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quinta-feira, 7 de junho de 2012

REVOLUÇÃO RUBRO-NEGRA

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


Dentro do princípio de transparência que sempre procuro me pautar, aviso a todos os leitores que resolvi aderir a um projeto político no Flamengo. Sou um dos elaboradores do Plano de Gestão do movimento denominado Revolução Rubro-Negra. 

Antes de falar do movimento em si, comunico que pretendo continuar escrevendo no Magia Rubro-Negra e no Saudações Rubro-Negras, sempre às quartas-feiras, com a finalidade de abordar com mais profundidade temas relacionados à gestão do futebol. No entanto, não quero fazer palanques políticos destes espaços virtuais. Meu objetivo é o de qualificar o debate sobre o futuro do Flamengo. Propor alternativas viáveis. Jamais ficar de picuinhas e ataques.

Continuarei torcendo pelo sucesso da gestão da Patricia, como sempre fiz, porque isto significa o sucesso do Flamengo, que está acima, muito acima, de qualquer interesse político. Continuarei torcendo desesperadamente pelo hepta, ainda mais que ficamos livres da influência negativa do Ronaldinho (aliás, fiz um artigo relembrando sua passagem por meio da releitura de vários blogs). Há pouco, mantivemos nossa invencibilidade e continuamos sem vencer ou perder no campeonato. Aos mais pessimistas, lembro que faltam apenas 42 pontos para o ano terminar sem traumas.

***


Hoje abro uma exceção para poder explicar um pouco mais a ideia do movimento, que chamamos de Revolução Rubro-Negra e que pretende ser um aglutinador de todos aqueles que querem construir um Flamengo com profissionalismo, para que o Clube volte a ocupar o lugar que merece no cenário mundial. 

O mote principal da campanha será um só: um choque de gestão profissional. Os dirigentes amadores ficarão alijados do processo operacional e o clube será gerido por um CEO (diretor executivo) contratado e remunerado conforme regras de mercado. Abaixo dele, entre outros a ser determinado pelo próprio, destaco três executivos:
  1. Futebol
  2. Esportes Amadores
  3. Fla-Gávea 

As áreas serão autônomas e as duas primeiras geridas como negócios. Excetuando-se o remo (exigência estatutária), os demais esportes terão que se auto-sustentar. Já o responsável pela Gávea, será uma espécie de síndico. 


Em uma época em que isto fazia sentido, dirigentes perderam casamentos pelo amor ao Flamengo e tiraram dinheiro do próprio bolso para resolver históricos problemas de fluxo de caixa. O Flamengo foi construído por aqueles senhores de idade que frequentam o clube e a eles devemos todo nosso respeito. 

O modelo amador fez o Flamengo chegar aonde chegou e não se pretende ignorar ou desrespeitar um passado de tantas glórias. Porém, a verdade é que este modelo se esgotou. Não dá para imaginar um clube forte e vencedor, fazendo negócios com grandes corporações (parceiros, empresas de mídia, fornecedores, patrocinadores, etc.) sem um choque de gestão profissional.

A gestão do Flamengo tem que ser independente de opinião, de pessoas, de modismos. Tem que se ater a princípios impessoais, conhecidos como princípios de governança corporativa, que não são negociados e não dependem de circunstância ou tipo de indústria. 

O Flamengo precisa estruturar sua gestão com o rigor exigido a qualquer corporação que, tal como o clube, movimenta altos valores financeiros e mexe com a vida de tanta gente. Precisa sanear seus departamentos, reorganizar seus processos, mudar sua cultura interna, isentar as decisões de influências e interesses pontuais, dar um norte claro de que a dinâmica mudou


Assim, faço um convite para que acesse o site http://www.revolucaorubronegra.com.br e conheça detalhadamente as propostas de políticas administrativas, de pessoal, financeira, planejamento, marketing, esportiva, patrimonial e de relacionamento, além dos códigos de ética e manuais de conduta. Está tudo lá! Se gostar, entre em contato e venha fazer parte desta Revolução


 FLAmém!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

CLUBE AMADOR, GESTÃO PROFISSIONAL por Walter Monteiro

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


No artigo que pode representar o encerramento da série de reflexões sobre o Flamengo, o Walter Monteiro nos fala mais sobre a necessidade da gestão de um clube ser profissional. Aproveito para desejar-lhe boa sorte no projeto de transformar o Flamengo no clube de seus sonhos. Será que o sonho que ele apresenta aqui também não seria seu, caro leitor?


Reflexões sobre o Flamengo 
Parte 5
CLUBE AMADOR
GESTÃO PROFISSIONAL


No artigo anterior eu chamara atenção para as desvantagens de se transformar o Flamengo em uma empresa comercial de capital aberto, mas concordava com o conceito de que o rigor exigido para a abertura do capital deveria servir de modelo para a gestão do CRF.

E, de fato, nada impede de que um clube ou qualquer outra entidade sem fins lucrativos empregue em sua administração as boas práticas de governança corporativa.

Aliás, exemplos não faltam. Vamos pegar o caso do Real Madrid. Pode ser que o leitor já tenha ouvido falar no lendário Florentino Perez, que dá entrevistas como presidente do clube e a quem se atribui a fase áurea do time, com a contratação de estrelas “galáticas”, como ele mesmo gosta de dizer.

Mas o fato é que o presidente manda muito pouco no Real Madrid. Para ser mais exato, ele e seus colegas de diretoria (“junta directiva”) sequer são identificados no organograma oficial do clube (clique na figura para ampliá-la):

Não quero insinuar que Florentino Perez seja uma figura decorativa. Mas, como estamos na Espanha e em um clube que homenageia a monarquia, vamos dizer que ele é uma espécie de Rei Juan Carlos. O rei espanhol é formalmente o chefe de estado e representa institucionalmente o país, inclusive cumprindo funções protocolares, como “editar” decretos e leis, mas todo mundo sabe que quem comanda a Espanha é Mariano Rajoy, que nós brasileiros chamamos de “primeiro-ministro”, mas os espanhóis chamam de Presidente del Gobierno.

O que o Real Madrid nos ensina é que a forma moderna de gerir um clube é transformar o presidente em um representante puramente institucional, mas delegar INTEIRAMENTE as decisões cotidianas a um grupo profissionalizado, qualificado e dignamente remunerado. Se alguém duvida que seja assim, recomendo que volte a ler o organograma, que fala por si só.

A pergunta que venho me fazendo há anos é qual a dificuldade de implantar um modelo assim no Flamengo. Há quem diga que o estatuto social não permitiria. Ledo engano: o estatuto, ao contrário, expressamente autoriza que o presidente possa se fazer representar por procuradores.

E, de mais a mais, não seria uma questão formal que atravancaria o progresso. Bastaria encontrar dirigentes que se conformassem com o seu papel puramente institucional e firmassem um pacto de se afastar de vez da gestão do Flamengo, delegando-a aos executivos contratados. Se há quem advogue que se faça isso através de uma S/A, qual o empecilho para agir do mesmo modo na instituição sem fins lucrativos?

O desafio central para os rubro-negros é convencer o quadro social a concordar que a gestão do clube seja comandada EXCLUSIVAMENTE por diretores executivos.

Há muita gente bem intencionada, preparada e até maravilhosamente qualificada que poderia, sim, assumir a direção do clube e, quem sabe, cumprir um mandato promissor. Mas a tendência, infelizmente, não é essa.

A experiência vem mostrando que mais cedo ou mais tarde, o lado torcedor do dirigente acaba falando mais alto e decisões são tomadas com base na impulsividade, na emoção e sem a devida reflexão. Por isso precisamos separar, definitivamente, a gestão e a paixão. Precisamos aposentar o modelo amador e reinventar o Flamengo, a partir de uma gestão profissional.

Eu tenho esse sonho. E vou persegui-lo.

Walter Monteiro
Embaixador Oficial do Flamengo no Rio Grande do Sul, sócio-proprietário do clube (mesmo morando em Porto Alegre) e escreve a coluna Bissexta no Blog Ouro de Tolo.

