financeiras". Ele diz:
- Vamos entender o que os auditores disseram. Logo no início, no item 3.1, lemos que "a circularização dos fornecedores, dos bancos, dos empréstimos bancários e dos principais credores não foi respondida a tempo". O mesmo ele fala sobre os advogados do clube em relação aos processos judiciais. Mas, o que será essa tal de "circularização" e qual o problema disso?
 
Enquanto os alunos refletem e tentam imaginar o significado dessa ressalva, o professor continua sua explanação:
- Circularização é uma das principais técnicas de auditoria utilizada para investigação e confirmação dos dados apresentados. Consiste em revalidar junto a terceiros envolvidos a veracidade dos documentos, os valores apresentados e as estimativas feitas. Assim, o auditor determina que a auditada (o Flamengo, no caso) envie uma carta (ou email) para terceiros solicitando informações para efeitos de auditoria. Esta carta deve ser respondida diretamente à empresa de auditoria, para diminuir o risco de fraudes.
 
Um aluno levanta a mão e pergunta:
- Professor, então podemos dizer que há uma falha da empresa de auditoria por não ter solicitado as cartas em tempo hábil? 
 
- Não - responde o professor - O tempo provavelmente foi suficiente para que houvesse alguma resposta. O problema é que, por algum motivo, os terceiros não responderam. Em outras palavras, não é possível confirmar se alguns dos principais números do Balanço são reais. Assim, os bancos, por exemplo, não confirmaram os saldos devedores dos empréstimos ou se haveria alguma outra conta não analisada, os fornecedores não ratificaram os saldos existentes no contas a pagar, bem como os advogados do clube não corroboraram os passivos judiciais, que sabemos serem críticos no Flamengo. Isto é inaceitável. Há quem defenda que a falta de confirmação de saldos nas circularizações deveria ser objeto de um parecer com "abstenção de opinião" (quando o trabalho de auditoria não pode ser realizado) e não com "aprovação com ressalvas" (impropriedades que não comprometem as demonstrações). O pior é que no balanço de 2010 ocorreu a mesma coisa.
   
     
Após ver a cara de espanto em alguns alunos e de estranha naturalidade em outros, o professor falou à plateia:
- Também vale o destaque das quartas e quintas ressalvas. No primeiro caso, é informado que o clube ignorou nos números apresentados uma multa de aproximadamente R$ 33 MM aplicada pelo Banco Central, decorrente de infrações cambiais, por ter recorrido da decisão. Como não há garantia da vitória no recurso administrativo feito pelo Flamengo, o valor deveria sim ter sido contabilizado pois é recomendado que as demonstrações sejam conservadoras, nunca antecipando lucros e sempre prevendo possíveis prejuízos. No outro caso, os auditores informaram que não têm como confirmar a provisão R$ 8 MM feitas para as perdas. Ou seja, o clube previu uma inadimplência no valor acima e a auditoria não conseguiu confirmar se a mesma poderia ser maior.
    
Receita da TV e antecipações
- Outra coisa interessante a observar é o crescimento da receita de TV já no Balanço de 2011. Como vimos, o novo contrato de transmissão foi o principal responsável pela melhora dos indicadores. Mas, o contrato não seria válido somente a partir de 2012? Como a receita em 2011 pode ter aumentado?
    
Alguns alunos responderam que a mesma só poderia ter sido adiantada. Então, o mestre pega um slide e diz:
   
   
- Vocês se lembram na aula anterior quando expliquei o regime de competência? Assim, uma receita só poderá ser lançada como resultado no exercício a que se referir. Ou seja, mesmo que haja antecipação, o valor aumenta o caixa, mas não é considerado receita ainda. Logo mais veremos como se faz tal lançamento. O que importa aqui é que não foi apenas o Flamengo que já aumentou a receita no ano da assinatura do contrato (e não a partir de sua vigência). Por isto, minha suposição é de que tenha ocorrido alguma luva para que alguns clubes (não todos) assinassem. A do Flamengo deve ter sido próxima a R$ 50MM, como podem observar no quadro (figura acima).
    
 
- O problema é  que algo relevante assim deveria ter sido melhor explicado. Do contrário, cada um supõe alguma coisa. O lugar correto é nas notas explicativas. Como o próprio nome revela, servem para explicar alguns números. Elas ficam logo abaixo dos demonstrativos e acima do parecer de auditoria, já visto.
   
- Mas, já que alguns aqui presentes tocaram no assunto da antecipação, ela realmente existiu. Como só será receita no futuro e, antecipadamente, entrou no caixa, os manuais de contabilidade recomendam que a contra-partida seja uma conta do passivo. No Balanço do Flamengo, podemos ver as contas Receitas a Realizar no circulante (ou seja, o que foi antecipado de 2012) e Receitas Diferidas (que só irá se tornar receita nos anos subsequentes, pois estão no Exigível a Longo Prazo).

- Agora, algo estranho é a comparação das receitas antecipadas com o contas a receber. E aí eu não consigo nem fazer suposições, exceto a de que o próximo presidente poderá ter problemas de fluxo de caixa.
Conclusão
Um aluno, então, pergunta:
- E qual foi afinal sua conclusão, professor?
 
- Só a de que os demonstrativos do Flamengo são complexos demais para qualquer um fazer um diagnóstico preciso, qualquer que seja este diagnóstico. Mas, foi um bom exercício. Se algum de vocês quiser volto ao tema desenvolvendo mais algum conceito. Comentem aí!.
 FLAmém!


* Pacioli - escolhido para ser o nome do professor é uma homenagem a Luca Pacioli, um frei franciscano que é considerado o pai da contabilidade moderna. Ele, em um livro escrito em 1494 (ou seja, quando o Brasil ainda era dos índios), descreveu pela primeira vez o "método das partidas dobradas", que é a base dos lançamentos contábeis até hoje, segundo o qual todo débito corresponde a um crédito de mesmo valor. A consequência disto é que o total de débitos será sempre igual ao total de créditos e o ativo será igual ao passivo, mas aí já é um post para um blog contábil, certo?


domingo, 6 de maio de 2012

O BALANÇO DO FLAMENGO PARA LEIGOS (Aula 1)

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


O curso era de contabilidade para leigos. Ao final, o Prof. Pacioli* informou que na próxima aula ele falaria sobre demonstrações contábeis e perguntou à turma qual empresa gostaria de analisar. A resposta da maioria foi que gostariam que ele utilizasse como exemplo o recém divulgado Balanço do Flamengo. Após breve hesitação, o professor topou dizendo:
- Não é uma boa escolha. As demonstrações de clubes não são, digamos, as mais acadêmicas. São difíceis de serem analisadas. O ideal seria utilizarmos alguma grande empresa, uma sociedade anônima, de preferência multinacional. Mas, tudo bem! Vou mostrar as particularidades e excentricidades de um balanço como o do Flamengo. É um baita desafio, mas eu topo! Numa outra aula qualquer mostro um balanço mais convencional, digamos assim, e vocês poderão notar as diferenças. Vamos começar por onde vocês têm mais curiosidade.