PS: Quando eu iniciei essa série de artigos, havia planejado escrever uns 15 artigos, tratando de temas variados sobre o futuro do Flamengo. Eu não estava envolvido com a política interna do clube, por isso me sentia à vontade para escrever livremente.

Mas a ótima repercussão desses textos ajudou a agregar mais gente comprometida em torno do mesmo ideal. Daí nasceu o movimento REVOLUÇÃO RUBRO-NEGRA, que pretende se apresentar às eleições em dezembro propondo exatamente isso que acabo de defender, um choque de gestão profissional, um profissionalismo radical.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O BALANÇO DO FLAMENGO PARA LEIGOS (Aula 2)

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!
 
   
O Professor Pacioli* começa sua segunda aula sobre análise das demonstrações contábeis do Flamengo no Curso de Contabilidade para Leigos, dizendo:
- Olá, pessoal!  Em nossa primeira aula, nós vimos os principais pontos das demonstrações contábeis do Flamengo. Confesso que eu mesmo fiquei favoravelmente surpreendido. Claro que se fosse de uma S/A, eu não recomendaria a compra de ações, mas os números indicam que a situação melhorou. Não diria que ela é boa, mas já foi bem pior.
   
Ressalvas dos Auditores
O professor deu um tempo para que todos se acomodassem nos respectivos assentos e refletissem um pouco sobre o que acabara de dizer. Após a pequena pausa, continuou:
- Hoje iremos ver alguns pontos obscuros e alguns problemas que aparecem nas demonstrações do Clube. É obrigatório que sejam divulgadas junto com um parecer feito por uma empresa de auditoria independente. Como não temos acesso aos documentos que deram origem aos números apresentados, em qualquer análise temos sempre que ler o que disseram os auditores.
    
   
Pacioli, então, mostra um slide, no qual aparece a parte final das demonstrações contábeis e lá está o "Relatório dos Auditores Independentes Sobre as Demonstrações Financeiras". Ele diz:
- Vamos entender o que os auditores disseram. Logo no início, no item 3.1, lemos que "a circularização dos fornecedores, dos bancos, dos empréstimos bancários e dos principais credores não foi respondida a tempo". O mesmo ele fala sobre os advogados do clube em relação aos processos judiciais. Mas, o que será essa tal de "circularização" e qual o problema disso?
 
Enquanto os alunos refletem e tentam imaginar o significado dessa ressalva, o professor continua sua explanação:
- Circularização é uma das principais técnicas de auditoria utilizada para investigação e confirmação dos dados apresentados. Consiste em revalidar junto a terceiros envolvidos a veracidade dos documentos, os valores apresentados e as estimativas feitas. Assim, o auditor determina que a auditada (o Flamengo, no caso) envie uma carta (ou email) para terceiros solicitando informações para efeitos de auditoria. Esta carta deve ser respondida diretamente à empresa de auditoria, para diminuir o risco de fraudes.
 
Um aluno levanta a mão e pergunta:
- Professor, então podemos dizer que há uma falha da empresa de auditoria por não ter solicitado as cartas em tempo hábil? 
 
- Não - responde o professor - O tempo provavelmente foi suficiente para que houvesse alguma resposta. O problema é que, por algum motivo, os terceiros não responderam. Em outras palavras, não é possível confirmar se alguns dos principais números do Balanço são reais. Assim, os bancos, por exemplo, não confirmaram os saldos devedores dos empréstimos ou se haveria alguma outra conta não analisada, os fornecedores não ratificaram os saldos existentes no contas a pagar, bem como os advogados do clube não corroboraram os passivos judiciais, que sabemos serem críticos no Flamengo. Isto é inaceitável. Há quem defenda que a falta de confirmação de saldos nas circularizações deveria ser objeto de um parecer com "abstenção de opinião" (quando o trabalho de auditoria não pode ser realizado) e não com "aprovação com ressalvas" (impropriedades que não comprometem as demonstrações). O pior é que no balanço de 2010 ocorreu a mesma coisa.
   
     
Após ver a cara de espanto em alguns alunos e de estranha naturalidade em outros, o professor falou à plateia:
- Também vale o destaque das quartas e quintas ressalvas. No primeiro caso, é informado que o clube ignorou nos números apresentados uma multa de aproximadamente R$ 33 MM aplicada pelo Banco Central, decorrente de infrações cambiais, por ter recorrido da decisão. Como não há garantia da vitória no recurso administrativo feito pelo Flamengo, o valor deveria sim ter sido contabilizado pois é recomendado que as demonstrações sejam conservadoras, nunca antecipando lucros e sempre prevendo possíveis prejuízos. No outro caso, os auditores informaram que não têm como confirmar a provisão R$ 8 MM feitas para as perdas. Ou seja, o clube previu uma inadimplência no valor acima e a auditoria não conseguiu confirmar se a mesma poderia ser maior.
    
Receita da TV e antecipações
- Outra coisa interessante a observar é o crescimento da receita de TV já no Balanço de 2011. Como vimos, o novo contrato de transmissão foi o principal responsável pela melhora dos indicadores. Mas, o contrato não seria válido somente a partir de 2012? Como a receita em 2011 pode ter aumentado?
    
Alguns alunos responderam que a mesma só poderia ter sido adiantada. Então, o mestre pega um slide e diz:
   
   
- Vocês se lembram na aula anterior quando expliquei o regime de competência? Assim, uma receita só poderá ser lançada como resultado no exercício a que se referir. Ou seja, mesmo que haja antecipação, o valor aumenta o caixa, mas não é considerado receita ainda. Logo mais veremos como se faz tal lançamento. O que importa aqui é que não foi apenas o Flamengo que já aumentou a receita no ano da assinatura do contrato (e não a partir de sua vigência). Por isto, minha suposição é de que tenha ocorrido alguma luva para que alguns clubes (não todos) assinassem. A do Flamengo deve ter sido próxima a R$ 50MM, como podem observar no quadro (figura acima).
    
 
- O problema é  que algo relevante assim deveria ter sido melhor explicado. Do contrário, cada um supõe alguma coisa. O lugar correto é nas notas explicativas. Como o próprio nome revela, servem para explicar alguns números. Elas ficam logo abaixo dos demonstrativos e acima do parecer de auditoria, já visto.
   
- Mas, já que alguns aqui presentes tocaram no assunto da antecipação, ela realmente existiu. Como só será receita no futuro e, antecipadamente, entrou no caixa, os manuais de contabilidade recomendam que a contra-partida seja uma conta do passivo. No Balanço do Flamengo, podemos ver as contas Receitas a Realizar no circulante (ou seja, o que foi antecipado de 2012) e Receitas Diferidas (que só irá se tornar receita nos anos subsequentes, pois estão no Exigível a Longo Prazo).

- Agora, algo estranho é a comparação das receitas antecipadas com o contas a receber. E aí eu não consigo nem fazer suposições, exceto a de que o próximo presidente poderá ter problemas de fluxo de caixa.
Conclusão
Um aluno, então, pergunta:
- E qual foi afinal sua conclusão, professor?
 
- Só a de que os demonstrativos do Flamengo são complexos demais para qualquer um fazer um diagnóstico preciso, qualquer que seja este diagnóstico. Mas, foi um bom exercício. Se algum de vocês quiser volto ao tema desenvolvendo mais algum conceito. Comentem aí!.
 FLAmém!


* Pacioli - escolhido para ser o nome do professor é uma homenagem a Luca Pacioli, um frei franciscano que é considerado o pai da contabilidade moderna. Ele, em um livro escrito em 1494 (ou seja, quando o Brasil ainda era dos índios), descreveu pela primeira vez o "método das partidas dobradas", que é a base dos lançamentos contábeis até hoje, segundo o qual todo débito corresponde a um crédito de mesmo valor. A consequência disto é que o total de débitos será sempre igual ao total de créditos e o ativo será igual ao passivo, mas aí já é um post para um blog contábil, certo?