Receita

Dito e feito! A aula seguinte, sobre as demonstrações contábeis teve o Flamengo como objeto do estudo de caso. O professor começou perguntando aos alunos qual seria o item mais importante no orçamento doméstico, ou seja, na contabilidade da família de cada um qual seria aquele ponto que todos se interessariam em saber primeiro:
- Salário...Quanto ele ganha...Rendimento... Remuneração... e outras variações foram as respostas e tiveram um consentimento do professor.

- Perfeito, mas antes de falarmos do Flamengo, é importante que vocês aprendam uma regrinha contábil. Na contabilidade não se adota o regime de caixa, mas o de competência. Ou seja, consideramos as receitas no momento que são geradas, independente de terem sido recebidas. Para exemplificar, vamos imaginar a contabilidade de um assalariado, cujo salário seja pago no dia 5 do mês seguinte. Assim iremos considerar como receita o seu salário de dezembro, mesmo que ele só venha a receber em janeiro. Se o patrão dele ficou devendo uma parte de um salário, a contabilização da receita será pelo valor integral, mesmo que nosso pobre empregado não tenha visto a cor dessa grana. Por outro lado, se o empregador lhe antecipou um dinheiro das férias que só teria direito no próximo ano, esse valor não será computado na receita  Isto é importante para entender que nem tudo que aparece lançado como receita efetivamente entrou no cofre de uma empresa e que as antecipações, mesmo já tendo sido até gastas, não são consideradas receitas daquele exercício. O mesmo vale para as despesas e demais lançamentos.


Professor Pacioli continua a aula demonstrando a grande variação positiva da receita no DRE (Demonstração do Resultado do Exercício):
- Como vocês mesmo disseram, tudo fica mais fácil tendo mais dinheiro. No caso específico do futebol, com um faturamento maior pode-se ter um time mais competitivo. Então, por este item analisado isoladamente, o Flamengo foi muito bem. Observem o crescimento da receita de um ano para outro. Aliás, comparar os dois últimos anos é a primeira análise que é feita nos demonstrativos. O segredo para este sucesso foi o novo contrato de Direitos de Transmissão com a Tv. No entanto, de nada adianta olharmos números isolados. Precisamos entender sobre o setor e como todos sabem, no ano passado, o clube dos 13 foi implodido e o Flamengo negociou sozinho e em bases muito melhores. Nesta negociação, podemos confirmar com os números que a diretoria do clube foi bem sucedida.


- Ao analisamos algum tópico, o ideal é sempre fazermos comparações. Números precisam ser relativizados. Já falei na tradicional comparação entre os dois anos que obrigatoriamente são apresentados em qualquer demonstrativo contábil - o ano analisado com o imediatamente anterior. Mas, várias outras podem ser feitas, algumas são padrões, outras de acordo com a conveniência e objeto de estudo. Por exemplo, podemos comparar duas gestões. Como a atual diretoria está no poder há dois anos, vamos comparar o período com os dois primeiros anos da antiga administração. No slide, temos uma noção ainda maior de como os contratos de TV ganharam importância. Agora, observem a venda de jogadores e vejam que o que era um importante fator de renda para o Flamengo tornou-se praticamente irrelevante. O clube não depende mais da venda de jogadores. O próprio marketing que 10 entre 10 torcedores criticam e, em minha opinião, com toda razão hoje gera muito mais receita. Nos dois anos da gestão atual a receita foi superior a R$ 88milhões, contra R$ 53milhões em toda gestão anterior (3 anos). Se observarmos os balanços dos demais clubes veremos que o negócio futebol cresceu muito, daí a explicação! O grande mérito da atual administração do Flamengo foi ter se livrado da negociação conjunta dos direitos de tv e negociado o contrato individualmente. Do resto, foi beneficiada pelo mercado favorável.


Após uma pausa continuou: 
- Um outro item que chama a atenção é a arrecadação nas bilheterias. 2011 o Flamengo teve a menor receita com venda de ingressos dos últimos 5 anos. O clube arrecadou R$ 3milhões a menos do que o trágico ano de 2010. Ou seja, as campanhas feitas no final do ano passado para  levar a torcida ao estádio parecem que tinham todo sentido.

Despesa
- As receitas precisam ser analisadas em conjunto com as despesas. No caso de um clube endividado, este ponto é ainda mais crítico. O clube precisa gerar bom superavit primário, ou seja, tem que obter uma receita bem superior às despesas para poder quitar os juros. No caso do Flamengo, o crescimento das despesas de 2010 para 2011 (26%) ocorreu em um ritmo menor do que as receitas (43%). No entanto...


- Enquanto a receita bruta com o futebol cresceu praticamente 50%, as despesas subiram 57%. Ou seja, mesmo com um contrato bastante vantajoso na TV, o Flamengo não aproveitou para gerar dinheiro, conseguiu aumentar ainda mais os gastos e a rubrica de despesas gerais foi a que mais cresceu. Sabe-se que  houve investimentos no centro de treinamento. Espero que o grande aumento seja originado de investimentos. ** Espero que o grande aumento tenha sido gerado pelas instalações provisórias no CT (ex: aluguel de equipamentos) e outras derivadas e de caráter temporário.

O professor deu um tempo para os alunos assimilarem o que havia dito e apontou para os gastos com o social e com os esportes amadores.
- Olhem que a parte social e os esportes amadores dão prejuízo. Portanto, o futebol continua bancando o restante do clube, porém muito menos do que em 2010. Se compararmos com o ano anterior, quando o presidente era outro, podemos imaginar o que ocorreu em 2010 foi pontual pela falta de investimento na sede e nos esportes olímpicos durante bastante tempo, uma vez que os valores de 2011 voltaram aos níveis anteriores e em um patamar mais alto, o que é um indicativo de investimento, principalmente pelo recuo das despesas gerais. Para termos uma maior certeza, só aguardando o balanço de 2012.

Patrimônio Líquido


- No Balanço patrimonial de um lado temos os direitos e os bens da empresa, que chamamos de ativos. No outro, as obrigações, que são os recursos de terceiros e que, em contabilidade, chamam-se Passivos, além do Capital Próprio ou Patrimônio Líquido. Até 2010, o Flamengo tinha o que se chama de passivo a descoberto. Ou seja, nem se desfazendo de todo patrimônio e de tudo que o clube teria a receber tornava-se possível pagar todos os compromissos assumidos. Em 2011 isto se reverteu. O Flamengo finalmente voltou a ter um patrimônio líquido positivo.