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Reflexões sobre o Flamengo (Parte 3) SÓCIO OFF-RIO, O JEITINHO BRASILEIRO EM VERSÃO RUBRO-NEGRA por Walter Monteiro



Nos textos anteriores falei sobre projetos de sócio torcedor de um modo geral. No CRF, como se sabe, não há essa modalidade, nem se tem conhecimento de que se venha a criá-la em curto prazo. Em paralelo, há algo que guarda alguma semelhança com o sócio torcedor, que é o chamado sócio Off-Rio (ou contribuinte estadual, na definição apropriada).
  
Está lá na página oficial do clube para quem quiser ver. Quem mora a mais de 100 quilômetros do Rio de Janeiro (o site não deixa claro, mas presumo que seja a cidade) pode se tornar sócio pagando apenas R$ 40,00 por mês. Em troca, recebe uma carteira de sócio estadual, adquire o direito de frequentar o clube até 30 dias por ano, recebe publicações e informações sociais quando publicadas, participa de promoções e eventos quando forem promovidos. E, claro, a jóia da coroa: vota para Presidência e Conselhos, depois de cumprida a carência de 3 anos.
  
Há tempos eu vinha emitindo alguns alertas acerca da precariedade desses direitos de voto dos sócios Off-Rio, para os quais não há previsão estatutária, mas eu desisti de insistir no assunto. As reações dos meus interlocutores eram tão raivosas, tão fundamentalistas e tão enérgicas que eu me sentia tentando explicar a George Bush que talvez não houvesse armas químicas no Iraque. Desisti, cansei, deixa pra lá. Que fiquem todos confortáveis com suas crenças imutáveis.
  
Ou melhor, nem desisti tanto assim. Desisti de discutir, mas não de alimentar minhas dúvidas. Reuni o pacote de disposições do Estatuto Social do CRF que colocam em xeque a validade do sócio Off-Rio e encaminhei uma consulta oficial ao Conselho Deliberativo do clube, que a submeteu a uma comissão de juristas. Até agora desconheço o que dirá tal comissão, só torço para que digam que sim, que os Off-Rio possuem direito de voto. Isso trará paz para muitos.
   
O que me incomoda mais nessa temática do Off-Rio é que os defensores mais ardorosos de uma campanha associativa não são sócios dessa modalidade. São, quase sempre, sócios e torcedores cariocas, que olham para o Off-Rio como uma alternativa adaptada de um projeto de sócio torcedor.
   
O raciocínio é simples: ser sócio do Flamengo não é muito barato e para quem não mora nas imediações da Gávea frequentar o clube é algo fora de cogitação. Isso torna difícil convencer torcedores a pagar R$ 105,00 por mês para usufruir bem pouco da instalações. Entretanto, R$ 40,00 soa mais palatável, se encaixa melhor no orçamento dos torcedores, pois, afinal, esse é um valor aproximado do que cobram os programas de sócio torcedor comercializados por clubes rivais, como vimos no artigo anterior.
   
É daí que surge essa fixação - de gente bem intencionada, em sua maioria, faço essa ressalva – de concentrar os esforços de campanhas de associação em sócios de outros estados. É um modo bem brasileiro de lidar com as dificuldades: já que não há sócio torcedor à disposição, vamos aproveitar essa brecha do Off-Rio e aumentar o colégio eleitoral por essa via.

Não condeno quem o faça. Se a possibilidade existe, se as pessoas realmente acreditam que é aumentando o colégio eleitoral que se mudará o clube, que sigam em frente.

O que parece fora de questão é perguntar aos sócios de fora do Rio de Janeiro quais são, antes de mais nada, as suas reais necessidades. Eu mesmo, que morei a minha vida inteira no Rio antes de me mudar para Porto Alegre em 2007, não imaginava que a vida rubro-negra fosse tão difícil fora da Cidade Maravilhosa.

O torcedor Off-Rio, para começo de conversa, tem dificuldade de torcer. Sabe aquele domingão que tem um clássico Flamengo x Vasco pelo Carioca? Em Porto Alegre a TV mostra Grêmio x Ypiranga. Sabe o jogo de meio de semana pela Copa do Brasil contra o Horizonte? Em Curitiba o Sportv passa Atlético PR x Ipatinga. Sabe o jogo de estreia na fase de grupos da Libertadores que vai passar na Globo? Na Globo de Salvador vai passar Vitória x Itabuna.

Pensa que a vida melhora quando chega o Brasileirão? Engano seu. Quem mandou Flamengo x Palmeiras ser às 16h, mesmo horário de Portuguesa x Atlético MG? O flamenguista de Belo Horizonte vai ter que se contentar com o jogo do Galo.

Então, para quem mora fora do Rio, ou bem assina o PFC, ou ver o Flamengo passa a ser algo bissexto. Ou seja, lá se vão mais de R$ 60,00 por mês. E isso nem sempre resolve o problema....porque sabe aquele dia que a partida coincide com um compromisso qualquer e o torcedor carioca vai ouvindo o jogo no rádio do carro ou do celular? Pois é, quando isso acontece comigo, eu preciso me contentar com o jogo do Inter.

E até agora só falei de jogos pela TV. Porque quando se trata de jogos no estádio, aí mesmo é que o torcedor Off-Rio come o pão que o diabo amassou. Vou contar um caso real, relativamente recente.

Em 2010 o Flamengo jogou as Oitavas de Final da Libertadores no Pacaembu, contra o Corinthians. Sabem onde os sócios Off-Rio de São Paulo assistiram a partida? Em casa. Sim, os sócios Off-Rio foram obrigados a ficar em casa. Para facilitar o deslocamento dos torcedores cariocas, o Flamengo fez o favor de comprar antecipadamente toda a carga de ingressos visitantes e vendê-la na Gávea.

Esse episódio do jogo do Corinthians ilustra uma diferença marcante entre os sócios regulares e os sócios Off-Rio: o acesso privilegiado e antecipado à compra de ingressos. Sócio do Flamengo nunca fica de fora de jogo importante, nem passa aperto para comprar ingresso: basta ir na sede da Gávea e acessar a bilheteria exclusiva, que fica lá dentro do clube, ao lado da secretaria.

Além disso, lá na Gávea também vende toda a linha oficial de produtos do clube com descontos para os sócios. E quando há eventos, o sócio sempre é convidado a participar.

Digo essas coisas para evidenciar um aspecto que geralmente passa despercebido: mesmo para quem não frequenta a sede, o Flamengo oferece aos seus sócios cariocas alguns benefícios palpáveis e reais, em especial o mais relevante deles, que é a exclusividade na compra de ingressos.

Já para os Off-Rio, sejamos francos, a única coisa que o clube oferece em troca é um boleto de cobrança mensal. Nem a revistinha bimensal costuma chegar – desde 2009, só recebi 3.

E, sim, a chance de votar 3 anos depois de se associar. Desde que, claro, o sócio esteja disposto a faltar o trabalho e investir algumas centenas de reais no seu deslocamento até ao clube, pois não há votos on line ou por correspondência (e nem haverá enquanto não se mudar o estatuto, que expressamente prevê votação por envelopes nas urnas).

Portanto, a todos os que se enchem de esperanças de encontrarem hordas de sócios ávidos por doar R$ 480,00 por ano ao CRF apenas para figurarem na lista de eleitores em 2015, fica aqui meu conselho: não confundam o atual sócio Off-Rio com um projeto de sócio torcedor meio capenga. Ele é muito pior do que isso, é uma extorsão apelativa à paixão genuína da Nação.

Se realmente vocês estão empenhados em encontrar mais sócios a curto prazo, fixem-se na turma do Rio de Janeiro mesmo. Pelo menos para esses ainda se pode acenar com contrapartidas tangíveis. Nem que seja trocar a mensalidade do PFC pela do clube e assistir as partidas em um dos muitos bares que as transmitem. Porque, acreditem, até isso não é simples fora do Rio de Janeiro.


Walter Monteiro - Embaixador Oficial do Flamengo no Rio Grande do Sul, sócio-proprietário do clube (mesmo morando em Porto Alegre) e escreve a coluna Bissexta no Blog Ouro de Tolo.

PS: Para reler:
  1. O primeiro artigo da série: Sócio Torcedor, Mitos e Crenças
  2. O segundo artigo da série:  Ainda o sócio Torcedor, Seus Mitos e Suas Crenças

domingo, 6 de maio de 2012

O BALANÇO DO FLAMENGO PARA LEIGOS (Aula 1)

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


O curso era de contabilidade para leigos. Ao final, o Prof. Pacioli* informou que na próxima aula ele falaria sobre demonstrações contábeis e perguntou à turma qual empresa gostaria de analisar. A resposta da maioria foi que gostariam que ele utilizasse como exemplo o recém divulgado Balanço do Flamengo. Após breve hesitação, o professor topou dizendo:
- Não é uma boa escolha. As demonstrações de clubes não são, digamos, as mais acadêmicas. São difíceis de serem analisadas. O ideal seria utilizarmos alguma grande empresa, uma sociedade anônima, de preferência multinacional. Mas, tudo bem! Vou mostrar as particularidades e excentricidades de um balanço como o do Flamengo. É um baita desafio, mas eu topo! Numa outra aula qualquer mostro um balanço mais convencional, digamos assim, e vocês poderão notar as diferenças. Vamos começar por onde vocês têm mais curiosidade.

Receita

Dito e feito! A aula seguinte, sobre as demonstrações contábeis teve o Flamengo como objeto do estudo de caso. O professor começou perguntando aos alunos qual seria o item mais importante no orçamento doméstico, ou seja, na contabilidade da família de cada um qual seria aquele ponto que todos se interessariam em saber primeiro:
- Salário...Quanto ele ganha...Rendimento... Remuneração... e outras variações foram as respostas e tiveram um consentimento do professor.

- Perfeito, mas antes de falarmos do Flamengo, é importante que vocês aprendam uma regrinha contábil. Na contabilidade não se adota o regime de caixa, mas o de competência. Ou seja, consideramos as receitas no momento que são geradas, independente de terem sido recebidas. Para exemplificar, vamos imaginar a contabilidade de um assalariado, cujo salário seja pago no dia 5 do mês seguinte. Assim iremos considerar como receita o seu salário de dezembro, mesmo que ele só venha a receber em janeiro. Se o patrão dele ficou devendo uma parte de um salário, a contabilização da receita será pelo valor integral, mesmo que nosso pobre empregado não tenha visto a cor dessa grana. Por outro lado, se o empregador lhe antecipou um dinheiro das férias que só teria direito no próximo ano, esse valor não será computado na receita  Isto é importante para entender que nem tudo que aparece lançado como receita efetivamente entrou no cofre de uma empresa e que as antecipações, mesmo já tendo sido até gastas, não são consideradas receitas daquele exercício. O mesmo vale para as despesas e demais lançamentos.


Professor Pacioli continua a aula demonstrando a grande variação positiva da receita no DRE (Demonstração do Resultado do Exercício):
- Como vocês mesmo disseram, tudo fica mais fácil tendo mais dinheiro. No caso específico do futebol, com um faturamento maior pode-se ter um time mais competitivo. Então, por este item analisado isoladamente, o Flamengo foi muito bem. Observem o crescimento da receita de um ano para outro. Aliás, comparar os dois últimos anos é a primeira análise que é feita nos demonstrativos. O segredo para este sucesso foi o novo contrato de Direitos de Transmissão com a Tv. No entanto, de nada adianta olharmos números isolados. Precisamos entender sobre o setor e como todos sabem, no ano passado, o clube dos 13 foi implodido e o Flamengo negociou sozinho e em bases muito melhores. Nesta negociação, podemos confirmar com os números que a diretoria do clube foi bem sucedida.


- Ao analisamos algum tópico, o ideal é sempre fazermos comparações. Números precisam ser relativizados. Já falei na tradicional comparação entre os dois anos que obrigatoriamente são apresentados em qualquer demonstrativo contábil - o ano analisado com o imediatamente anterior. Mas, várias outras podem ser feitas, algumas são padrões, outras de acordo com a conveniência e objeto de estudo. Por exemplo, podemos comparar duas gestões. Como a atual diretoria está no poder há dois anos, vamos comparar o período com os dois primeiros anos da antiga administração. No slide, temos uma noção ainda maior de como os contratos de TV ganharam importância. Agora, observem a venda de jogadores e vejam que o que era um importante fator de renda para o Flamengo tornou-se praticamente irrelevante. O clube não depende mais da venda de jogadores. O próprio marketing que 10 entre 10 torcedores criticam e, em minha opinião, com toda razão hoje gera muito mais receita. Nos dois anos da gestão atual a receita foi superior a R$ 88milhões, contra R$ 53milhões em toda gestão anterior (3 anos). Se observarmos os balanços dos demais clubes veremos que o negócio futebol cresceu muito, daí a explicação! O grande mérito da atual administração do Flamengo foi ter se livrado da negociação conjunta dos direitos de tv e negociado o contrato individualmente. Do resto, foi beneficiada pelo mercado favorável.


Após uma pausa continuou: 
- Um outro item que chama a atenção é a arrecadação nas bilheterias. 2011 o Flamengo teve a menor receita com venda de ingressos dos últimos 5 anos. O clube arrecadou R$ 3milhões a menos do que o trágico ano de 2010. Ou seja, as campanhas feitas no final do ano passado para  levar a torcida ao estádio parecem que tinham todo sentido.

Despesa
- As receitas precisam ser analisadas em conjunto com as despesas. No caso de um clube endividado, este ponto é ainda mais crítico. O clube precisa gerar bom superavit primário, ou seja, tem que obter uma receita bem superior às despesas para poder quitar os juros. No caso do Flamengo, o crescimento das despesas de 2010 para 2011 (26%) ocorreu em um ritmo menor do que as receitas (43%). No entanto...


- Enquanto a receita bruta com o futebol cresceu praticamente 50%, as despesas subiram 57%. Ou seja, mesmo com um contrato bastante vantajoso na TV, o Flamengo não aproveitou para gerar dinheiro, conseguiu aumentar ainda mais os gastos e a rubrica de despesas gerais foi a que mais cresceu. Sabe-se que  houve investimentos no centro de treinamento. Espero que o grande aumento seja originado de investimentos. ** Espero que o grande aumento tenha sido gerado pelas instalações provisórias no CT (ex: aluguel de equipamentos) e outras derivadas e de caráter temporário.

O professor deu um tempo para os alunos assimilarem o que havia dito e apontou para os gastos com o social e com os esportes amadores.
- Olhem que a parte social e os esportes amadores dão prejuízo. Portanto, o futebol continua bancando o restante do clube, porém muito menos do que em 2010. Se compararmos com o ano anterior, quando o presidente era outro, podemos imaginar o que ocorreu em 2010 foi pontual pela falta de investimento na sede e nos esportes olímpicos durante bastante tempo, uma vez que os valores de 2011 voltaram aos níveis anteriores e em um patamar mais alto, o que é um indicativo de investimento, principalmente pelo recuo das despesas gerais. Para termos uma maior certeza, só aguardando o balanço de 2012.

Patrimônio Líquido


- No Balanço patrimonial de um lado temos os direitos e os bens da empresa, que chamamos de ativos. No outro, as obrigações, que são os recursos de terceiros e que, em contabilidade, chamam-se Passivos, além do Capital Próprio ou Patrimônio Líquido. Até 2010, o Flamengo tinha o que se chama de passivo a descoberto. Ou seja, nem se desfazendo de todo patrimônio e de tudo que o clube teria a receber tornava-se possível pagar todos os compromissos assumidos. Em 2011 isto se reverteu. O Flamengo finalmente voltou a ter um patrimônio líquido positivo.



- O segredo para que isto tenha ocorrido está aqui, na reavaliação imobiliária. Não se costuma fazer uso de expedientes deste tipo, mas no caso do Flamengo os investimentos feitos no CT e na sede social podem justificá-los. No entanto, houve um benefício com uma situação de crescimento exponencial nos valores dos imóveis na cidade. Haverá problema se este fato for uma bolha e estourar. Caso contrário, não vejo maiores problemas, exceto pela dúvida se a avaliação levou em conta características legais, como o de que a sede do clube está em um terreno federal e a venda não seria tão simples assim. Vale a ressalva de que o Flamengo precisará, desde então, fazer a reavaliação de forma periódica.