- O segredo para que isto tenha ocorrido está aqui, na reavaliação imobiliária. Não se costuma fazer uso de expedientes deste tipo, mas no caso do Flamengo os investimentos feitos no CT e na sede social podem justificá-los. No entanto, houve um benefício com uma situação de crescimento exponencial nos valores dos imóveis na cidade. Haverá problema se este fato for uma bolha e estourar. Caso contrário, não vejo maiores problemas, exceto pela dúvida se a avaliação levou em conta características legais, como o de que a sede do clube está em um terreno federal e a venda não seria tão simples assim. Vale a ressalva de que o Flamengo precisará, desde então, fazer a reavaliação de forma periódica.

Endividamento
- Em um clube como o Flamengo, que sabidamente é endividado, quando se divulga o balanço, as primeiras manchetes são sempre sobre o valor da dívida. Isto sempre causa um temor na maioria das pessoas, porque em nossa vida pessoal só costumamos recorrer a empréstimos quando estamos no sufoco e aí pegamos aqueles juros absurdos dos cheques especiais e do cartão de crédito. No entanto, o endividamento é comum no dia a dia das empresas. Quanto maior a empresa, mais acesso a condições especiais de financiamento ela terá. Assim, é possível ter juros inferiores a rentabilidade do próprio negócio. Ou seja, muitas vezes é preferível pegar um financiamento (aqueles de longo prazo, para investir em projetos e ativos permanentes) do que colocar dinheiro próprio no negócio. Assim, o valor do endividamento sozinho, como as manchetes adoram explorar, não diz muita coisa.



- Observem que embora o endividamento do Flamengo tenha crescido, ele é proporcionalmente menor em relação ao faturamento, o que é uma boa notícia. A situação já esteve bem pior do que hoje.


- Outra comparação bastante válida quando falamos em dívida é observar o crescimento relativo a algum indicador. No exemplo, uso a comparação com a taxa de juros básica da economia. Se considerarmos que o Flamengo é um clube altamente endividado, é bastante provável que os juros dos empréstimos do clube sejam obtidos a uma taxa bem superior à Selic. O quadro demonstra que embora a dívida seja crescente, ela tem tido uma aceleração menor do que a Selic, o que representa outro dado positivo.


- No entanto, nem tudo são flores. Ops! Flores? Desculpem-me, mas aí já seria sobre o balanço de outro clube (risos escutados na sala). Vamos voltar o Flamengo... A receita no ano passado cresceu muito acima da taxa Selic, algo bastante incomum para o Flamengo e que não deverá voltar a ocorrer tão cedo. Isto significa que o clube perdeu uma excelente oportunidade de reduzir o endividamento.

Próxima Aula
Ao escutar o sinal, indicando o final da aula, o professor disse:
- Bem, pessoal. Devido ao limite de tempo, continuarei o assunto na próxima aula, quando falarei especificamente sobre os pontos obscuros, as anormalidades e os problemas que aparecem nas demonstrações contábeis do Flamengo. Analisem o que conversamos até aqui e enviem seus comentários. Ficarei no aguardo!

 FLAmém!

* Pacioli - escolhido para ser o nome do professor é uma homenagem a Luca Pacioli, um frei franciscano que é considerado o pai da contabilidade moderna, que, em um livro escrito em 1494 (ou seja, quando o Brasil ainda era dos índios), descreveu pela primeira vez o "método das partidas dobradas", que é a base dos lançamentos contábeis até hoje, segundo o qual todo débito corresponde a um crédito de mesmo valor. A consequência disto é que o total de débitos será sempre igual ao total de créditos e o ativo será igual ao passivo, mas aí já é um post para um blog contábil, certo?

** Não costumo alterar um texto depois de publicá-lo. no entanto, desta vez, fui obrigado porque o trecho anterior (que mantive riscado) levava a uma confusão conceitual. Aproveito para explicá-la. Investimentos não são contabilizados como despesas (não transitam pelo resultado - DRE), mas lançados diretamente em uma conta no ativo permanente (aumenta-se o valor do bem). No entanto, o CT foi utilizado provisoriamente e alguns gastos temporários são contabilizados como despesas. É a estes que pretendia me referir. Agradeço a preciosa colaboração do leitor Diego Milward (@dmilward).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

AINDA O SÓCIO TORCEDOR, SEUS MITOS E SUAS CRENÇAS - por Walter Monteiro

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Dando continuidade a série de reflexões sobre o Flamengo, o Walter Monteiro nos fala mais sobre os programas de sócio-torcedor, tendo como base os principais programas existentes no Brasil.

Caso queira reler o primeiro capítulo, basta clicar aqui.


FLAmém!

REFLEXÕES SOBRE O FLAMENGO 
PARTE 2
AINDA O SÓCIO TORCEDOR, SEUS MITOS E SUAS CRENÇAS.

No artigo anterior critiquei o movimento de alguns rubro-negros, que depositam todas as suas esperanças na criação de um projeto de sócio torcedor. O curioso é que apenas no Flamengo essa obsessão em atrair mais torcedores sob uma motivação exclusivamente política tem defensores tao ardorosos. Há uma série de programas adotados por nossos rivais e em nenhum dos que analisei a questão do voto tem importância. E alguns são muitíssimo bem sucedidos.

Eu não teria tempo e nem seria o caso de destrinchar, um a um, os programas de todos os clubes brasileiros, nem mesmo se restringisse a pesquisa aos clubes da Série A ou até mesmo aos chamados "12 grandes" (os 4 cariocas, os 4 paulistas, os 2 gaúchos e os 2 mineiros). Adotei um critério, um tanto quanto aleatório, mas com premissas claras.

Escolhi o Vasco, porque é o maior rival local do Flamengo; o Botafogo, porque dizem ser o clube carioca com a administração mais arejada; o São Paulo e o Inter, por serem referências nacionais de práticas de gestão elogiadas e o Corinthians, o clube que luta para roubar do Flamengo a liderança nacional em número de torcedores. É uma amostragem coerente e abrange 1/4 dos times da Série A e a metade dos clubes grandes (incluindo o Flamengo, de quem falarei depois).

A tabela a seguir detalha o que cada um desses clubes enfatiza serem os benefícios dos respectivos programas de sócio torcedor, segundo informa ao dos seus sites oficiais:



É preciso aclarar que a tabela acima faz uma aproximação muito resumida dos benefícios ofertados em cada programa. O Vasco, por exemplo, não oferece quase nada ao sócio torcedor propriamente dito, mas, em compensação, comercializa um plano chamado de "sócio geral" que custa apenas R$ 10,00 a mais e garante os benefícios que descrevi. Botafogo, São Paulo e Corinthians comercializam planos com preços diferenciados, com as versões mais caras contendo "mimos" mais sofisticados, como lugar personalizado no estádio, camisa autografada e vários outros badulaques.

0 mais importante, entretanto, é perceber que apenas Vasco e Inter garantem direito de voto ao sócio torcedor - o Corinthians chega a proibir taxativamente no seu estatuto social que essa categoria tenha direito de voto. 

Só que no Inter e principalmente no Vasco, o tal direito de voto é muito mais simbólico do que efetivo - ou, como se dizia antigamente, é para ingles ver. 

No Inter a eleição é, em principio, indireta. Há um Conselho Deliberativo, formado por membros natos (1/3) e membros eleitos (os 2/3 restantes). Quem quer ser presidente do clube precisa ter cumprido ao menos 1 mandato de conselheiro. E é o Conselho, em princípio, quem elege o Presidente. Se uma das chapas atingir um quórum qualificado (que é um número variável de votos de conselheiros, a depender da quantidade de chapas inscritas), a eleição acaba ali mesmo. Caso nenhuma chapa consiga atingir esse quórum, há um segundo turno entre as duas mais votadas. É só nessa segunda etapa que o sócio torcedor pode dar o ar de sua graça - antes, fica tudo ali entre os 450 conselheiros. 

No Vasco é ainda pior. A eleição é inteiramente indireta, sendo que o Conselho Deliberativo do clube é composto por metade de membros natos. Só a outra metade é eleita. 

Ou seja, o verdadeiro direito de voto que Inter e Vasco efetivamente concedem aos seus respectivos sócios torcedores é o direito de eleger apenas parte do Conselho Deliberativo (2/3 no caso gaúcho, metade no caso carioca), mas, no frigir dos ovos, quem dá as cartas mesmo são os ilustres conselheiros. 

Como se vê, a questão eleitoral NEM DE LONGE é relevante para o sucesso dos programas de sócio torcedor, sendo que na maioria dos casos ela sequer entra em pauta. São os benefícios oferecidos que realmente fazem a diferença. Ou, ainda melhor, é um beneficia central - acesso aos estádios com conforto, preço especial e algum diferencial em relação ao torcedor comum - que determina o sucesso de um programa de sócio torcedor. 

Essa é uma lição a ser aprendida pelas futuras gestões do Flamengo: não adianta lançar com pompa e circunstância projetos audaciosos (como o fracassado Cidadão Rubro-Negro, que guarda semelhanças óbvias com os programas clássicos de sócio torcedor, apenas com uma denominação diferente) se a questão dos ingressos e do acesso aos estádios não estiver no centro das preocupações. 

Ingressos, ingressos, ingressos. Essa é a chave do sucesso, o imã que atrai multidões de futuros associados. Quem percebeu isso, colheu êxito. Amor ao clube, desejo de participar politicamente ou benefícios não muito tangíveis simplesmente não funcionam.

* Por Walter Monteiro - Embaixador Oficial do Flamengo no Rio Grande do Sul, sócio-proprietário do clube (mesmo morando em Porto Alegre) e escreve a coluna Bissexta no Blog Ouro de Tolo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

MÃO DIVINA

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


Enquanto isto, no Ninho do Urubu...



A bruxa continua solta....

Joel, que tinha pouco conhecimento das características dos
jogadores da divisão de base, não sabia quem iria colocar
no time titular. Mas, não se abateu e deu seu 
conhecido jeitinho....

Joel Santana continuava bastante preocupado com a 
ausência de seus cães de guarda...

Enquanto isto, escuta-se lá do alto uma voz, parecendo um trovão:

Precavido, Joel resolve dar um aviso a alguém que pode render mais....

Alguém ainda tem dúvida de que Ele é rubro-negro?

 FLAmém!

PS: Baseado em piadas que estão circulando pelas redes sociais.
PS2: Obviamente, ninguém quer o mal de nenhum jogador

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

BACALHAU, CARNIÇA SAGRADA NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!



"O número de dias de jejum e abstinência a que se sujeitavam anualmente os portugueses era considerável, não se limitando ao período da Quaresma, a época do ano em que o bacalhau era "rei" à mesa. Segundo Carlos Veloso, durante mais de um terço do ano não se podia comer carne. Assim era na "Quarta-Feira de Cinzas e todas as Sextas e Sábados da Quaresma, nas Quartas, Sextas e Sábados das Têmperas, (n)as vésperas do Pentecostes, da Assunção, de Todos-os-Santos e do dia de Natal e ainda nos dias de simples abstinência, ou seja, todas as Sextas-Feiras do ano não coincidentes com dias enumerados para as solenidades, os restantes dias da Quaresma, a Circuncisão, a Imaculada Conceição, a Bem-Aventurada Virgem Maria e os Santos Apóstolos Pedro e Paulo."

O trecho acima foi retirado do Livro "O Bacalhau na vida e na cultura dos portugueses" de Marília Abel e Carlos Consiglieri. Com o tempo, nós brasileiros flexibilizamos esse costume católico importado de nossos colonizadores. Porém, em duas datas especiais, a Igreja Católica continua recomendando a abstinência da carne vermelha: no início e no final da quaresma, ou na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira da Paixão. 

Já para a Igreja Flamenga, o bacalhau é o principal alimento para o espírito rubro-negro. É a carniça mais suculenta que se pode oferecer ao Urubu. Ao saborear um bacalhau, especialmente em momento decisivos, os devotos do Manto Sagrado se fortalecem e entram em contanto direto com os Deuses Rubro-Negros. É um momento especial de glória!

Para se preparar um delicioso bacalhau, a receita é a mais simples possível. Primeiro, oferecemos pequenas sardinhas para engorda do nosso pescado predileto. Ao comê-las, às vezes até com facilidade, o pobre bacalhau tem o ego inflado e imagina que poderá até voar para enfrentar uma ave de rapina. Santa tolice! Nada que ele tenha enfrentado antes pode lhe causar tanto terror quanto um urubu.


Após o desvaneio inicial, já com o bacalhau rechonchudo pelo próprio ego, iniciamos o momento de terror lembrando aos adoradores da feiona camisa da cruz de cemitério nossa ampla superioridade. É o momento de colocar o bacalhau em banho-maria, para que já comecem a imaginar a pressão que está por vir.


Com o desespero tomando conta do bacalhau, o peixe está pronto para ser servido ao Urubu. Mas, para que o banquete seja completo, é preciso encher de fiéis devotos rubro-negros o templo onde acontecerá a oferenda portuguesa. 


Depois é só deixar que tudo acontecerá naturalmente. O resultado final é o que todos já sabemos por antecipação. Os viceínos enrolarão suas bandeiras e sairão cabisbaixos, após terem sambado, pois para o bacalhau tudo acaba na Quarta-feira de Cinzas.

 FLAmém!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

LA BATALLA EN LA FORTALEZA

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!