Endividamento
- Em um clube como o Flamengo, que sabidamente é endividado, quando se divulga o balanço, as primeiras manchetes são sempre sobre o valor da dívida. Isto sempre causa um temor na maioria das pessoas, porque em nossa vida pessoal só costumamos recorrer a empréstimos quando estamos no sufoco e aí pegamos aqueles juros absurdos dos cheques especiais e do cartão de crédito. No entanto, o endividamento é comum no dia a dia das empresas. Quanto maior a empresa, mais acesso a condições especiais de financiamento ela terá. Assim, é possível ter juros inferiores a rentabilidade do próprio negócio. Ou seja, muitas vezes é preferível pegar um financiamento (aqueles de longo prazo, para investir em projetos e ativos permanentes) do que colocar dinheiro próprio no negócio. Assim, o valor do endividamento sozinho, como as manchetes adoram explorar, não diz muita coisa.



- Observem que embora o endividamento do Flamengo tenha crescido, ele é proporcionalmente menor em relação ao faturamento, o que é uma boa notícia. A situação já esteve bem pior do que hoje.


- Outra comparação bastante válida quando falamos em dívida é observar o crescimento relativo a algum indicador. No exemplo, uso a comparação com a taxa de juros básica da economia. Se considerarmos que o Flamengo é um clube altamente endividado, é bastante provável que os juros dos empréstimos do clube sejam obtidos a uma taxa bem superior à Selic. O quadro demonstra que embora a dívida seja crescente, ela tem tido uma aceleração menor do que a Selic, o que representa outro dado positivo.


- No entanto, nem tudo são flores. Ops! Flores? Desculpem-me, mas aí já seria sobre o balanço de outro clube (risos escutados na sala). Vamos voltar o Flamengo... A receita no ano passado cresceu muito acima da taxa Selic, algo bastante incomum para o Flamengo e que não deverá voltar a ocorrer tão cedo. Isto significa que o clube perdeu uma excelente oportunidade de reduzir o endividamento.

Próxima Aula
Ao escutar o sinal, indicando o final da aula, o professor disse:
- Bem, pessoal. Devido ao limite de tempo, continuarei o assunto na próxima aula, quando falarei especificamente sobre os pontos obscuros, as anormalidades e os problemas que aparecem nas demonstrações contábeis do Flamengo. Analisem o que conversamos até aqui e enviem seus comentários. Ficarei no aguardo!

 FLAmém!

* Pacioli - escolhido para ser o nome do professor é uma homenagem a Luca Pacioli, um frei franciscano que é considerado o pai da contabilidade moderna, que, em um livro escrito em 1494 (ou seja, quando o Brasil ainda era dos índios), descreveu pela primeira vez o "método das partidas dobradas", que é a base dos lançamentos contábeis até hoje, segundo o qual todo débito corresponde a um crédito de mesmo valor. A consequência disto é que o total de débitos será sempre igual ao total de créditos e o ativo será igual ao passivo, mas aí já é um post para um blog contábil, certo?

** Não costumo alterar um texto depois de publicá-lo. no entanto, desta vez, fui obrigado porque o trecho anterior (que mantive riscado) levava a uma confusão conceitual. Aproveito para explicá-la. Investimentos não são contabilizados como despesas (não transitam pelo resultado - DRE), mas lançados diretamente em uma conta no ativo permanente (aumenta-se o valor do bem). No entanto, o CT foi utilizado provisoriamente e alguns gastos temporários são contabilizados como despesas. É a estes que pretendia me referir. Agradeço a preciosa colaboração do leitor Diego Milward (@dmilward).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

AINDA O SÓCIO TORCEDOR, SEUS MITOS E SUAS CRENÇAS - por Walter Monteiro

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Dando continuidade a série de reflexões sobre o Flamengo, o Walter Monteiro nos fala mais sobre os programas de sócio-torcedor, tendo como base os principais programas existentes no Brasil.

Caso queira reler o primeiro capítulo, basta clicar aqui.


FLAmém!

REFLEXÕES SOBRE O FLAMENGO 
PARTE 2
AINDA O SÓCIO TORCEDOR, SEUS MITOS E SUAS CRENÇAS.

No artigo anterior critiquei o movimento de alguns rubro-negros, que depositam todas as suas esperanças na criação de um projeto de sócio torcedor. O curioso é que apenas no Flamengo essa obsessão em atrair mais torcedores sob uma motivação exclusivamente política tem defensores tao ardorosos. Há uma série de programas adotados por nossos rivais e em nenhum dos que analisei a questão do voto tem importância. E alguns são muitíssimo bem sucedidos.

Eu não teria tempo e nem seria o caso de destrinchar, um a um, os programas de todos os clubes brasileiros, nem mesmo se restringisse a pesquisa aos clubes da Série A ou até mesmo aos chamados "12 grandes" (os 4 cariocas, os 4 paulistas, os 2 gaúchos e os 2 mineiros). Adotei um critério, um tanto quanto aleatório, mas com premissas claras.

Escolhi o Vasco, porque é o maior rival local do Flamengo; o Botafogo, porque dizem ser o clube carioca com a administração mais arejada; o São Paulo e o Inter, por serem referências nacionais de práticas de gestão elogiadas e o Corinthians, o clube que luta para roubar do Flamengo a liderança nacional em número de torcedores. É uma amostragem coerente e abrange 1/4 dos times da Série A e a metade dos clubes grandes (incluindo o Flamengo, de quem falarei depois).

A tabela a seguir detalha o que cada um desses clubes enfatiza serem os benefícios dos respectivos programas de sócio torcedor, segundo informa ao dos seus sites oficiais:



É preciso aclarar que a tabela acima faz uma aproximação muito resumida dos benefícios ofertados em cada programa. O Vasco, por exemplo, não oferece quase nada ao sócio torcedor propriamente dito, mas, em compensação, comercializa um plano chamado de "sócio geral" que custa apenas R$ 10,00 a mais e garante os benefícios que descrevi. Botafogo, São Paulo e Corinthians comercializam planos com preços diferenciados, com as versões mais caras contendo "mimos" mais sofisticados, como lugar personalizado no estádio, camisa autografada e vários outros badulaques.

0 mais importante, entretanto, é perceber que apenas Vasco e Inter garantem direito de voto ao sócio torcedor - o Corinthians chega a proibir taxativamente no seu estatuto social que essa categoria tenha direito de voto. 

Só que no Inter e principalmente no Vasco, o tal direito de voto é muito mais simbólico do que efetivo - ou, como se dizia antigamente, é para ingles ver. 

No Inter a eleição é, em principio, indireta. Há um Conselho Deliberativo, formado por membros natos (1/3) e membros eleitos (os 2/3 restantes). Quem quer ser presidente do clube precisa ter cumprido ao menos 1 mandato de conselheiro. E é o Conselho, em princípio, quem elege o Presidente. Se uma das chapas atingir um quórum qualificado (que é um número variável de votos de conselheiros, a depender da quantidade de chapas inscritas), a eleição acaba ali mesmo. Caso nenhuma chapa consiga atingir esse quórum, há um segundo turno entre as duas mais votadas. É só nessa segunda etapa que o sócio torcedor pode dar o ar de sua graça - antes, fica tudo ali entre os 450 conselheiros. 

No Vasco é ainda pior. A eleição é inteiramente indireta, sendo que o Conselho Deliberativo do clube é composto por metade de membros natos. Só a outra metade é eleita. 

Ou seja, o verdadeiro direito de voto que Inter e Vasco efetivamente concedem aos seus respectivos sócios torcedores é o direito de eleger apenas parte do Conselho Deliberativo (2/3 no caso gaúcho, metade no caso carioca), mas, no frigir dos ovos, quem dá as cartas mesmo são os ilustres conselheiros. 

Como se vê, a questão eleitoral NEM DE LONGE é relevante para o sucesso dos programas de sócio torcedor, sendo que na maioria dos casos ela sequer entra em pauta. São os benefícios oferecidos que realmente fazem a diferença. Ou, ainda melhor, é um beneficia central - acesso aos estádios com conforto, preço especial e algum diferencial em relação ao torcedor comum - que determina o sucesso de um programa de sócio torcedor. 