Tudo indica que o Flamengo terá que ser muito Flamengo na difícil batalha que teremos logo mais em nossa estreia na fase de grupos da Libertadores. Embora não tão badalado, o Club Atlético Lanús é um tradicional representante da escola argentina. Ano passado, o time foi vasco-campeão do torneio clausura, ficando atrás apenas do Velez Sarsfield. Depois, teve uma queda brutal de rendimento, terminando o apertura somente na sexta colocação e, neste ano, foi eliminado da Copa Argentina pelo inexpressivo Barracas Central, que não passa de um Madureira portenho, com as cores do Bangu.



Porém, na última sexta-feira, nosso adversário parece ter afastado a crise ao golear o San Lorenzo por 4 a 1 e, por isto, precisará de um bom resultado conosco para espantá-la em definitivo. O que torna o confronto ainda mais complicado do que naturalmente já seria. Assim, todo cuidado será pouco lá em "La Fortaleza", como é conhecido o estádio do Lanús. 


Por causa de uma expulsão, após o final da partida de nossa despedida na Libertadores de 2010, Vágner Love mal reestreou e já será desfalque. Assim, não poderemos contar com nosso único atacante que parece ser móvel. Resta torcer para que Ronaldinho, motivado pela convocação e com o bolso cheio, não se esconda lá no canto esquerdo do ataque e honre o alto salário que o Flamengo lhe prometeu pagar. Na meia cancha treinamos ontem com Williams, Maldonado, Renato e Bottinelli. Se for esta a escalação, Joel priorizará a experiência, em detrimento da velocidade, com a saída do Luiz Antônio, absurdamente vaiado em um joguinho já decidido. Outra opção treinada foi a entrada do Airton no lugar do Bottinelli, favorecendo a marcação.



Nosso adversário também terá desfalques importantes: Camaronesi (campeão do mundo com a seleção italiana) e Regueiro (experiente meia-atacante uruguaio). Porém, mesmo assim, o time deles é bom, o que mostra a força do seu elenco. Teremos que ter cuidado principalmente com o habilidoso meia Valeri (que já foi comparado a Riquelme), o jovem meia-atacante Juan Neira (provável substituto do Regueiro) e o centroavante artilheiro Pavone.



Fora de campo, mais uma demonstração do quanto o Flamengo precisa se organizar. Um grupo de heróicos rubro-negros dos mais variados lugares deste país resolveu encarar todas as adversidades de até 12 horas de viagem (para alguns), sem contar o tempo perdido com conexões e atrasos, para assistir a um jogo na periferia de uma grande cidade estrangeira. Sem apoio algum do Flamengo, que sequer forneceu informações sobre como poderiam adquirir ingressos, um dos integrantes, Walter Monteiro (Embaixador da Nação no Rio Grande do Sul - Fla-RS - e sócio proprietário do clube) entrou em contato com a área de Relações Públicas do mandante do jogo, por meio de um email obtido no site oficial deles. A RP do Lanús foi gentil e prestativa respondendo as suas dúvidas com agilidade, enviando mapas para facilitar a chegada à "La Fortaleza", indicando as opções de transportes a partir do centro de Buenos Aires, fazendo recomendações como a de não irem de uma cidade a outra vestidos com o manto e garantindo que não haveria problema para que conseguissem os ingressos e que toda galera ficaria em um local reservado dentro do estádio. Será que o Flamengo não poderia ter tomado tal iniciativa para ajudar quem se aventura a dar uma força para o nosso esquadrão? E se um torcedor do Lanús quiser fazer o mesmo no jogo da volta, será que teremos alguém para fornecer informações semelhantes?



Uma dica para nosso time se impor desde os primeiros minutos é imaginar que a camisa rosa-grená deles é a do  Florminense. Gostaria muito de ver em campo a coragem pregada por nosso treinador na coletiva para jornalistas argentinos ontem.  ¿Puede to be, Joel?

FLAmém!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E SE FOSSE NUMA GIGANTE DE TI...

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
 Salve, Salve, FLAleluia!



Alguns dias atrás, em uma gigante do setor de tecnologia, o diretor financeiro entra na sala da presidente com uma série de relatórios na mão. Desanimado, aponta para alguns gráficos e para os demonstrativos de fluxo de caixa. Depois de algumas explicações, a chefe fala:

- Não adianta ficar me mostrando números. Você sabe que não entendo nada disto. É por isto que tenho você por perto. Traga-me soluções e não problemas. Todos sabem que negociação não é a sua especialidade, ? Então, concentre-se em  resolver o problema. O precisamos fazer?

- Estou te mostrando que, se continuarmos nesta inércia, teremos problemas sérios em breve. Por isto, trouxe nosso cash flow e nosso budget. Os empregados não suportam mais a gerente do Projeto Américas, nosso principal sistema. Nossa área de marketing fica totalmente passiva, esperando que negócios caiam do céu. As matérias sobre a empresa parecem que saíram das páginas de negócios para as colunas sociais. É só fofoca! - respondeu o diretor com seus jargões corporativos e sua conhecida língua venenosa.

- Lá vem você com sua picuinha pessoal com a Geni Luxemburgo. Como posso demiti-la? Já notou que todos a culpam por qualquer problema na empresa? Se ficarmos sem ela, tudo irá respingar na gente. Aí como poderei me manter na presidência?

- Mas, até coisas normais, com a participação dela geram ruídos. Ela é um para-raios e o melhor é nos afastarmos da tempestade. Por exemplo, é fato que todo gerente indica funcionários de confiança para participar de projetos sob sua supervisão. Correto? Mas, quando a indicação é da Geni, já sabemos que virão pedradas. Todos jogam pedra na Geni. Ela é sempre suspeita. Ninguém confia nela. Sempre vão dizer que existe algum motivo oculto, algum apadrinhamento naquela contratação.  O deadline dela aqui na empresa já chegou. Não dá mais! As pauladas na Geni já estão sobrando para nós. Os funcionários já ameaçam fazer greve. Nosso principal projeto está sob risco. Teremos uma venda importante aos bolivianos. Se der qualquer coisa errada, adeus Américas. Será uma humilhação depois de tanta expectativa. Pense nisto! Você sabe que sou teu amigo e que a tua continuidade na empresa é também a minha.

- Os empregados também estão enfrentando problemas salariais. Não é apenas raiva da chefia. Por falar nisto, como está a solução da questão remuneratória? Todos já estão com os salários em dia?

- Os salários estão em dia! O problema é na parte por fora da carteira. Como os valores no mercado estão muito altos, se tivermos que pagar todos os impostos iremos quebrar. Esta é uma solução padrão que qualquer empresa no nosso setor adota, para combater o Custo Brasil. Na hora de assinar, todo mundo quer ser esperto e achar que está dando uma volta no governo. Então, que assumam o risco, ora bolas!

- Mas, e a multa? Como vamos cumprir com esta obrigação. Maldita hora em que aceitei a sugestão de vocês de fazer um contrato longo e com multa alta, já que foi assinado como sendo com uma PJ.