Essa é uma lição a ser aprendida pelas futuras gestões do Flamengo: não adianta lançar com pompa e circunstância projetos audaciosos (como o fracassado Cidadão Rubro-Negro, que guarda semelhanças óbvias com os programas clássicos de sócio torcedor, apenas com uma denominação diferente) se a questão dos ingressos e do acesso aos estádios não estiver no centro das preocupações. 

Ingressos, ingressos, ingressos. Essa é a chave do sucesso, o imã que atrai multidões de futuros associados. Quem percebeu isso, colheu êxito. Amor ao clube, desejo de participar politicamente ou benefícios não muito tangíveis simplesmente não funcionam.

* Por Walter Monteiro - Embaixador Oficial do Flamengo no Rio Grande do Sul, sócio-proprietário do clube (mesmo morando em Porto Alegre) e escreve a coluna Bissexta no Blog Ouro de Tolo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

SÓCIO TORCEDOR, MITOS E CRENÇAS - por Walter Monteiro

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Por motivos particulares, precisei me afastar temporariamente do blog. No entanto, você, leitor, sairá ganhando neste período. Publicarei aqui, sempre às quartas-feiras, uma série de artigos de autoria do Walter Monteiro* sobre a questão societária do C.R.F. e os programas de incentivo ao torcedor em geral, aproveitando este recesso forçado do futebol rubro-negro.
São artigos normalmente longos, para tratar o tema com a profundidade necessária e com o objetivo de evitar o lugar-comum. Trata-se de um material de altíssimo nível para reflexão e debate sobre o Flamengo. Concordando ou discordando das ideias do autor, tenho certeza de que você gostará da contribuição.
Segue o primeiro, que corresponde a um convite para discussão sobre o papel de um programa de sócio torcedor.
FLAmém!


REFLEXÕES SOBRE O FLAMENGO
PARTE 1
SÓCIO TORCEDOR, MITOS E CRENÇAS.




Com esse artigo, inicio uma pequena série de reflexões sobre o futuro do Flamengo. Normalmente os debates acerca da gestão do clube são poluídos por uma atmosfera eleitoral muito intensa, onde sobram críticas para a administração do momento e promessas de um mundo melhor para o mandato seguinte - tem sido assim há, digamos, uns 20 anos. E quase sempre quem se dispõe a propor algo está, direta ou indiretamente, comprometido com alguma corrente política do clube, está a serviço desta ou daquela candidatura.

Eu mesmo, na última eleição, escrevi um documento pomposo e pretensioso, mas inteiramente influenciado pelo meu apoio à Patricia Amorim. Dessa vez, porém, nem pretendo repetir meu apoio à Patricia, nem me empolgo com as pré-candidaturas de oposição já em movimentação. Essa certa neutralidade me dá a impressão de que posso refletir com um tantinho a mais de isenção sobre o cotidiano da Gávea e estimular que outros rubro-negros enriqueçam o debate. Abro a série com um tema que está na ordem do dia de todos os que pensam o futuro do clube: a criação de um programa de sócio torcedor.

Não conheço ninguém que seja contra a criação de um programa de sócio torcedor, mas nove entre dez flamenguistas que o defendem publicamente miram, sobretudo, a possibilidade de renovar o colégio eleitoral do clube, dando à torcida o direito de participar ativamente da vida política do CRF.

O Flamengo, todos concordamos, tem muitos e muitos problemas, mas um deles, acreditem, não é falta de democracia. Pelo contrário, o clube é um dos mais democráticos do país, porque não há qualquer restrição em se associar (afora, claro, a questão econômica, porque não é tão barato) e nem há tantos embaraços a que um interessado possa se candidatar à presidência, sem contar que todos os sócios proprietários (há mais de 5 mil) podem participar do Conselho Deliberativo, se o desejarem.

Portanto, não é democracia que falta no Flamengo, há até quem diga (equivocadamente) que há democracia em excesso.

Apesar disso, cresce a percepção de que a solução mágica para os nossos problemas (muitos problemas, não me canso de insistir) viria de uma associação em massa de um contingente de rubro-negros, todos ávidos por se associarem ao clube tão logo isso seja possível.

Lamento decepcionar essa linha wishful thinking, mas conceder direito de voto a uma nova modalidade de sócios, além de não ser tão simples, não mudaria praticamente nada no cenário político da Gávea.

Eu disse antes que quase não há embaraços para quem quer se candidatar à presidência do CRF, mas isso não significa que não haja alguns requisitos. Há dois, basicamente: ter mais de 35 anos e ser sócio proprietário há mais de 5 anos. Requisitos bem simples de serem atingidos nas condições atuais (ainda devem existir uns 3 mil títulos de sócio proprietário à venda). Estimo que haja uns 3 ou 4 mil flamenguistas aptos a se candidatarem.

Ou seja, ainda que se concedesse direito de voto aos futuros “sócios-torcedores”, eles precisariam escolher entre os mesmos candidatos de hoje em dia.

O que muda, então?

Muda que os candidatos de hoje, que fazem uma campanha para um colégio eleitoral menor, precisariam competir em um cenário muito maior. Isso tornaria a campanha eleitoral mais cara, menos acessível a quem não é milionário, mais dependente de apoios de empresários e caciques políticos, mais difícil a quem não tem articulações internas sólidas.

Em que medida isso realmente pode contribuir para uma renovação no clube?

Um detalhe que costuma passar despercebido por todos que sonham com uma mudança de rumos no clube é que o comparecimento às urnas dos sócios atuais é muito baixo, inferior a 40% do colégio eleitoral.

Quase ninguém é sócio do Flamengo para jogar tênis ou frequentar a piscina, porque para isso há opções melhores e mais em conta. Quem mantém vínculos com o clube em geral o faz por ser visceralmente ligado ao futebol. E por que ainda assim essa gente toda silencia na hora do “vamos ver”?

Uma provável resposta é que as candidaturas não empolgam e que o modo como se dá a política rubro-negra, com um rodízio entre facções internas, não estimula a quem está de fora desse círculo vicioso a participar um pouco mais. Olhar a situação e a oposição, uma falando mal da outra, é como ver um filme repetido na Sessão da Tarde, um eterno retorno, uma desesperança sem fim.

Portanto, parece muito mais simples, econômico e eficaz, ao invés de lutar por uma ilusória adesão em massa de torcedores que hoje não são sócios, somar esforços para identificar, dentre os mais de 60% de sócios ausentes, pessoas íntegras, de boa formação e desejo genuíno de colaborar, que possam, a curto prazo, representar uma mudança efetiva.
Isso não significa, claro, que se deva ser contra a um projeto de sócio torcedor. Como disse, não conheço ninguém que o seja. Só que é preciso ter em mente o que, de fato, representa um projeto desta natureza.

Para o clube, a resposta é óbvia: aumento de receita fixa. Mas não apenas isso. O sócio torcedor fornece uma base de consumidores muito útil para iniciativas mais arrojadas, como marketing one to one,  licenciamento de produtos específicos e muito mais. Em resumo, sócio torcedor, quando bem trabalhado, é uma receita adicional para o clube que, a longo prazo, pode ser até mais relevante do que, por exemplo, a venda de patrocínio nos uniformes.
E para o torcedor? A experiência mostra que o propulsor da associação é a facilidade (ou até a exclusividade) na interação com o clube, especialmente na compra de ingressos e descontos em itens oficiais e licenciados. Ninguém se associa sem receber nada em troca, por mais paixão que alimente pelo clube. É preciso que o público alvo seja induzido a participar mediante uma real percepção de que algo lhe é oferecido instantaneamente em troca de sua mensalidade.

Por último, mas não menos importante, para aqueles que ainda sonham que o Flamengo possa, em um futuro próximo ou mesmo longínquo, introduzir um programa de sócio torcedor com direito de voto direto e universal, não custa lembrar que essa medida teria que ser prevista em uma alteração dos atuais estatutos do clube, a ser aprovada pelo atual Conselho Deliberativo.