- Mas, presidente, era nossa única alternativa. Se não fosse assim, ela não viria. Naquele momento, precisávamos dela. Foram as suas condições. Fazer o quê? Mas, o pior foi quando ela pediu para sair no final do ano e exigiram que ela cumprisse aviso prévio. Assim, perdemos a chance de ouro de trocar de coach sem custo.

- Você sempre aceitando as condições que te impõem, não? Veja o custo que teremos quando resolveu trazer aquele novo funcionário, o Vágner? Queria entender que negociações são estas que sempre entubamos qualquer pedido. Pois bem, inicie o processo de fritura da Geni. Faça com que ela peça para sair.

Passaram-se alguns dias e as reclamações contra a gerente do Projeto Américas não cessavam. Vinham de todo canto. Ela parecia ser realmente uma pessoa bastante difícil de se lidar. Porém, ninguém suportava tanta pancada quanto ela. Era inacreditável como apanhava e continuava firme. Qualquer outra pessoa já teria saído, mas a Geni era orgulhosa e apegada demais ao cargo para isto.

Estava se aproximando o dia da reunião de venda para os bolivianos. Diante da ameaça de greve, a presidente autorizou que contratassem um novo gerente. Teria que ser alguém com habilidade de relacionamento interpessoal, alguém que fizesse a equipe suar por ele.

No dia da importante reunião, a presidente convocou a diretoria para anunciar que havia contratado o Natal, mas ele só poderia assumir após a reunião com os bolivianos. Aproveitou e pediu que alguém fizesse a informação chegar aos funcionários de forma extraoficial, naturalmente.

Tudo teria dado certo se a notícia não tivesse se espalhado. Todo mundo sabia que um novo gerente havia sido contratado. Que grande confusão! O pior é que para remediar, aquela diretoria trapalhona conseguiu piorar tudo. Quando a presidente quis entender porque motivo a informação teria vazado, o diretor de projetos explicou assim:

- Para variar falou espírito de equipe. Cada um chamou sua Candinha predileta e pediu sigilo que sabíamos que não iria ocorrer. Como muitas Candinhas foram avisadas, não demorou para que até mesmo jornalistas especializados fossem avisados. Ficamos apavorados e entramos em deadlock. Para espalhar a notícia,  todo mundo se ofereceu, mas na hora de alinharmos uma solução ninguém se apresentou.
- Luís, novamente agradeço sua franqueza, mas, diante da situação, para que eu possa tirar a Geni, preciso do seu cargo. Será a minha desculpa. Pode ficar tranquilo que assim que a poeira baixar te arrumo outra boquinha por aqui.

Assim foi feito! A presidente aproveitou a reunião e pediu o contrato do Natal para assinar e de novo lá estava um contrato de longo prazo com uma PJ e contendo multa rescisória. Ao perguntar o motivo, veio a explicação do diretor financeiro:

- É porque foi a exigência dele. Não tivemos alternativa!

É... parece que não tem jeito. Os mesmos erros continuarão a acontecer. Ainda bem que a empresa é gigante para suportar tantos problemas e a atual administração não ficará lá para sempre.

Não se sabe como, mas mesmo diante de tanta incompetência, no final as coisas acabam dando certo. Não duvido nada que a atual crise gere a união que faltava para que a empresa se torne, neste ano, a líder do setor em toda a América do Sul.

 FLAmém!


PS: Esta é uma história de ficção, afinal coisas amadoras assim jamais ocorreriam em qualquer organização, não acham?


PS2: Para quem estranhou um blog rubro-negro nas cores azul e vermelho, basta ver a camisa do Joel em sua reapresentação.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A MONTANHA

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


(...)
Rezas sobre os desertos e as areias,
Sobre as florestas e amplidão marinha;
E, ajoelhadas, rodeiam-te as aldeias,
Mudas servas aos pés de uma rainha.

Ardes, num holocausto de ternura...
E abres, piedosa, a solidão bravia
Para as águias e as nuvens, a acolhê-las;

E invades, como um sonho, a imensa altura,
-Última a receber o adeus do dia,
Primeira a ter a benção das estrelas.
(Trecho do Poema "A Montanha"
 de Olavo Bilac)

Após a boa vitória da garotada cheia de disposição no estadual, logo mais será a vez dos titulares estrearem oficialmente em 2012. A jornada irá começar por um jogo completamente atípico. Em 90 minutos decidiremos nosso destino, nosso futuro no ano, com o time ainda fora de ritmo e enfrentando condições indignas para a prática esportiva. Tudo isto já seria naturalmente complicado, mas o Flamengo resolveu tornar tudo ainda mais difícil a julgar pelo clima bélico que a imprensa vem retratando quando se refere aos nossos bastidores.

Quem está tranquilo achando que o Real Potosi é um Bonsucesso das alturas e que, com um time pior do que o atual, não perdemos para eles em 2007, lembro que, um ano depois, eles meteram cinco no Cruzeiro. Mas, o maior problema não é o adversário e sim as condições adversas em que o jogo será realizado. Logo, não é momento para mi-mi-mi. Se não for possível seguir na técnica, vamos na raça! Não é hora de questionar a quantidade de volantes, teremos o ano inteiro para isto. Ao invés de ficar pedindo para colocar juventude em campo, é preferível torcer para que sejam escalados aqueles que tenham mais disposição e que melhor se adaptem aos efeitos da altitude. Aliás, ar rarefeito não costuma combinar com a afobação e correria desnecessária, típica de jovens.

As escrituras já diziam que a fé pode mover montanhas. Então, vamos acreditar! Vamos nos unir em favor do Mengão. Deixem a nossa crise ser curtida pela galera do arco-íris, enquanto nós celebramos as nossas vitórias. Já que estaremos mais perto do céu, que tal aproveitar para fazermos aquela corrente com São Judas Tadeu?

Montanhas exprimem a ideia de pureza e estabilidade. É tudo o que precisamos para acalmar a guerra de egos da Gávea. Também transmitem a imagem de grandeza e de imutabilidade, que demonstram que o Flamengo está acima de interesses individuais. Além disto, representam o orgulho - orgulho de ser rubro-negro!

No passado, tentamos ir até a FIFA para não voltarmos à montanha, então a montanha veio a nós. Ao avançarmos, sabemos que ela se aplainará, tal qual nossas dificuldades. #ParaCimaDelesMengo Com vontade e determinação, podemos transformar a montanha de obstáculo em caminho, em nosso primeiro passo rumo à reconquista das Américas.


Nossa Magia está em nossa fé!
#Bi-Mundial, Eu acredito

FLAmém!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

UM LOCAL MÁGICO PARA SE FALAR DE FLAMENGO

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Sem vontade de ficar fornecendo page-views à indústria do F5, irritado com os recentes acontecimentos no Flamengo, indignado com os desmandos e confusões da diretoria, inconformado com jogadores que não possuem orgulho de vestir o manto e torcendo para que eles fiquem bem longe do clube, resolvi me afastar um pouco e curtir uma espécie de retiro espiritual rubro-negro. Pois, foi sentado à beira do lago, brindando em meu cálice sagrado, que fui surpreendido pela presença de um gênio saindo de minha caneca.
  