Em outras palavras, é preciso convencer os atuais sócios proprietários, que pagaram relativamente caro para ter direito de voto, a compartilhá-lo com milhares de pessoas que pagariam, pelo mesmo direito, algo como 10 vezes menos. Convenhamos, não parece uma tarefa fácil. Em política, o melhor que a gente pode fazer é lutar pelo aquilo que é possível realizar, ao invés de alimentar ilusões sobre um mundo melhor, mas claramente utópico.

Uma mudança, a curto prazo, é possível e até mesmo provável, desde que se aprenda a lutar com as armas certas, o entendimento correto. Mas estou convencido de que essa mudança nem de longe passa por inchar o colégio eleitoral – ao contrário, me parece até que seria uma decisão equivocada insistir nisso.

No próximo artigo, vou comentar alguns projetos de sócio torcedor bem sucedidos em clubes brasileiros. Nenhum deles, posso adiantar, concedeu real direito de voto aos envolvidos.

* Por Walter Monteiro - Embaixador Oficial do Flamengo no Rio Grande do Sul, sócio-proprietário do clube (mesmo morando em Porto Alegre) e escreve a coluna Bissexta no Blog Ouro de Tolo.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

VAMOS AO DEBATE: O QUE PODE SER FEITO NO CURTO PRAZO?

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Logo após o final do jogo no Equador, pelo meu perfil pessoal, tweetei que, tal como um urso, gostaria de hibernar e que alguém fizesse o favor de me acordar quando chegasse 2013. Com a cabeça ainda inchada, porém mais fria, vejo que se mais rubro-negros tivessem a mesma vontade, além de perdermos um dos bens mais valiosos que temos, que é o tempo, ainda acordaríamos provavelmente numa situação ainda pior.

Quem ama tem vontade de cuidar e quem cuida jamais fica indiferente. Ser Flamengo é algo permanente, é igual a ser pai ou mãe. Não dá para tirar férias. Assim, a pergunta que fica é: o que pode ser feito para mudarmos a situação atual de desrespeito ao manto sagrado no curto prazo?

Não sou a favor de iniciarmos uma "caça as bruxas", derrubando tudo e a todos. Numa inquisição, as primeiras vítimas costumam ser a justiça e a verdade. Mas, se não houver penalidades, se ninguém "pagar o pato", algo mudará? Ou todos se acomodarão com a nova realidade?

Assim, creio que as punições têm que ser simbólicas para que o corte na própria carne transmita a mensagem de que a situação atual não pode se perpetuar. A responsabilidade maior será sempre da cúpula, que representa a última instância, ou seja, é quem detém institucionalmente o poder de evitar que chegássemos ao ponto em chegamos. Porém, incompetência não é razão para um impeachment, mesmo sendo em um assunto tão sério como é o futebol. Então, o pleito sobre a saída ou não da atual presidente está agendado para dezembro. E até lá, o que poderia ser feito?

Crises também geram oportunidades. Estamos, portanto, diante da chance de mudar algo no Flamengo. O aumento do quadro social pode ser uma solução, mas é de difícil concretização e leva tempo para se obter o direito ao voto. O fato é que não há regra e estamos do lado de fora, mas podemos pressionar, fazer barulho. Quais medidas poderiam ser tomadas o mais breve possível?

Como falei em um post, Ronaldinho não só pode, como deveria fazer a diferença. Quem mais do que nosso astro-mor personalizaria em nosso elenco a displicência e o descaso com o próprio clube? Se usar nossa camisa 10, recebendo R$ 1,2MM, não é motivo para que alguém se motive, se matando em campo, para que os resultados esperados sejam alcançados, o que mais seria? As primeiras notícias após o novo vexame já indicam que ele poderia estar de saída. Medida que teria todo meu apoio. É preferível contar com um mediano motivado do que com um gênio sem tesão. Dar alguns bons passes no jogo é muito pouco e podemos conseguir quem faça o mesmo com mais disposição e menor custo. Nem quero saber a vida noturna que ele leva, mas me incomoda que só consiga se movimentar em campo por no máximo um tempo.

O problema aqui seria financeiro. Não sei qual é a multa do contrato do Ronaldinho. Porém, se trabalharmos com a multa convencional (metade da remuneração que faltaria receber até o término do compromisso), podemos estimar uma penalidade a quem romper o contrato próxima aos 20 milhões de reais. É absurdo que um contato de imagem não tenha penalidades para o descaso com a própria imagem, mas não duvidaria nada que o Flamengo não tivesse se resguardado a este respeito. Assim, só resta procurar uma "saída honrosa" como falam por aí. Também de nada adianta tirar Ronaldinho e trazer um Adriano. É preciso sinalizar que o Flamengo está acima das vaidades pessoais.

Acho o treinador o menos culpado pela situação, pois ele não poderia barrar o Ronaldinho. É refém da situação tal qual foi o Andrade em 2010. Porém, as substituições que fez na última partida não podem ficar impunes. Mesmo que o Flamengo se classifique para a próxima fase da Libertadores, o fato é que Joel fracassou. Não conseguiu resolver nenhum problema tático e nem dar o seu famoso jeito na defesa. Mesmo considerando-o como um refém da desorganização que impera no Flamengo, o treinador não pode ser chamado de vítima. Afinal, aceitou se sujeitar a isto e recebe muito bem para tal. Então, é outro que precisa ser afastado e nem deveria treinar o time contra os vices. Porém, ele não poderia cair sozinho, sob pena de estarmos apenas trocando as moscas.

Ou seja, não existe uma regra. Mas, o Flamengo precisa estar acima de tudo e de todos. Então, vamos debater em alto nível. Vamos propor soluções! Quem sabe nossas vozes não passem a ser escutadas por trás do muro da Gávea? Afinal, estamos em ano duplamente eleitoral para a presidente.

 FLAmém!

PS: Não coloquei nenhuma imagem em sinal de protesto.

sábado, 31 de março de 2012

AULA DE LIBERTADORES

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


Nos dois jogos, o Olímpia nos deu uma aula de como se deve jogar uma Libertadores. Tal como a torcedora da foto acima, o nosso adversário mostrou que para se dar bem na competição, é preciso ter peito. É preciso ter raça, vontade e determinação. É preciso comprometimento! Comprometimento com a vitória, com a disciplina tática, com o companheiro do time e com a torcida. Os jogadores precisam estar todos no mesmo ritmo, conscientes de que cada um tem que fazer a sua parte e desempenhar suas atividades com afinco. 

Nesses jogos, o Olímpia nos mostrou que "o jogo só termina quando o juiz apita", que não há jogo ganho por antecipação, mas que resultados são conquistados com força de vontade durante os 90 minutos. Que se deve jogar explorando os erros do adversário e, também, que é importante o "não jogar". Se fazer cera é feio, horrível seria entregar uma vitória já conquistada. Deve-se jogar e impedir que o adversário jogue. Não se pode dar espaços. É preciso sim ter cães de guarda, mas aqueles que estejam dispostos a morder. Não adianta colocar 3, 4, 5 ou 10 cabeças de área, se o adversário consegue  ter campo para matar a bola, se aproximar do gol, chutar e, ainda, pegar os rebotes. 

Também, não adianta jogar em casa, se a torcida está lá mais disposta a pressionar do que a apoiar. Não é verdade que ninguém joga bem após as vaias. O adversário joga, cresce em campo. Afinal, o caldeirão está cozinhando o próprio dono. Em Libertadores, a torcida não pode cochilar, não pode deixar de cantar, é preciso transmitir confiança para o seu próprio time e impor cautela aos adversários durante toda a partida.

Depois de tantas vezes disputando a principal competição sul-americana, sei que já deveríamos ter aprendido as regras do jogo. Porém, mais uma vez mostramos que não. Assim, de nada adiantarão as razoáveis chances de classificação que ainda temos, se jogadores e treinador não se conscientizarem da importância da vitória na próxima quarta-feira.

Vamos Flamengo...

Saudações rubro-negras,
Nas vitórias e nas derrotas, Flamengo Sempre!

FLAmém!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O PODER DO VOTO E A CATEGORIA OFF-RIO

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!