 
Após o susto, preparei-me para os tradicionais 3 pedidos. Queria um atacante, um zagueiro e o título mundial. Ou seria melhor pedir um jogador e os salários em dia, além é claro do bi-mundial? Porém, tratava-se de um gênio diferente. Cortou-me logo o barato dos desejos. Pronto!
"Quando a fase não é boa...." - pensei

Ele disse que estava lá para recuperar minha alma, minha fé. Queria mostrar a importância do SER em detrimento do TER. Após o espanto inicial, concordei que era exatamente isto o que eu buscava. Assim, a criatura estalou seus dedos mágicos e nos levou para um escritório. Era um ambiente agradável, parecido com uma redação de jornal, mas com um jeito informal, lembrando uma casa, um bar, uma sala de estar. Típico local onde trabalho e diversão conviviam em perfeita harmonia. Adorei de cara! A energia era super positiva.
  
Apresentando-me ao grupo de magos que lá se encontrava, o gênio chamou o mais experiente, aquele com mais tempo de emoções flamengas e pediu para que ele falasse sobre o Flamengo. ALÊ, como era carinhosamente chamado pelos outros, com sua voz determinada e calma e seu reconhecido talento com as palavras, foi logo dizendo:

- O Flamengo tem o perfil de luta que as adversidades exigem, não se curva diante das dificuldades, buscando na alma e no suor dos jogadores a sintonia com a paixão e o clamor de sua Imensa Nação. Na linguagem popular, quando não dá na bola, ganhamos na raça, como no tempo do Valido, do Almir, do Doval, do Rondinelli e do Nunes, todos impulsionados pela energia da Magnética. O Flamengo não é um time de guerreiros, um modismo, alguns momentos, algumas fotos de lembrança. O Flamengo é uma sequência de batalhas vencidas, uma história de vitórias, uma superação permanente, um filme antológico. O Flamengo não é uma partida desafiadora, uma competição isolada, uma página ou duas. O Flamengo é uma sucessão de desafios, uma hegemonia de títulos, vários capítulos de um livro sobre êxitos e glória. Não precisamos de um motivo, de uma razão maior para mostrarmos as garras do nosso instinto vencedor. Somos o motivo!
 
Não era à toa que ele era reconhecido por sua sapiência. Enquanto eu ainda pensava na perfeição do que acabara de escutar, exclamei que aquilo tudo parecia magia! Foi a deixa para os dizeres de um mago oriental, o CHINA:

- Magia está ligada a encanto, feitiço e fascínio. Tudo o que envolve o nosso universo rubro-negro! Nossa camisa é mística. Somos o pesadelo dos matemáticos. Só queremos que o nosso time seja valente, honre a camisa, faça jus ao amor incondicional que nutrimos pela entidade e que sempre jogue com o coração e com muita raça. O Flamengo é a nossa religião.
  
E, sucessivamente, os demais foram falando, aproveitando a deixa um do outro:
 
- Fé mesmo eu tenho no Flamengo. Falem o que quiser. Digam o que bem entenderem: O Flamengo move montanhas. É uma força da natureza e, sem dúvida alguma, "venta, chove, troveja e relampeja". Se a partida parecer perdida... se os narradores, especialistas e secadores de plantão não acreditarem em uma virada... Eu e uma nação teremos na mística camisa rubro-negra, como dito pelo China, a proteção necessária. O manto sagrado nosso de cada dia nos dai hoje e sempre. Nossas vitórias já estavam escritas antes da criação do mundo. Coisas dos desígnios de Deus, que é Rubro-Negro. Com toda certeza! -
declamou VIVI, a poeta, com seu jeito alegre, dedicado, moleque e doce de ser e que sempre dá a impressão de levar realmente o Flamengo na alma.

- Vamos buscar energia onde parece não existir, fé onde a descrença impera e alegria onde o pranto insiste habitar. Quando os corajosos acreditam, o que era impossível torna-se real. Ainda bem que José Agostinho Pereira da Cunha, Nestor de Barros, Mário Spínola e Augusto da Silveira Lopes não desistiram após o naufrágio. Já imaginou o desgosto profundo, se faltasse o FLAMENGO no mundo? - falou JUSTINO, o rei-mago, em tom camarada, nos presenteando com aquele seu jeito amigo e absurdamente flamengo de ser.

- E o universo conspira a favor daquele que não precisa pedir que tenha paixão pelo time....o amor é Flamenguista. Faz parte da essência de todo rubro-negro este apoio incondicional. Até aquele membro da nação que reclama que chora que critica possui no coração latente a certeza de ser campeão! Meu amor é rubro-negro e sem ele eu não vivo, eu não respiro e não sou nada!  - disse MARCELLINHA, com seu jeito forte e suave ao mesmo tempo. O detalhe é que falava sem interromper o que estava fazendo, pois esta guerreira parece poder cuidar de tudo e de todos simultaneamente.

- O Flamengo nasceu com essa alma. O Flamengo nasceu para brilhar, para ser zombador, para desprezar com desdém os fatores contra e ainda sair cantando, soberano e doutrinador, as suas inúmeras vitórias a 4 cantos do Planeta! Nós, rubro-negros, nascemos acostumados a vencer os prognósticos contrários, a ensinar que se deve ter medo de uma simples camisa hasteada no arco, que você pode contar e recontar achando que estamos de igual pra igual, mas não, não com o Flamengo, porque aqui jogamos com 12... - nos brindou LIVINHO em sua confiança na imensa torcida do Flamengo, cheio de paixão rubro-negra.

Na mesma linha prosseguiu LEOMAGAMON, que parece viver o Flamengo, acompanhando-o sempre, sem perder detalhes e nos brindar com eles:
- Na nossa nação, eu sempre acredito. Somos os verdadeiros defensores do Manto Sagrado, e não adianta pedir que o mesmo ocorra em campo. Nossas lágrimas são verdadeiras, são sinceras, seja qual for a motivação. Eu acredito ...
... que podemos fazer a diferença.
... que podemos lotar qualquer estádio.
... que sem nós, o time se apequena.
... que o meu grito pode empolgar.
... que a minha reza pode colocar uma bola que fatalmente escaparia, pra dentro.
... que milhares de mãos postas a frente, tremulando, possam sim passar todas as boas energias.
... que o maior patrimônio do Clube de Regatas do Flamengo é, sempre foi, e sempre será a sua torcida!
O Flamengo, ao longo de seus 115 anos, conquistou o maior patrimônio que um clube pode possuir: a sua inigualável e invejável torcida. Essa conquista se deu por todas as suas glórias, de um passado recheado de títulos, de um presente glorioso e um futuro que será igualmente repleto de conquistas e triunfos. A força dessa torcida não se mede apenas em termos de números absolutos de torcedores, mas sim pela paixão que nós rubro-negros dedicamos ao nosso clube. Essa paixão não tem distância ou obstáculo algum que possa fazer diminuir ou arrefecer o nosso amor. - foi a vez de NIN dar o seu recado rubro-negro, enquanto trocava magicamente de pele, sobrepondo um manto sagrado ao outro, numa verdadeira e recheada coleção.