Aproveito a semana livre para iniciar um debate sobre a instituição. Todos sabemos que não adianta ficar só reclamando dos desmandos e omissões desta ou de quase todas as diretorias do clube. Isto não mudará absolutamente nada! A mudança só poderá vir por meio da renovação do quadro societário. É com o título de sócio na mão que estaremos aptos a atuar na vida política do clube, debatendo e escolhendo as melhores opções. Só com a participação de mais pessoas comprometidas verdadeiramente com o Mais Querido que poderemos transformar em realidade um Flamengo que deixe de gastar mal, que saiba aproveitar a força de sua torcida e o tamanho da paixão que sentimos por ele e que não mais desperdice todo potencial que tem.

Assim, apoio toda e qualquer campanha que amplie o número de sócios do clube. A alegria ou tristeza de uma Nação não pode ser decidida por menos de 800 votos (Patricia foi eleita com míseros 792). A boa notícia é que o Flamengo é democrático e permite que os interessados virem sócios e, por consequência, votem. No entanto, pelo fato de ser o único clube realmente nacional, muitos estarão pagando somente para ter um título de eleitor. Convenhamos que isto não é barato e não é para todos. De qualquer forma, a quantidade de eleitores da atual presidente demonstra que estamos muito aquém da nossa grandeza.

O estatuto do Flamengo, em seu artigo 6º enumera as 10 categorias que constituem o quadro social, a saber:
I) Grande-Benemérito - sócio benemérito há pelo menos 10 anos que continue prestando serviços relevantes ao Flamengo;
II) Benemérito - Sócio emérito há pelo menos 5 anos que continue prestando serviços relevantes ao Flamengo;
III) Emérito - Sócio há mais de 5 anos que preste serviços relevantes ao Flamengo
IV) Laureado - ex-atleta vitorioso;
V) Honorário - Título concedido como uma homenagem especial por serviços prestados ao Flamengo ou ao esporte em geral;
VI) Remido - Sócio com 50 anos ininterruptos como associado, ficando isento de qualquer contribuição;
VII) Proprietário - Sócio que detém fração do patrimônio líquido do Flamengo;
VIII) Patrimonial - Nominativo e transferível, cujo patrimônio é o valor do respectivo título;
IX) Contribuinte - Sócio comum, que paga uma mensalidade, não podendo revender o título;
X) Atleta - Atleta do clube enquanto estiver apto para competir.

Já o site oficial do clube inclui uma nova categoria, a do Off-Rio, apresentando-a como uma divisão do sócio contribuinte, inclusive garantindo o direito ao voto. Porém, pode o site criar uma categoria sem base no estatuto? Pode uma categoria ser divisão de outra tendo mensalidade diferente? No meu entendimento, ambas respostas são negativas. Assim, a categoria que mais se encaixa na necessidade da maior parte da torcida (ou seja, os que não moram na cidade do Rio) pode ser irregular.

Ressalto que muita gente bem intencionada discorda do meu veredito, utilizando a prática como argumento, uma vez que os sócios Off-Rios vêm votando nas eleições. Mas, será que tal prática será mantida quando o número de representantes desta categoria for algo realmente significativo que possa fazer a diferença numa eleição? Será que não haveria nenhum sócio descontente com a perda de poder e com a possibilidade de mudança para tentar impedir o voto de uma categoria não reconhecida formalmente pelo estatuto por meio de uma ação judicial? 

Acredito que qualquer um que compre um título Off-Rio tenha como objetivo o poder do voto, já que não deverá frequentar a sede social. Assim, no mínimo, poderá estar comprando junto um problema. Como dito no início deste artigo, não tenho qualquer objetivo de desestimular a torcida a se tornar sócia. Muito pelo contrário. Porém, é preciso alertar para prováveis riscos para que ninguém se sinta ludibriado no futuro. Meu objetivo é tão somente o de debatermos o Flamengo e as possibilidades de melhorarmos o clube que amamos. 

O ideal seria que se tentasse incluir a categoria no estatuto para evitar eventuais problemas futuros. Se o voto dos Off-Rios for ponto realmente pacífico no clube, não haverá qualquer problema para esta alteração. Porém, qualquer dificuldade já dará uma ideia da oposição que esta categoria poderá encontrar quando for numerosa, sem uma mudança estatutária. 

E você? Qual a sua opinião sobre se tornar sócio? E sobre a categoria Off-Rio? Vamos ao debate!

 FLAmém!

sábado, 17 de março de 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE O AMARGO EMPATE

Caríssimos irmãos de fé rubro-negra,
Salve, Salve, FLAleluia!


Cansado, com gosto de cabo de guarda-chuva na boca, cheguei em casa já na madrugada de sexta-feira, após o grande mole dado pelo Flamengo. Só para sair do estacionamento do Engenhão e chegar a Linha Amarela demorei quase 40 minutos. Para quem não conhece o local, estou falando de uma distância de aproximadamente 2Km. Impotente, diante da falta de estrutura viária nas proximidades do estádio e da passividade com que meu time deixou o adversário empatar, minha tentação era a de utilizar o teclado como arma e caçar as bruxas. Precisava achar um culpado para aquele meu lamentável fim de noite. Seria fácil! Eram vários os candidatos ao mordomo da vez: o ineficiente Negueba; Joel por colocar o ineficiente Negueba, por não fazer as demais substituições para ganhar tempo, ou até mesmo por não ter sido o retranqueiro que tanto reclamávamos; Galhardo por não ter aproveitado mais uma chance; a zaga por ter falhado novamente; Júnior César que terminou o jogo vaiado; a inexperiência do time;  o excesso de contusões; a falta de um líder que colocasse a bola embaixo do braço e até mesmo a torcida por ter pedido a volta do Imperador com o time jogando bem.
   
O cansaço e a raiva me impediram de escrever qualquer coisa com um mínimo de coerência lógica. Ainda bem! O tempo passou, devagar, mas passou e a cabeça finalmente esfriou. Entretanto, ainda permanece o gosto amargo na boca da ressaca moral (o que seria mais imoral que seu time pagar um King-Kong? rsrsrs). De qualquer forma, ao invés de procurar culpados, acho que devemos entender os motivos do que aconteceu e tentar procurar as coisas positivas.
   
Jogamos bem durante 75 minutos. Nos 20 minutos iniciais do segundo-tempo demos um show de bola. Jogamos como não jogávamos desde a épica virada sobre o Santos. A marcação funcionou, o meio-campo se mostrou leve e criativo, Ronaldinho finalmente foi Ronaldinho, parece que encontramos a melhor posição para o Bottinelli (quase um volante), os garotos deram conta do recado e fizemos belas jogadas e lindos gols.
   
O que aconteceu nos 30 minutos finais foi uma apatia geral provocada pela sensação de vitória antes do tempo, a famosa arrogância que já nos derrubou outras vezes. Também, não podemos deixar de enaltecer o adversário. Claro que o erro maior será sempre do time que permite a reação, porém o Olímpia não se intimidou com nossa superioridade até o momento (no placar e no volume de jogo) e foi para cima. Tem mérito. Não é um time bobo.
   
Não podemos, entretanto, considerar o caso como fato isolado, mera fatalidade, sob o risco de nos especializar em entregar jogos ganhos. Não foi a primeira vez, mas poderá demorar a voltar a acontecer, se todos (time, comissão técnica, dirigentes e torcida) tirarmos a devida lição do episódio. O velho e tradicional ensinamento de que o jogo só acaba quando o juiz apita.
   
Sou favorável a manutenção da base, a jogar com um meio-campo habilidoso, que sabe criar tanto quando marcar, a ver um time rejuvenescido em campo. Ainda teremos a volta do Léo Moura, que está jogando o fino em 2012 e podemos fazer mais testes com Magal e Camacho.
    
Foi ruim, muito ruim. Foi amargo. Ainda estou revoltado. Se gostasse de sofrer, escolhia outro time. No entanto, aconteceu quando podia acontecer. Que fique a lição e, principalmente, a observação de que estamos no caminho certo.
   
A base está aí, Joel! Faça os pequenos ajustes necessários e vamos rumos ao Bi da Libertadores.

FLAmém!