- Independente de jogadores, diretores, presidente ou o que aconteça nos campeonatos, estaremos sempre unidos pelo Flamengo, pela instituição que amamos. Nossa união é pelo clube que desperta amor em 40 milhões de brasileiros apaixonados, representando um grito daqueles que passam horas em filas para comprar ingresso e feita por quem canta embaixo de sol ou chuva apoiando seja quem estiver com o Manto Sagrado, por quem se desloca aonde for por ele, e, acima de tudo, por aqueles que não desistem nunca desse clube chamado Flamengo! - sentenciou KAROLL, a eclética!

- Amor verdadeiro é aquele que se ama sempre, nos momentos bons ou ruins. Aquele que se afasta, nunca amou e, por isso, sou Flamengo e jamais me afasto desse amor verdadeiro. Quando existe algum problema no cotidiano, então eu amo incondicionalmente. E nessas horas é que separamos os que amam de verdade, dos que dizem ser flamenguistas. Há quem compare nosso amor pelo Flamengo com uma droga, como um vício em que cometemos loucuras para acompanhá-lo, nos atordoamos com alguma derrota, sofremos com a sua ausência, temos euforia com as vitórias, e cada vez queremos mais e mais! - depôs NAYRA, a polivalente, que por causa de seu compromisso com o Flamengo, parece ser onipresente. Dizem que para acompanhá-la é preciso ter muiiiiiiito fôlego! Haja disposição!

- Eu tenho pena de quem não é Flamengo. Chega a dar dó dos minúsculos seres da arcoirizada que, de tão apequenados pela inveja, deixam de torcer pelos seus clubes para secar o Mais Querido. E eles não aprendem jamais. É capaz de nem saberem onde seus medíocres times se encontram na tabela. Porém, têm a ciência exata de que quem os empala está muito acima de suas carcaças. E o Mengão não tem pudor mesmo e segue atropelando todos os que aparecem em frente aos seus trilhos. Então, quem não teve a possibilidade de experimentar esse sentimento indescritível, essa emoção maravilhosa de ser Flamengo, perdoe-me. Porque fazer parte desta Nação é para muitos e não poucos. É privilégio de quem nunca renuncia a uma paixão e aceita que um título não é tudo, nem é um fim, apenas o recomeço. Pois a cada jogo, a cada obstáculo, o amor não se repete, apenas se renova para permanecer sempre original. Eu tenho pena de quem não é Flamengo... - tripudiou CAZÔ em seus roteiros que misturam poesia aos ensinamentos práticos que o Flamengo lhe proporcionou.

Depois de presenciar um time todo de magos, do 1 ao 11, abrir o coração rubro-negro para transmitir a emoção de ser Flamengo, minha fé renasceu. Esqueci o tempo presente e voltei a nutir esperanças. Há algo maior do que as trapalhadas do dia-a-dia, há uma força que mantém o Flamengo caminhando para o topo, sempre! E lembrei-me de que quanto mais confiante estamos, maiores são os tropeços causados por nosso próprio gigantismo. Porém, quando tudo parece caminhar para uma tragédia, o urubu, tal qual a fênix, ressurge, ainda mais forte, ainda maior e nos mostra a alegria de ser Flamengo. Esta é minha crença. Esta é a Magia de ser rubro-negro.


Quando parecia que tudo tinha terminado, eis que surge o décimo-segundo mago. Tal qual os três mosqueteiros que eram, na realidade, quatro, um time do flamengo terá sempre 12 participantes. Foi quando olhei para a parede e observei que o calendário retroagia a janeiro de 2011 e TITO inaugurava assim um espaço mágico, monotemático e apaixonante. Nascia ali o MAGIARUBRONEGRA.COM.BR:

- É com olhos marejando que eu abro este endereço hoje: http://www.magiarubronegra.com.br/. Não é uma sensação de trabalho feito. Ele está apenas começando. É a mais pura e bela certeza de participar de algo enorme e que tem qualidade imensurável por conta de cada pessoa dessa equipe de apaixonados Cidadãos rubro-negros. Tudo o que queremos é, cada vez mais, publicar melhores matérias, fotos, vídeos, crônicas, histórias, cartuns e o que de bom houver para nós, para vocês e para o Mengão, nossa razão de ser. Queremos a participação de vocês com seus comentários, opiniões, sugestões e críticas. Sempre! Galera do Magia, hoje é um dia de grande alegria. Gostaria que cada rubro-negro sentisse a mesma felicidade que eu estou sentindo neste momento, enquanto escrevo esta tentativa de texto de estreia do site. Gente, é pura Magia! A Magia de uma só Nação!

Agradeci ao gênio o fato de ter me proporcionado estes verdadeiros ensinamentos e a oportunidade de me juntar algum tempinho depois a essa galera maravilhosa, que se dedica de corpo e, principalmente, alma a transmitir dia após dia, o que representa ser Flamengo. E tudo tendo como objetivo você, caro leitor, querida leitora. Estamos aqui para curtir nosso amor rubro-negro. Junte-se a nós! Venha se emocionar, se revoltar, torcer e, principalmente, se divertir conosco. O Magia também é seu! Comente, divulgue nas redes sociais e nos mostre que está presente para que possamos comemorar juntos muitos e muitos anos deste site.

Unidos em nossa fé rubro-negra, somos imabatíveis!
 
FLAmém!

PS: O texto é uma homenagem ao aniversário de um espaço cibernético que tão bem me acolheu e do qual tenho o maior orgulho de fazer parte. Por nossas páginas passaram bem mais do que os 12 magos escolhidos, mas que, por eles, estão representados. A seleção de apenas 12 foi simbólica para representar tanto nossa torcida quanto o ano corrente.

PS2: O site com domínio próprio e layout atual entrou no ar em 16 de janeiro de 2011, porém o Magia Rubro-Negra foi criado bem antes - em 2007 por Fernando Holanda e Fábio Justino, ídolos de toda nossa equipe.

PS3: No aniversário do site foi ao ar um presente do Magia para você: uma matéria exclusiva, mostrando as obras do novo Centro de Treinamento do Flamengo - O Ninho do Urubu! Se você ainda não conferiu, curta aqui.

PS4: Escrito especialmente para o Magia Rubro-Negra